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Economia Brasileira

Mercosul–UE: por que o Brasil é o principal eixo do acordo comercial?

Publicado 17/01/2026 • 07:44 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • O acordo Mercosul–União Europeia elimina ou reduz tarifas em mais de 90% do comércio bilateral, criando uma das maiores zonas de livre comércio do mundo e redesenhando cadeias globais de indústria, agronegócio, energia e logística.
  • O Brasil concentra o peso econômico do tratado: responde por mais de 82% das importações europeias vindas do Mercosul e por cerca de 79% das exportações do bloco para a UE, tornando Argentina, Uruguai e Paraguai players periféricos na prática.
Bandeiras da União Europeia, Brasil e Mercosul

A assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, neste sábado (17), aproxima cadeias produtivas estratégicas de dois continentes e consolida uma relação econômica claramente assimétrica, na qual o Brasil ocupa posição central dentro do tratado.

O acordo prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas em mais de 90% do comércio bilateral, além da criação de regras comuns para bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios, após mais de 25 anos de negociações.

De acordo com dados da Comissão Europeia, o Brasil responde por mais de 82% das importações europeias originadas no Mercosul e por cerca de 79% das exportações do bloco sul-americano para a UE. Esse desenho coloca Argentina, Uruguai e Paraguai em posição secundária, já que a dinâmica econômica do tratado é, na prática, estruturada a partir da relação direta entre Brasil e Europa.

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Países dos quais o Brasil depende

Em 2025, o Brasil importou US$ 50,3 bilhões da União Europeia, com forte concentração em três países:

  • Alemanha: US$ 14,4 bilhões (28,6%)
  • França: US$ 7,2 bilhões (14,3%)
  • Itália: US$ 7,1 bilhões (14%)

A pauta revela dependência de bens de maior valor tecnológico, essenciais para a indústria e serviços:

  • Medicamentos e produtos farmacêuticos: US$ 8,1 bilhões
  • Autopeças: US$ 2,5 bilhões
  • Motores e máquinas não elétricas: US$ 2,4 bilhões
  • Aeronaves: US$ 1,2 bilhão
  • Equipamentos de medição e controle: US$ 1,4 bilhão
  • Compostos químicos: US$ 1,41 bilhão

A retirada das tarifas tende a reduzir custos de produção no Brasil, ao baratear insumos estratégicos importados da Europa.

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Países que dependem do Brasil

Em 2025, o Brasil exportou US$ 49,81 bilhões para a União Europeia, concentrados principalmente em:

  • Holanda: US$ 11,7 bilhões (23,6%)
  • Espanha: US$ 8,8 bilhões (17,7%)
  • Alemanha: US$ 6,5 bilhões (13,1%)
  • Itália: US$ 5,3 bilhões (10,8%)
  • Bélgica: US$ 4 bilhões (8,1%)

A pauta é fortemente baseada em commodities e insumos industriais, fundamentais para as cadeias produtivas europeias:

  • Óleo bruto de petróleo: US$ 9,8 bilhões
  • Café não torrado: US$ 7,1 bilhões
  • Farelo de soja: US$ 4 bilhões
  • Minérios de cobre: US$ 3 bilhões
  • Celulose: US$ 2,1 bilhões
  • Minério de ferro: US$ 1,1 bilhão

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Assimetria dentro do Mercosul

Apesar de negociado em bloco, o acordo reflete o peso desigual entre os países do Mercosul. O Brasil concentra a maior parte do comércio e da influência política, enquanto a Argentina aparece como segundo parceiro, mas com exportações quase cinco vezes menores. O Uruguai avança de forma gradual, porém enfrenta limitações regulatórias, e o Paraguai tem peso econômico reduzido e participação marginal na relação com a União Europeia. O resultado é um tratado em que o Brasil funciona como o verdadeiro eixo econômico, enquanto os demais países participam de forma periférica.

Em síntese, o acordo MercosulUnião Europeia cria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, mas consolida um modelo no qual a Europa ganha acesso a commodities estratégicas, o Brasil amplia o acesso a tecnologia, máquinas e insumos industriais, e o valor econômico se concentra nos grandes players globais, com impacto limitado para os países menores do bloco. Para o mercado, o tratado vai além da diplomacia: representa uma reconfiguração estrutural das cadeias globais, com efeitos diretos sobre indústria, agronegócio, energia, logística e investimentos.

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