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Brasil ultrapassa EUA e assume liderança global na produção de carne bovina
Publicado 17/12/2025 • 10:45 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 17/12/2025 • 10:45 | Atualizado há 5 meses
KEY POINTS
Pela primeira vez, o Brasil ultrapassou os Estados Unidos na produção de carne bovina e assumiu a liderança global do setor, segundo dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). O marco consolida uma virada estrutural no mercado mundial de proteína animal e reforça o protagonismo brasileiro, que já liderava as exportações globais há mais de duas décadas.
As estimativas do USDA apontam que a produção brasileira deve alcançar 12,35 milhões de toneladas em 2025 (peso de carcaça), um crescimento de 4% em relação a 2024. O resultado surpreendeu o mercado, que no início do ano projetava queda na produção nacional, sobretudo em função do maior abate de fêmeas — cenário que não se confirmou.
O avanço tem como principal motor o ganho de produtividade por animal. Em setembro, o peso médio do macho abatido atingiu 303 kg, recorde histórico, o que permitiu ao país superar, em alguns meses, 1 milhão de toneladas de produção mensal. “Quanto mais peso por animal, maior a produção”, resume Maurício Nogueira, da Athenagro, consultoria especializada no setor. Segundo ele, o desempenho reflete o maior uso de tecnologia no campo, especialmente na alimentação, manejo e eficiência produtiva. Os cálculos consideram abates com inspeção municipal, estadual e federal, reforçando a robustez dos números.
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Enquanto o Brasil avança, a pecuária dos Estados Unidos enfrenta dificuldades. O USDA estima a produção americana em 11,81 milhões de toneladas em 2025, queda de 4% frente a 2024. O rebanho no menor patamar desde a década de 1970, aliado a efeitos climáticos, custos elevados e redução de áreas de pastagem, tem pressionado a atividade.
Para 2026, o USDA projeta queda na produção tanto do Brasil quanto dos EUA, com volumes próximos de 11,7 milhões de toneladas para ambos — um possível empate técnico. Nogueira, porém, discorda da retração de 5% prevista para o Brasil e avalia que a produção pode ficar estável ou até crescer levemente, apoiada em espaço para ganhos adicionais no rendimento de carcaça e na melhora dos preços ao produtor ao longo dos últimos 18 meses.
No cenário internacional, o órgão americano estima que, após cinco anos de alta, as exportações globais de carne bovina devem recuar 1% em 2026. A produção mundial, que deve alcançar 61,9 milhões de toneladas em 2025, tende a cair para 61 milhões no próximo ano, com exportações passando de 13,7 milhões para 13,5 milhões de toneladas. O consumo global deve recuar 1%, abrindo espaço para substituição por proteínas mais baratas, como o frango, cujas exportações podem crescer 3,3%.
Nesse contexto, o Brasil surge em posição estratégica: combina escala, custos competitivos, eficiência na produção de bezerros e um diferencial sanitário relevante — o país está livre de gripe aviária, peste suína africana e língua azul. A liderança simultânea em produção e exportações reforça o papel do Brasil no abastecimento global de alimentos e no centro das decisões do mercado internacional de carne bovina.
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