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Guerra eleva risco logístico e pode pressionar margens do café brasileiro, diz presidente da BSCA
Publicado 03/03/2026 • 07:57 | Atualizado há 30 minutos
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Publicado 03/03/2026 • 07:57 | Atualizado há 30 minutos
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A escalada do conflito geopolítico internacional e o risco de aumento nos custos de energia, frete e seguros marítimos acenderam um alerta no setor cafeeiro brasileiro. Em entrevista, o presidente da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), Luiz Roberto Saldanha, afirma que o impacto direto ainda não chegou aos contratos em curso, mas que o mercado já enfrenta tratativas mais duras, alta de seguros e incertezas logísticas que podem comprometer margens e prazos.
Segundo Saldanha, o mercado já vinha enfrentando uma sucessão de choques, como eventos climáticos severos, pandemia, apagão logístico e tarifas comerciais, que alteraram o equilíbrio entre oferta e demanda global. “A gente tem atravessado diferentes volatilidades e incertezas nos últimos anos”, disse, em entrevista neste segunda-feira (2) ao Radar, programa do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
De acordo com ele, embora o aumento efetivo de custos ainda não tenha sido integralmente aplicado aos contratos em andamento, já existem negociações e alertas nas novas contratações. “O custo ainda não chegou, mas já existem tratativas sendo realizadas”, afirma.
Saldanha relata que companhias marítimas deixaram de oferecer seguro de guerra em determinadas regiões, enquanto outras elevaram preços “de maneira bastante exorbitante”. “Os clientes internacionais já imediatamente acendem a luz”, diz ele, ao mencionar contratos a serem performados nas próximas semanas.
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Segundo o presidente da BSCA, a necessidade de alterar rotas diante do fechamento do Estreito de Ormuz e da tensão no Canal de Suez tende a pressionar ainda mais os custos logísticos. “A gente vai ter que mudar essas rotas, e essas rotas implicam maiores custos e maior tempo de trânsito”, afirma.
Conforme estima Saldanha, especialmente nos embarques para a Europa – um dos principais mercados do café brasileiro –, a mudança pode acrescentar de 10 a 18 dias no tempo de trânsito caso os navios precisem contornar pelo Cabo da Boa Esperança. “Esses custos virão, e essa incerteza vai ter que ser monitorada nos próximos dias”, ressalta.
De acordo com Saldanha, a cadeia do café é longa e os impactos tendem a ser distribuídos entre todos os elos. “Em termos de ineficiências e custos, praticamente todos pagam”, afirma.
Segundo ele, como a maioria dos contratos brasileiros é firmada na modalidade FOB (Free On Board), em que o exportador entrega o produto no porto e o frete internacional é responsabilidade do comprador, a tendência é que os importadores arquem com boa parte dos novos custos nos contratos futuros. “Teoricamente, sim, esses custos serão absorvidos, na maior parte, pelos importadores”, diz.
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Ainda assim, Saldanha avalia que o repasse deve seguir ao longo da cadeia. “Esses importadores deverão repassar isso para os torrefadores, que deverão repassar para os clientes finais”, afirma.
O presidente da BSCA lembra que, mesmo sem crise internacional, os gargalos logísticos já geram perdas expressivas. Segundo ele, estimativa do CKF aponta que exportadores de café perderam mais de R$ 60 milhões no ano passado com atrasos portuários, remarcações e problemas logísticos. “Isso numa condição sem ter uma crise logística internacional”, destaca.
Além da logística, Saldanha afirma que a crise energética pode pressionar os custos de produção no campo, já que o setor depende fortemente de fertilizantes nitrogenados, cuja principal matéria-prima é a ureia, produzida com uso intensivo de gás natural. “Não é só questão logística, mas aumento de custo que vai ser repassado na cadeia”, diz, ao prever estreitamento de margens para produtores, exportadores e importadores.
Segundo Saldanha, o comportamento dos preços internacionais não depende apenas do conflito atual, mas de uma combinação de fatores estruturais e conjunturais. “Não é só o conflito em si que pode impactar preços”, afirma.
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De acordo com ele, secas e geadas em Brasil, Colômbia, Vietnã e Indonésia levaram a cotações recordes do café arábica e canéfora em 2025. “Nós vimos preços recordes nos últimos anos”, diz.
Saldanha lembra que, em outubro do ano passado, a cotação do arábica na Bolsa de Nova York chegou a US$ 4,20 por libra (R$ 21,76). “Hoje a gente está com US$ 2,82 (R$ 14,61) a US$ 2,83 (R$ 14,66), uma queda de mais de 30%”, afirma.
Segundo ele, a formação do preço ao produtor envolve três fatores principais: cotação em bolsa, câmbio e diferencial de origem, relacionado à qualidade. “A formação de preço é bastante complexa”, ressalta.
Saldanha avalia que um dólar mais forte em cenário de guerra pode melhorar a rentabilidade em reais, mas também encarece insumos, já que muitos são cotados na moeda norte-americana. “O câmbio pode ajudar, mas também aumenta custos”, diz.
Ainda de acordo com o presidente da BSCA, em momentos de conflito há tendência de migração de capital para metais e ativos energéticos, reduzindo a exposição a algumas commodities agrícolas. “Geralmente, em cenários de guerra, existe essa tendência”, afirma.
Para ele, a expectativa de uma safra brasileira maior, que poderia recompor a oferta global, também já vinha influenciando os preços antes da nova escalada geopolítica. “Os preços estão relacionados com muitos fatores, incluindo safra e demanda”, conclui.
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