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Cúpula do Judiciário vê “massacre” nas urnas e teme avanço de impeachments no Senado
Publicado 06/10/2026 • 21:00 | Atualizado há 32 minutos
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Publicado 06/10/2026 • 21:00 | Atualizado há 32 minutos
KEY POINTS
O avanço de candidatos de direita ao Senado no primeiro turno das eleições de 2026 acendeu um alerta entre integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) e de outros tribunais superiores sobre o aumento da pressão política contra a Corte a partir do próximo ano.
A avaliação interna é de que a nova composição do Senado cria condições mais favoráveis para que pedidos de impeachment contra ministros deixem de permanecer apenas no campo da pressão política e passem a ter possibilidade maior de tramitação.
Levantamentos publicados após a eleição apontam ao menos 49 senadores favoráveis ao afastamento de integrantes do STF, cinco abaixo dos 54 votos necessários para uma condenação.
Entre integrantes da cúpula do Judiciário, o resultado foi descrito como um “massacre” e ficou acima das projeções feitas internamente meses antes da votação. Em julho, ministros trabalhavam com uma estimativa próxima de 40 senadores alinhados a pedidos de impeachment. A informação foi revelada por Malu Gaspar, do jornal O Globo.
O PL foi o principal vencedor da disputa pela Casa. O partido elegeu 19 dos 54 senadores escolhidos neste domingo (4) e chegará a 28 integrantes em fevereiro de 2027, quando os novos parlamentares tomarem posse. Será a maior bancada do Senado.
A dimensão desse bloco aumenta a capacidade de articulação de pautas relacionadas ao Supremo, ainda que não signifique automaticamente que existam votos suficientes para afastar um ministro.
Além do PL, senadores eleitos por outras legendas de direita e centro-direita também defenderam durante a campanha mudanças no funcionamento do Judiciário ou criticaram decisões da Corte.
O resultado das urnas ocorre depois de meses de desgaste institucional provocado pelo caso Banco Master e de discussões internas sobre regras de conduta e limites para a atuação de ministros.
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Siga o Times | CNBCO presidente do STF, Edson Fachin, vinha defendendo a adoção de um código de ética e maior autocontenção da Corte. A leitura de interlocutores do Judiciário é de que a nova composição do Congresso aumenta a possibilidade de mudanças serem impostas pelo Legislativo caso o próprio tribunal não avance em reformas internas.
O programa de governo de Flávio Bolsonaro (PL) propõe limitar decisões individuais dos ministros do STF e ampliar o peso das decisões colegiadas. O documento também prevê retirar do Supremo parte das competências criminais originárias, permitindo que parlamentares e outras autoridades sejam julgados em instâncias inferiores.
O plano inclui ainda uma quarentena de um ano para que ministros de Estado possam ser indicados ao Supremo e restrições à atuação de parentes de magistrados nos tribunais em que eles atuam.
Leia também: Fachin: STF é maior do que tudo e todos e permanecerá
Nesta segunda-feira (5), o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, adotou um tom mais cauteloso ao tratar do assunto e afirmou que caberá aos senadores conduzir a discussão, defendendo que o tema seja tratado sem criar uma nova crise política.
Depois do primeiro turno, Lula afirmou que sua campanha estava carregando o desgaste provocado pelo que chamou de “promiscuidade” estabelecida no Supremo e defendeu uma nova discussão sobre os critérios para a escolha dos ministros.
O presidente também passou a defender de forma mais aberta mudanças no Judiciário, em um momento em que aliados avaliam que a crise de imagem do STF produziu efeitos políticos durante a eleição.
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