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Demissão de Luciana Gimenez escancara crise da TV aberta

Publicado 17/01/2026 • 14:09 | Atualizado há 2 horas

Luciana Gimenez no cenário do Superpop

Reprodução Instagram

A demissão de Luciana Gimenez da RedeTV! e sua consequente saída do comando do Superpop depois de mais de duas décadas escancaram uma realidade em transformação no setor audiovisual brasileiro. O fim do vínculo da modelo com a emissora simboliza o esgotamento de um modelo que sustentou a TV durante anos: atrações de auditório com apresentadores carismáticos, pautas populares e apelo direto ao público. Hoje, essas fórmulas perdem espaço diante das redes sociais e das plataformas de streaming.

A televisão aberta enfrenta um dos maiores desafios de sua história. O avanço de plataformas como YouTube, TikTok, Instagram e serviços on demand alterou os hábitos de consumo, especialmente entre os mais jovens. O público agora escolhe o que assistir, quando assistir e como assistir. Nesse novo cenário, formatos tradicionais como o de Luciana Gimenez já não despertam o mesmo interesse e enfrentam dificuldades para se adaptar à linguagem digital.

O Superpop, por mais de 20 anos no ar, simbolizava uma era em que a TV ditava tendências, formava opinião e mantinha audiência cativa. A linguagem direta e o espaço dado a temas fora do radar das emissoras líderes garantiam ao programa uma identidade própria. No entanto, a fragmentação do consumo midiático reduziu o impacto de programas desse perfil, que passaram a concorrer com conteúdos mais ágeis, personalizados e interativos nas redes.

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Além da perda de audiência, há um desafio financeiro. A produção de programas de auditório demanda estrutura, equipe e orçamento. Em contraste, criadores de conteúdo independentes produzem vídeos com alcance similar ou superior usando apenas um celular. As emissoras abertas, pressionadas por cortes e pela fuga de anunciantes, têm optado por formatos mais econômicos, muitas vezes em parceria com igrejas ou plataformas terceirizadas.

Luciana Gimenez era uma das últimas representantes de uma geração de apresentadores que construíram carreira na televisão aberta tradicional. Sua saída marca o fim de um modelo baseado em personalidades fortes e fidelização de público em horário fixo. Hoje, a lógica do algoritmo se impõe: o conteúdo precisa ser rápido, impactante e facilmente compartilhável. O fluxo linear da TV perde espaço para a lógica sob demanda.

Em resposta, as emissoras tentam se reinventar. Apostam em interatividade, transmídia e integração com redes sociais. Ainda assim, os resultados são tímidos diante da velocidade das mudanças. O provável fim do Superpop – a RedeTV! ainda não decidiu se o programa seguirá no ar com outro apresentador — e demissões de figuras como Luciana Gimenez no cenário atual revelam uma televisão aberta em busca de novo rumo, pressionada a abandonar fórmulas consagradas em troca de modelos ainda em fase de testes.

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