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Estrangeiro “carrega” Bolsa brasileira enquanto investidor local foge da Selic alta e do risco eleitoral

Publicado 08/02/2026 • 15:10 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • O capital externo injetou R$ 25,3 bilhões na B3 em janeiro, quase igualando todo o aporte estrangeiro de 2025.
  • Selic em 15% e incerteza sobre a eleição de outubro mantêm investidores locais defensivos e focados na renda fixa.
  • O rali é concentrado em apenas 12 a 13 papéis, que respondem por cerca de 80% dos ganhos do Ibovespa.
Ibovespa B3

O investidor institucional brasileiro segue reticente em acompanhar o otimismo dos estrangeiros com a Bolsa, saindo do mercado apesar dos recordes sucessivos do Ibovespa, e deve continuar hesitante nos próximos meses, segundo especialistas ouvidos pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

O Ibovespa encerrou janeiro com alta de 12,56%, puxado principalmente pelo interesse estrangeiro. Dados preliminares apontam que a entrada de recursos externos somou R$ 25,3 bilhões, valor que praticamente iguala todo o investimento aportado na B3 em 2025, de R$ 25,5 bilhões, ano em que o índice subiu 34%.

Já o investidor institucional retirou R$ 46,6 bilhões da Bolsa em 2025 e, de 1.º a 29 de janeiro, manteve o movimento de saída, com fluxo negativo de R$ 16,7 bilhões. A rotação global de ativos a partir dos Estados Unidos, que tem beneficiado mercados emergentes, está na raiz do interesse dos estrangeiros pelo Brasil.

Investidor doméstico aposta menos na bolsa

Para o investidor doméstico, porém, o principal entrave é a taxa Selic, hoje em 15% ao ano, mas que deve começar a cair em março, conforme sinalização recente do Copom do Banco Central. Como o próprio BC indica, a taxa de juros livre de risco tende a ficar menos atraente, favorecendo a migração para ações.

Leia também: CEO da B3 enxerga retomada de IPOs ainda em 2026 com forte fluxo estrangeiro

Segundo Bruno Takeo, estrategista da Potenza Capital, a participação do institucional pode melhorar com a queda iminente da Selic, mas sem virada brusca: “Pode começar a tomar mais risco à medida em que os juros forem caindo, mas permanece receoso”, afirma.

A disputa eleitoral à presidência em outubro também inspira cautela. Para Takeo, o consenso é de pessimismo diante de um “cenário eleitoral binário”, com o investidor preferindo esperar um sinal de quem vencerá para voltar a tomar risco em renda variável.

“Fizemos um estudo e só 12, 13 papéis estão concentrando quase 80% do ganho acumulado pelo Ibovespa”, observa Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos. “É o rali mais triste da história”, acrescenta, notando que o estrangeiro busca apenas ações de alta liquidez como Vale, Petrobras e Itaú.

Para Cima, o investidor doméstico permanece inativo porque a explosão de preços em pouco tempo assusta, tornando o investimento em ações, em um momento de juros ainda altos, menos “factível”. Ele define o fluxo externo atual como o de um “cara passivo que vem aqui comprar índice”, e não o investidor fundamentalista.

Estrangeiros: mais da metade em 2025

Luis Ferreira, CIO do EFG Private Wealth Management, lembra que, em 2025, os estrangeiros responderam por 58,3% do volume negociado na B3 (maior fatia desde 2014), enquanto os institucionais locais ficaram com 25,4%. Em 2025, os fundos de ações registraram resgates líquidos de R$ 54,5 bilhões.

Leia também: Investidores estrangeiros aplicam R$ 26,31 bilhões na B3 em 2026; veja o impacto

Ferreira aponta que a Selic elevada aumentou o custo de oportunidade, reforçando a preferência pela renda fixa, que já representava R$ 4,68 trilhões em investimentos de varejo em junho de 2025. O ruído fiscal e o câmbio pressionado também fizeram o investidor local entrar “atrasados” no movimento da Bolsa.

André Buscácio, diretor da AF Invest, reforça que o institucional continua fora das compras. Ele destaca que, embora a liquidez tenha aumentado em janeiro de 2026, a tração veio majoritariamente de fora, enquanto o investidor doméstico manteve postura defensiva.

Metas atuariais dos fundos de pensão

“Para o institucional local, a Selic em patamar alto ainda é um freio substancial”, diz Buscácio. Ele explica que fundos de pensão têm metas atuariais entre IPCA + 5,0% e IPCA + 6,0%, enquanto títulos públicos oferecem retorno real de até 10,0% no curto prazo, tornando a migração para a Bolsa desnecessária no momento.

A perspectiva para o mercado segue positiva com o ciclo de queda de juros previsto para março, conforme o último comunicado do Copom. Esse avanço sobre a Selic tende a motivar o remanejamento de alocação entre classes de ativos e pode sustentar o fluxo estrangeiro, conclui Buscácio.

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