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Economia Brasileira

Durigan critica falta de diálogo dos EUA e vê riscos econômicos em classificação de PCC e CV

Publicado 01/06/2026 • 22:31 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o Brasil não foi avisado previamente sobre a medida americana, apesar dos possíveis impactos para a economia, o sistema financeiro e as instituições nacionais.
  • Durigan avalia que o combate ao crime organizado depende principalmente da cooperação entre órgãos de inteligência, fiscalização e investigação, e não da classificação das facções como grupos terroristas.
  • O ministro alertou que a decisão já levou bancos brasileiros a reforçar procedimentos de compliance e buscar assessoria jurídica internacional, além de poder elevar a percepção de risco do país e gerar impactos sobre o sistema financeiro, incluindo o Pix.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo brasileiro pretende dialogar com autoridades dos Estados Unidos sobre a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, mas ressaltou que a interlocução ocorrerá nos termos definidos pelo Brasil.

Em entrevista ao SBT News, Durigan disse manter uma relação direta com o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, e indicou que poderá tratar do tema com ele após a conclusão das análises conduzidas pelo governo brasileiro.

“Posso ligar para Scott Bessent a qualquer momento, não tenho problema com isso, mas não cabe ao Brasil estar no lugar de vassalagem, de passar a mão no telefone toda hora e ficar implorando para os Estados Unidos. Vamos fazer conversas internas, com instituições financeiras, autoridades brasileiras, recolher informação, e levar isso de maneira qualificada para autoridades norte-americanas.”

Mais cedo, o chefe da equipe econômica afirmou que tinha reuniões marcadas com os americanos para tratar da questão. Horas depois, porém, ele disse que não tinha nenhum econotro agendado.

O ministro demonstrou incômodo com o fato de a medida ter sido adotada sem comunicação prévia às autoridades brasileiras. Para ele, decisões com potencial de gerar repercussões econômicas e institucionais para o país deveriam ser compartilhadas antecipadamente entre governos parceiros.

“Não caberia a eles ligarem e avisarem que estavam tomando esse tipo de providência?”

Segundo Durigan, desde o anúncio da decisão, a equipe econômica vem conversando com representantes do setor financeiro e reunindo informações para avaliar os possíveis efeitos da medida. Somente após esse processo o governo pretende apresentar formalmente sua posição aos americanos.

“O que estou dizendo é: essa medida foi aplicada na quinta-feira à noite, passamos sexta-feira conversando com a economia brasileira. Hoje é segunda-feira. Nos próximos dias isso pode acontecer à medida em que eu estiver com as informações todas que eu reputo necessárias e no meu tempo eu vou fazer o contato com eles.”

O chefe da equipe econômica argumentou que o combate ao crime organizado depende principalmente da integração entre órgãos de fiscalização, investigação e inteligência financeira. Na avaliação dele, a cooperação operacional entre instituições produz resultados mais concretos do que mudanças de classificação jurídica.

Durigan também criticou políticos brasileiros que defendem a adoção da medida por governos estrangeiros. Segundo ele, esse tipo de atuação enfraquece a imagem do trabalho realizado por autoridades nacionais no enfrentamento às facções criminosas.

O ministro afirmou ainda que o setor financeiro já começou a reagir ao novo cenário. De acordo com ele, bancos passaram a reforçar estruturas de conformidade e buscar assessoria jurídica internacional para se resguardar de possíveis questionamentos externos. Na visão do governo, esse movimento eleva custos operacionais sem que haja, até o momento, qualquer acusação concreta contra instituições brasileiras.

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Outro ponto de preocupação é a possibilidade de que futuras ações derivadas da classificação alcancem empresas ou bancos nacionais. Durigan citou que um agravamento desse quadro poderia atingir mecanismos relevantes do sistema financeiro, incluindo o Pix.

Para o ministro, a controvérsia também tem potencial para afetar a percepção de investidores estrangeiros sobre o Brasil, elevando o prêmio de risco exigido para aplicações no país. Ele ressaltou, porém, que isso não decorre de uma piora efetiva no combate ao crime organizado, área em que, segundo ele, o Brasil já atua e está disposto a aprofundar a cooperação com os Estados Unidos.

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