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Tarifa dos EUA pode gerar perdas de US$ 3,5 bilhões em setores exportadores, alerta a Farsul

Publicado 16/07/2026 • 19:30 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A Farsul estima prejuízo de US$ 3,5 bilhões para cadeias produtivas concentrado nos segmentos de madeira, fumo, couro e calçados, sebo bovino e mel.
  • O economista da federação argumenta que, embora alguns setores representem uma fatia menor das exportações, a dependência torna o impacto desproporcional.
  • Substituir o mercado americano de forma rápida é uma alternativa pouco viável na avaliação da Farsul, o que se justifica pela dimensão da economia dos EUA.

A sobretaxa de 25% anunciada pelos Estados Unidos sobre parte das importações brasileiras pode provocar perdas superiores a US$ 3,5 bilhões para cadeias produtivas nacionais e atingir diretamente setores que têm forte dependência do mercado americano. A avaliação é do economista-chefe da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul, Antônio da Luz, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

De acordo com um estudo preliminar elaborado pela entidade, a nova tarifa incidirá sobre 38% dos produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. O impacto econômico estimado tem efeitos concentrados principalmente nos segmentos de madeira, fumo, couro e calçados, sebo bovino e mel.

Embora alguns desses produtos representem uma fatia menor das exportações brasileiras, a dependência do mercado americano torna o impacto desproporcional em determinadas cadeias produtivas.

“Mel pode ser pequeno para as exportações brasileiras, mas metade das nossas exportações são para os Estados Unidos. Tudo bem, o efeito econômico pode não ser tão grande, mas o efeito para a cadeia é gigantesco”, afirma.

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Segundo o economista da federação, ainda existe espaço para negociação antes da entrada em vigor da medida, prevista para 22 de julho, mas isso dependerá de uma mudança de postura dos dois governos.

Na avaliação dele, parte das justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para a adoção das tarifas não se sustentam. Ele criticou as acusações relacionadas à agenda ambiental e ao Pix, classificando como inadequada a comparação feita pelo governo americano em relação ao sistema brasileiro de pagamentos.

Antônio da Luz também afirmou que as tarifas anteriores já produziram efeitos sobre a economia americana, contribuindo para a retomada da inflação e reduzindo as perspectivas de cortes de juros pelo Federal Reserve.

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Ao mesmo tempo, fez críticas à condução das negociações pelo governo brasileiro. “Nós temos que sentar e negociar. Estados Unidos são nosso cliente. Não interessa quem é o presidente, quem é o secretário de Estado”, argumenta.

Para Antônio da Luz, o risco vai além dos setores diretamente atingidos pelas tarifas. Estados e municípios altamente dependentes de atividades exportadoras, como os polos têxteis de Santa Catarina, calçadistas do Rio Grande do Sul e produtores de madeira em diferentes regiões do país, podem sofrer impactos relevantes sobre emprego e renda.

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O economista da Farsul avalia que substituir rapidamente o mercado americano é uma alternativa pouco viável. Segundo ele, empresas brasileiras já vêm tentando diversificar destinos desde o ano passado, mas a dimensão da economia americana dificulta qualquer reposicionamento de curto prazo.

“Nós estamos falando dos Estados Unidos, que é a maior economia do mundo. Eu não consigo substituir os Estados Unidos por outro. Ele é muito grande para ser substituído”, afirma.

Além dos efeitos imediatos sobre o comércio, Antônio da Luz chamou atenção para uma disputa estratégica que considera pouco debatida: a competição global envolvendo a produção de biocombustíveis.

“O Brasil vai vencer essa corrida. Essa questão do etanol, ela está inserida num contexto muito maior que é a corrida pela liderança e pela vanguarda na produção e distribuição global de biocombustíveis”, finalizou.

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