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Ozempic perde patente e inicia corrida de canetas genéricas no Brasil
Publicado 31/12/2025 • 07:00 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 31/12/2025 • 07:00 | Atualizado há 2 meses
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Robin Utrecht/ABACAPRESS.COMNo via Reuters
Ozempic
A contagem regressiva já começou. Em 20 de março de 2026, expira no Brasil a patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy, abrindo espaço para a entrada de versões genéricas e similares de um dos medicamentos mais vendidos e discutidos do mundo.
O fim da exclusividade marca o início de uma disputa bilionária entre farmacêuticas nacionais e reposiciona o Brasil como um dos principais campos de batalha da indústria global de medicamentos para diabetes e obesidade.
Criado para o tratamento do diabetes tipo 2, o Ozempic ganhou notoriedade pelo efeito de perda de peso e se transformou em símbolo de um mercado em rápida expansão. Em 2023, o medicamento da dinamarquesa Novo Nordisk somou R$ 3,1 bilhões em vendas no Brasil, a maior cifra anual já registrada por um único remédio no país. Hoje, o mercado brasileiro de canetas injetáveis para emagrecimento e controle metabólico movimenta cerca de R$ 11 bilhões por ano e deve encerrar 2025 nesse patamar.
As projeções indicam uma aceleração relevante a partir do fim da patente. Analistas estimam que o segmento pode dobrar de tamanho e alcançar cerca de R$ 20 bilhões em 2026, impulsionado pela entrada de genéricos, pela redução de preços e pela ampliação do acesso ao tratamento.
Embora o Ozempic tenha sido aprovado no Brasil em 2018, o pedido de patente da semaglutida foi depositado em 2006. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal derrubou o dispositivo legal que permitia a prorrogação automática de patentes por atraso na análise do INPI, fixando o prazo máximo de 20 anos a partir do depósito.
A Novo Nordisk tentou estender a proteção até 2038, alegando demora do órgão regulador. O pedido foi rejeitado pelo STJ, que manteve o vencimento da patente em 20 de março de 2026. Na prática, o Brasil passa a integrar o grupo de países que entrarão mais cedo na fase pós-patente da semaglutida, o que aumenta o interesse da indústria local.
A EMS saiu na frente. Líder no mercado de genéricos, a empresa investiu mais de R$ 1 bilhão em sua planta de Hortolândia (SP) e afirma ter capacidade de produzir do insumo farmacêutico ativo ao produto final. Após lançar, em 2025, canetas similares como Lirux e Olire, a companhia mira a entrada da semaglutida assim que a patente expirar.
No médio prazo, a EMS projeta faturamento de até US$ 4 bilhões por ano com a linha, divididos entre Brasil e exportações. A empresa já acionou o FDA, nos Estados Unidos, e, caso se enquadre como first applicant, poderá disputar 180 dias de exclusividade naquele mercado. O objetivo é acessar um setor global que pode atingir US$ 200 bilhões até 2031.
A Cimed também se prepara. Segundo o CEO João Adibe, a chamada “canetinha amarela” estará nas farmácias imediatamente após o fim da patente. O projeto integra um pipeline de 150 novos produtos previstos para os próximos cinco anos. Para isso, a empresa planeja investir R$ 2 bilhões em pesquisa, desenvolvimento e expansão, com meta de alcançar R$ 10 bilhões em receita em 2030.
A Hypera Pharma, controladora da Neo Química, afirma trabalhar para obter registro na Anvisa e lançar sua própria versão de semaglutida. Já a Eurofarma adotou uma estratégia distinta: firmou parceria com a Novo Nordisk para distribuir e promover novas marcas de semaglutida biológica injetável no Brasil.
Outros grupos também se posicionam. A mineira Biomm fechou acordo exclusivo com a indiana Biocon para comercializar e distribuir semaglutida no país. Em Sorocaba (SP), a Nexus anunciou investimento de R$ 60 milhões para instalar uma fábrica. Laboratórios como Prati-Donaduzzi e Teuto acompanham de perto a movimentação do mercado.
O Brasil já figura entre os maiores mercados de genéricos do mundo. Em 2024, o setor faturou R$ 20,4 bilhões e respondeu por 15 das 20 posições entre os medicamentos mais prescritos no país. Com a queda da patente do Ozempic, os efeitos tendem a ser rápidos: preços menores, produção nacional e acesso ampliado.
Hoje, o Brasil consome cerca de 1 milhão de caixas por mês de medicamentos à base de semaglutida. Ainda assim, esse volume atende apenas 2,5% dos adultos obesos no país, o que indica uma demanda reprimida relevante. A entrada de genéricos e similares pode transformar o tratamento, hoje restrito a uma parcela da população, em um produto de escala mais ampla.
Enquanto a concorrência local se organiza, a Novo Nordisk reforça sua presença industrial no Brasil. A companhia anunciou investimento de mais de R$ 6,4 bilhões para expandir sua unidade de produção em Montes Claros (MG). No cenário global, porém, a empresa enfrenta pressão competitiva: as ações acumulam queda superior a 45% em 2025, enquanto a rival Eli Lilly ganha espaço com o Mounjaro, à base de tirzepatida.
A chegada da tirzepatida ao mercado brasileiro tende a elevar ainda mais a concorrência e acelerar a transição das canetas emagrecedoras de um produto de nicho para um tratamento de massa, combinando novas opções terapêuticas e preços mais competitivos.
O avanço dos medicamentos para controle de peso já começa a produzir efeitos em outros setores. Relatórios recentes de analistas apontam mudanças no comportamento do consumidor, com impacto potencial em segmentos como alimentos e bebidas. Em um desses estudos, a XP rebaixou a recomendação das ações da Ambev, citando, entre outros fatores, o efeito estrutural do Ozempic e de medicamentos semelhantes sobre hábitos de consumo.
Com o vencimento da patente em 20 de março de 2026, o Brasil entra em um novo ciclo no mercado de medicamentos para obesidade e diabetes. A combinação de preço, demanda reprimida, capacidade industrial local e novas terapias deve redefinir o setor nos próximos anos. Para a indústria farmacêutica, trata-se de uma das maiores oportunidades da década. Para os pacientes, a expectativa é de acesso mais amplo a tratamentos que, até aqui, permanecem fora do alcance da maioria.
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