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“Brasileirização”: o que é e por que países ricos devem tomar cuidado com isso?
Publicado 14/02/2026 • 17:00 | Atualizado há 8 meses
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Publicado 14/02/2026 • 17:00 | Atualizado há 8 meses
KEY POINTS
Marcello Casal Jr. / Agência Brasil
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A revista britânica The Economist acendeu um alerta global ao destacar o fenômeno da “brasileirização”. Segundo a análise, a economia mundial reúne diversos exemplos que servem de lição. A inflação persistente na Argentina e a estagnação prolongada da Itália ilustram os riscos de ingressar em uma união monetária carregando elevados passivos herdados. No entanto, para a publicação, o sinal de alerta mais contundente para várias das maiores economias do mundo vem do Brasil.
De acordo com a análise, países mais ricos devem se atentar para um cenário econômico já “comum” no Brasil: juros elevados e instabilidade financeira. Para administrar as dívidas, o governo precisa pagar juros altos. A taxa de juros fixada pelo Banco Central é a mais alta desde 2006, sendo 15% ao ano.
Como contorno, a probabilidade é que o governo tome empréstimos equivalentes a cerca de 8% do PIB por ano para pagar sua conta de juros, de 66% do PIB. Fechar a dívida em déficit é improvável; o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que em novembro estará em campanha de reeleição, afrouxou os gastos públicos. A menos que os juros caiam muito, a dívida pública irá disparar.
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“Pode parecer que governos de países mais ricos estejam apertados financeiramente, mas os Estados Unidos, Reino Unido, França e Itália ainda possuem custos de financiamento em faixa abaixo da média. Suas dívidas se estabilizariam se equilibrassem seus orçamentos primários.”, expõe a The Economist. Em contrapartida, o Brasil teria que gerar um superávit em cerca de 5% para manter sua dívida estável, isso se os juros não recuarem.
A resposta não é tão simples quanto parece. Instituições brasileiras, por mais que tenham proteções formais, como a independência do banco central e a separação de poderes, são instáveis. O mais recente e forte balanço foi durante a tentativa de golpe em 2022, executada pelo governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. A inflação também reage rápido.
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Siga o Times | CNBCAlém disso, o governo brasileiro gasta 10% do PIB com aposentadorias. Se não houver reformas trabalhistas, até 2050 o país gastará mais com pensões do que países mais ricos e envelhecidos.
As aposentadorias são protegidas pela Constituição, que determinam que os salários de aposentadorias sejam adequados aos ajustes de salários mínimos. A influência dos aposentados sobre o orçamento dificulta o equilíbrio das contas e ainda reduz o espaço para outros gastos mais produtivos, diz a revista.
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De acordo com o artigo, o diagnóstico deveria preocupar o mundo rico, que já demonstra sintomas. Após a pandemia, os Estados Unidos sofrem com frequentes aumentos de preços e tensões geopolíticas, que ameaçam as cadeias de suprimentos, fazendo com que a inflação se tornasse um risco maior do que nas últimas décadas.
Além disso, os países estão envelhecendo e os gastos com aposentadorias e saúde crescem. As aposentadorias não têm o mesmo nível de proteção formal que no Brasil, mas eleitores mais velhos as apoiam. A revista traz como exemplo o “triple lock” britânico, que garante que as aposentadorias superem o crescimento dos salários a longo prazo.
“Muitos países ricos encontram dificuldades para encontrar 1% ou 2% adicionais do PIB para gastos com defesa. Imagine se tivessem que encontrar o dobro disso apenas para pagar os juros da dívida. Pode parecer dolorosamente difícil, em um mundo populista, prometer inflação baixa e ao mesmo tempo reduzir gastos com idosos.”, termina a revista.
A reportagem ressalta ainda que isso não se compara à escolha angustiante que se impõe ao nosso país, onde ficamos entre uma rigidez profunda e um labirinto assustador de dívida e juros.
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