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Petrobras deve ampliar produção até 2030, mas precisa repor reservas, diz Roberto Castello Branco
Publicado 03/08/2026 • 22:29 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 03/08/2026 • 22:29 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
A produção de petróleo da Petrobras deve continuar crescendo até o início da próxima década, mas sem repetir necessariamente o ritmo recente, segundo Roberto Castello Branco, ex-presidente da estatal. Para ele, a sustentação desse avanço dependerá da descoberta de novos campos e da reposição contínua das reservas.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Castello Branco comentou o novo recorde da produção brasileira de petróleo registrado em junho. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o país produziu 4,475 milhões de barris por dia no mês, alta de 4% em relação a maio e de 19,1% na comparação anual.
“Eu acredito que a produção vai continuar a crescer, salvo se acontecer algum problema, até o início dos anos 30”, afirmou.
O resultado superou o recorde anterior, de abril, quando a produção havia alcançado 4,34 milhões de barris por dia. O pré-sal respondeu por 3,699 milhões de barris diários em junho.
Segundo Castello Branco, o avanço foi impulsionado pela entrada de novas plataformas em Búzios, campo que concentra parcela relevante das reservas do pré-sal.
“Tem uma boa perspectiva de crescimento, mas o problema é que o petróleo é um negócio de longo prazo. Então, tem que olhar para o futuro”, disse.
Leia também: Petrobras encontra nova reserva de gás em águas profundas da Colômbia
O ex-presidente da Petrobras afirmou que a redução natural das reservas exige investimentos constantes em exploração. Segundo ele, para cada volume retirado, a companhia precisa descobrir quantidade superior para manter suas reservas estáveis.
“Cada milhão de barris que você tira, você tem que repor mais de 1 milhão de barris para que as reservas fiquem constantes. Então, é um trabalho duro e que requer muito investimento em exploração”, afirmou.
Nesse contexto, Castello Branco criticou a demora na autorização para perfurações exploratórias na Margem Equatorial. Para ele, a região pode contribuir para a expansão futura, mas não será suficiente sozinha para sustentar a produção no longo prazo.
“A Margem Equatorial levou muito tempo para ser autorizada, anos para ser autorizada a perfuração de um poço exploratório”, disse. “A Margem Equatorial não é suficiente. Nós teremos que continuar a exploração para descobrir novos campos e então manter a nossa posição.”
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Siga o Times | CNBCCastello Branco também avaliou como positiva a descoberta de gás anunciada pela Petrobras na Colômbia, mas ressaltou que ainda é necessário confirmar a viabilidade dos recursos encontrados.
“É uma notícia boa, mas precisa ser confirmada. Nós descobrimos recursos. Agora vamos ver se eles são economicamente viáveis para termos reservas provadas”, afirmou.
O executivo disse acreditar no sucesso do projeto, mas demonstrou incerteza sobre a possibilidade de o gás ser exportado para o Brasil, diante das próprias necessidades de abastecimento da Colômbia.
Ele também destacou uma diferença em relação ao pré-sal brasileiro, onde parte relevante do gás é encontrada associada ao petróleo. Segundo Castello Branco, isso influencia as decisões de produção, já que o petróleo tende a oferecer maior rentabilidade.
Leia também: Dólar sobe e bolsa cai; recuo do petróleo pesa sobre a Petrobras
Ao comentar os possíveis efeitos da volatilidade internacional do petróleo sobre o próximo balanço da Petrobras, Castello Branco afirmou que preços mais altos e aumento da produção tendem a favorecer os resultados da companhia.
“São só efeitos benéficos. Preço mais alto é um efeito positivo. A produção está crescendo, os preços estão aumentando. Na medida em que a Petrobras exporte mais, vai melhorar significativamente o fluxo de caixa”, disse.
O ex-presidente da estatal, porém, criticou a possível destinação desse caixa adicional. Segundo ele, os recursos podem ser direcionados tanto para dividendos, com impacto sobre as receitas do governo, quanto para investimentos em áreas que considera distantes do negócio principal da Petrobras.
Castello Branco citou projetos em fertilizantes, potássio e terras raras e afirmou que a companhia não possui experiência consolidada em alguns desses segmentos.
“Provavelmente isso vai resultar em perdas para a companhia e para seus acionistas”, afirmou.
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