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Economia Brasileira

“Profundo desrespeito”, declara Faesp sobre veto da União Europeia à carne brasileira

Publicado 06/06/2026 • 18:00 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • A entidade afirmou que as novas exigências surgem após décadas de negociações entre Mercosul e União Europeia e representam uma mudança unilateral das condições previamente acordadas.
  • Segundo a Faesp, a justificativa europeia relacionada ao uso de antibióticos é inconsistente, já que países concorrentes como Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia utilizam práticas semelhantes sem enfrentar restrições equivalentes.
  • A federação cobrou uma reação mais firme do governo brasileiro e defendeu uma atuação conjunta de Argentina e Uruguai para que o Mercosul apresente uma resposta coordenada às medidas adotadas pela União Europeia.
Gado de corte no pasto

Foto: Embrapa

Gado no pasto

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) repudiou, em nota, a decisão da União Europeia (UE) de criar barreiras à importação de carnes, mel e subprodutos de origem animal vindos do Brasil. “É um profundo desrespeito que, após 25 longos anos de negociações entre a União Europeia e o Mercosul, com tudo acertado e alinhado entre as partes, o bloco europeu decida mudar as regras do jogo de forma casuística”, afirmou a entidade.

“Começam agora a surgir salvaguardas descabidas e arbitrárias, que não possuem qualquer lastro ou respaldo técnico e científico. Trata-se de uma manobra burocrática para criar travas artificiais ao comércio internacional”, diz o documento.

De acordo com a Faesp, a medida é discriminatória. “O pretexto europeu, focado no uso de antibióticos, cai por terra diante dos fatos: os rebanhos de concorrentes diretos como os Estados Unidos, a Austrália e da Nova Zelândia utilizam rigorosamente os mesmos produtos fitossanitários e, convenientemente, não sofreram qualquer tipo de restrição, bloqueio ou veto por parte da UE. Essa disparidade de tratamento escancara um protecionismo comercial unilateral direcionado especificamente para tentar frear a nossa competitividade.”

A Faesp cobra do governo federal “pulso mais firme em sua diplomacia comercial” e também uma posição mais firme do bloco.

“É vital e urgente que a Argentina e o Uruguai se juntem a nós para construir um posicionamento regional unificado e robusto que demonstre a verdadeira força e o peso político-econômico do Mercosul. Não permitiremos que nos dividam para nos enfraquecer; o bloco precisa responder à altura dessa afronta”, disse a entidade na nota assinada pelo presidente da Faesp, Tirso Meirelles.

Em nota, o Itamaraty afirmou que há diálogos em curso com o lado europeu para tentar reverter o bloqueio. “Informa-se que este Ministério não se pronuncia sobre tratativas em andamento, com vistas a resguardar a boa condução do processo negociador”, diz a mensagem do ministério.

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