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Por que o setor de saúde é protagonista em M&As e o que vem por aí
Publicado 30/11/2025 • 10:30 | Atualizado há 6 meses
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Publicado 30/11/2025 • 10:30 | Atualizado há 6 meses
KEY POINTS
Maior plano de saúde do país está em crise, entenda o risco do setor. Foto: divulgação/Hapvida.
Maior plano de saúde do país está em crise, entenda o risco do setor. Foto: divulgação/Hapvida.
O setor de saúde mantém ritmo firme nas operações de fusões e aquisições no Brasil. Entre 2003 e 2023, foram registradas mais de 817 transações, segundo a KPMG, movimentando cerca de R$ 90 bilhões. Esse avanço reflete mudanças estruturais e o interesse crescente de investidores em negócios ligados à assistência e gestão.
Por muitos anos, o setor era formado por hospitais, laboratórios e clínicas que atuavam de forma regional. Nas últimas duas décadas, esse desenho mudou com o avanço de grandes grupos e a aceleração das aquisições. A expansão de empresas como Rede D’Or e Hapvida ampliou a escala do setor e abriu espaço para novos ciclos de investimento em especialidades, como oncologia.
Daniel Lasse, CEO da Value Capital, explica que a consolidação cria redes maiores e melhora a eficiência. “O que era um conjunto disperso de operações passa a se organizar em estruturas integradas. Isso torna o setor mais competitivo e atrai interessados em ganhar presença nacional”, afirma.
Mesmo em períodos de juros altos, a saúde segue com demanda estável. Em 2024, os gastos públicos chegaram a R$ 215,9 bilhões. Nas famílias, as despesas com medicamentos somaram R$ 215,8 bilhões, segundo o IPC Maps. O consumo não recua em momentos de incerteza, o que dá mais previsibilidade ao setor.
Lasse observa que esse comportamento reforça o interesse dos investidores. “Diferente de outras áreas, a procura por serviços de saúde não é postergada. Isso ajuda a manter o fluxo de operações, independentemente do cenário macroeconômico”, diz.
Dois elementos têm impulsionado novas transações: o envelhecimento da população e o avanço da digitalização. Projeções do IBGE mostram que um em cada quatro brasileiros será idoso em 2060, o que pressiona a rede assistencial e amplia a busca por serviços especializados.
Ao mesmo tempo, healthtechs e soluções digitais mudam a forma como clínicas e hospitais operam. A tecnologia melhora processos, reduz custos e gera modelos de negócio que despertam interesse de investidores.
Hospitais e operadoras já passaram por ciclos intensos de consolidação. Agora, o foco se desloca para clínicas especializadas, que têm registrado número crescente de aquisições. Também ganham espaço as integrações entre prestadores e planos de saúde, estratégia que busca reduzir custos e garantir o controle de toda a jornada do paciente.
As operações deixam de ser apenas horizontais — quando empresas semelhantes se unem — e passam a incluir movimentos verticais, que conectam diferentes pontos da cadeia de saúde. “Esse tipo de estrutura gera sinergias e ajuda a preservar margens em um ambiente competitivo”, avalia Lasse.
Segmentos como oncologia e hospitalização domiciliar têm atraído atenção de investidores, dada a complexidade dos tratamentos e a necessidade de maior escala para sustentar o modelo financeiro.
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Para o próximo ano, especialistas projetam a continuidade do movimento de consolidação. Cidades médias devem receber mais investimentos, clínicas especializadas devem seguir no centro das negociações e novos fundos de private equity devem entrar no setor.
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Seguir no Google“Mesmo com desafios de curto prazo, como juros ainda elevados, a saúde tende a manter um volume relevante de operações. O setor combina necessidade social, previsibilidade e espaço para expansão. Isso explica por que ele continuará no radar dos investidores”, afirma Lasse.
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