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Conflito no Oriente Médio

Ormuz segue como ponto crítico apesar de novos oleodutos

Publicado 16/07/2026 • 20:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Países do Golfo ampliam rede de oleodutos para reduzir dependência do Estreito de Ormuz.
  • Analistas avaliam que nova infraestrutura continua vulnerável a ataques do Irã e aliados.
  • Mercado vê oleodutos como alternativa parcial, e não substituta das rotas marítimas.

Os produtores de petróleo do Oriente Médio planejam construir novos oleodutos para reduzir sua dependência do Estreito de Ormuz, enquanto o Irã interrompe as exportações marítimas de petróleo bruto dos países do Golfo com ataques quase diários a petroleiros.

Mas novos oleodutos não acabarão com a ameaça às exportações de energia da região, afirmam analistas. Essa infraestrutura é tão vulnerável aos ataques assimétricos de baixo custo que têm atingido navios em Ormuz quanto as rotas marítimas, disseram eles.

Os Estados Unidos estão apoiando o esforço do Iraque para reconstruir um oleoduto que liga a cidade de Kirkuk, no norte do país, passando pela Síria, até o Mar Mediterrâneo, disse um funcionário do Departamento de Estado à CNBC nesta quinta-feira (16). Empresas americanas devem participar da construção do oleoduto, acrescentou a autoridade.

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A interrupção em Ormuz atingiu especialmente o Iraque, segundo maior produtor da Opep, porque o país exporta a maior parte de seu petróleo pelo porto de Basra, no sul, e possui poucas alternativas. A produção caiu mais de 50% em junho, para 1,9 milhão de barris por dia, em comparação com os 4,2 milhões de barris por dia produzidos em fevereiro, antes de Estados Unidos e Israel iniciarem a guerra contra o Irã.

Os Emirados Árabes Unidos, por sua vez, planejam dobrar sua capacidade de exportação fora de Ormuz com a conclusão de um segundo oleoduto até o porto de Fujairah, no Golfo de Omã. A Arábia Saudita também estuda ampliar em 2 milhões de barris por dia a capacidade de seu oleoduto até o Mar Vermelho, disseram à Reuters pessoas próximas ao assunto na semana passada.

Esses projetos são apenas três dos sete oleodutos no Oriente Médio que estão em construção ou em fase de planejamento, afirmaram analistas do Goldman Sachs em relatório divulgado no domingo. Segundo eles, a capacidade de transporte por oleodutos na região pode superar 14 milhões de barris por dia até o fim de 2028, volume equivalente a mais de 60% das exportações pré-guerra dos sete países do Golfo, que somavam 23 milhões de barris por dia.

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Mas os oleodutos funcionam mais como uma proteção geopolítica contra interrupções em Ormuz do que como um substituto para o estreito, afirmou Jennifer Li, analista geopolítica da consultoria de energia Rystad.

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O oleoduto Oeste-Leste já existente dos Emirados Árabes Unidos, que liga o país ao Golfo de Omã, e o oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita, até o Mar Vermelho, atuaram como importantes válvulas de escape para o mercado de petróleo durante a guerra contra o Irã. Abu Dhabi e Riad ampliaram as exportações por essas rotas, desviando milhões de barris por dia de Ormuz.

Os países do Golfo precisam diversificar ao máximo suas rotas de exportação, mas os oleodutos continuam vulneráveis, afirmou Li. Em abril, o Irã atingiu uma estação de bombeamento no oleoduto saudita até o Mar Vermelho, reduzindo o fluxo em 700 mil barris por dia.

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“O problema não é a hidrovia”, disse Bob McNally, fundador da Rapidan Energy, ao programa “Power Lunch”, da CNBC, na segunda-feira. “O problema é que o Irã pode usar armas para atacar instalações de carregamento, estações de bombeamento, terminais finais e unidades de armazenamento desses oleodutos.”

O Irã e seus aliados houthis no Iêmen agora ameaçam interromper as exportações de petróleo pelo Mar Vermelho. Um alto dirigente político houthi, Mohammed al-Farah, afirmou no início da semana que o grupo está preparado para fechar o Estreito de Bab el-Mandeb em coordenação com o Irã, segundo a mídia estatal.

Teerã pediu aos houthis que fechem o estreito caso os Estados Unidos bombardeiem a infraestrutura energética iraniana, disseram fontes à Reuters nesta quinta-feira. O Bab el-Mandeb liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e aos mercados mundiais.

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O fechamento do estreito bloquearia milhões de barris por dia de petróleo que a Arábia Saudita passou a exportar por seu oleoduto até o terminal de Yanbu, no Mar Vermelho.

“A importância de Yanbu tanto para a Arábia Saudita quanto para o mercado global de petróleo não pode ser subestimada”, afirmou Michelle Wiese Bockmann, analista sênior de inteligência marítima da Windward.

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