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Quem são os alvos da Compliance Zero: Vorcaro, cunhado pastor, ex-diretor e servidor do BC

Publicado 04/03/2026 • 08:41 | Atualizado há 11 minutos

Paulo Sérgio Neves de Souza, Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel

alvos da PF, Paulo Sérgio Neves de Souza, Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel

A terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta-feira (4), tem quatro alvos de mandado de prisão preventiva: o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master; seu cunhado Fabiano Zettel; o policial aposentado Marilson Silva; e Luiz Phillipi Mourão. Outros quatro investigados receberam medidas cautelares — entre eles dois servidores de carreira do Banco Central afastados judicialmente por ordem do ministro do STF André Mendonça.

Vorcaro já foi preso. Os dois servidores tiveram suas casas alvo de busca e apreensão e foram afastados judicialmente de suas funções por ordem do ministro do STF André Mendonça.

Leia também: Polícia Federal prende Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em nova fase da Operação Compliance Zero

Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master – alvo de prisão preventiva

Vorcaro é o protagonista do escândalo. Foi ele quem comprou o Banco Máxima e o rebatizou como Banco Master, instituição investigada por um esquema bilionário de venda de títulos de crédito falsos, lavagem de dinheiro e corrupção.

Preso em sua residência em São Paulo no início da manhã desta quarta-feira (4) e conduzido à Superintendência da PF, ele já havia sido detido por 11 dias em novembro do ano passado, durante a primeira fase da operação.

Fabiano Zettel, o cunhado foragido – alvo de prisão preventiva

Cunhado de Vorcaro e pastor da Igreja Lagoinha, Fabiano Zettel foi o maior doador individual das campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em 2022. Na organização criminosa, atuava como operador financeiro: era ele quem viabilizava os pagamentos ilegais a todos os integrantes da estrutura, incluindo o repasse mensal de R$ 1 milhão ao grupo de Mourão e os pagamentos aos servidores do Banco Central via contratos fictícios.

Zettel participou diretamente da elaboração do contrato simulado com a empresa Varajo Consultoria para pagar o servidor Bellini Santana. Em mensagem citada na decisão, ele pergunta a Vorcaro: “Hoje tem que pagar a primeira do Belline, ok?” — e recebe como resposta: “OK”. Ele não foi localizado em sua residência em Belo Horizonte. A defesa informou que vai se apresentar voluntariamente à PF.

Na decisão de André Mendonça, Zettel teve a prisão preventiva decretada, mas não foi localizado no momento do cumprimento do mandado.

Luiz Phillipi Mourão, o “Sicário” – alvo de prisão preventiva

Alvo de mandado de prisão e identificado nas investigações pelo apelido de “Sicário“, Luiz Phillipi Mourão chefiava “A Turma” – estrutura paralela de vigilância, intimidação e obtenção ilegal de informações a serviço de Vorcaro. Recebia R$ 1 milhão por mês, pago por Zettel, e dividia o valor entre os integrantes do grupo.

Segundo a decisão de Mendonça, Mourão acessou ilegalmente sistemas restritos de órgãos públicos — inclusive da própria PF, do MPF, da Interpol e do FBI — usando credenciais funcionais de terceiros. Também simulava solicitações oficiais de órgãos públicos para derrubar conteúdos negativos sobre Vorcaro em plataformas digitais. Quando Vorcaro ordenou a agressão ao jornalista, foi Mourão quem respondeu: “Pode? Vou olhar isso…”

Marilson Silva, o policial da milícia – alvo de prisão preventiva

Policial federal aposentado, Marilson Roseno da Silva integrava “A Turma” como um de seus principais operadores. Usava a experiência e os contatos acumulados na carreira policial para obter dados sigilosos, localizar adversários de Vorcaro e executar ações de intimidação. Atuava sob a liderança operacional de Mourão, com o objetivo de proteger os interesses do grupo e dificultar investigações oficiais.

Paulo Sérgio Neves de Souza, o ex-diretor de fiscalização – tornozeleira

Neves de Souza é economista formado pela PUC-SP, com MBA em risco pela Fipecafi, e está no Banco Central desde 1998. Comandou diversas áreas da instituição por mais de duas décadas, até chegar à diretoria de fiscalização — cargo que ocupou de 2019 a 2023, durante a gestão de Roberto Campos Neto. Foi nesse período que assinou a autorização da compra do Banco Máxima por Vorcaro, operação que deu origem ao Banco Master.

A decisão do STF detalha como Neves de Souza atuava como consultor informal de Vorcaro dentro do próprio BC: revisava minutas de documentos do Master antes de serem protocolados na autarquia onde trabalhava, orientava o banqueiro sobre como se comportar em reuniões com o presidente do BC e chegou a alertá-lo sobre movimentações identificadas pelos sistemas de monitoramento da instituição. Em troca, recebia vantagens indevidas camufladas por contratos fictícios — e Vorcaro chegou a providenciar guia turístico para sua viagem à Disney, em Orlando.

Sua casa foi alvo de busca e apreensão nesta quarta e seu afastamento, que já era administrativo, passou a ser judicial com publicação no Diário Oficial da União.

Na decisão de Mendonça não teve prisão preventiva, mas medidas cautelares, como proibição de contato com testemunhas e investigados; proibição de acessar as dependências do Banco Central; proibição de sair do município de residência e do país, com entrega do passaporte à PF em 48 horas; suspensão do exercício da função pública no BC; e uso de tornozeleira eletrônica.

Bellini Santana, o candidato frustrado à diretoria – tornozeleira

Bellini Santana era chefe do Departamento de Supervisão Bancária do BC e mantinha com Vorcaro o mesmo tipo de relação que Paulo Sérgio: revisava documentos do Master antes de serem enviados ao BC, participava de reuniões privadas com o banqueiro fora das dependências da autarquia e integrava grupo de WhatsApp criado para facilitar a comunicação direta com Vorcaro. Chegou a pedir contato telefônico para tratar de assuntos sensíveis, evitando deixar rastros escritos.

Era visto internamente como candidato natural para assumir a diretoria de fiscalização, em substituição a Ailton de Aquino Santos. As suspeitas de envolvimento no caso Master enterraram essa possibilidade — e agora seu afastamento também é judicial.

Decisão de Mendonça: mesmas medidas cautelares aplicadas a Paulo Sérgio proibição de contato com testemunhas e investigados; proibição de acessar as dependências do Banco Central; proibição de sair do município de residência e do país, com entrega do passaporte à PF em 48 horas; suspensão do exercício da função pública no BC; e uso de tornozeleira eletrônica.

O elo entre os alvos

A decisão do ministro André Mendonça descreve quatro núcleos criminosos interligados: o financeiro, responsável pelas fraudes contra o sistema financeiro; o de corrupção institucional, voltado à cooptação de servidores do BC; o de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro; e o de intimidação e obstrução de justiça, operado por “A Turma”.

Além das prisões e cautelares, Mendonça decretou o bloqueio de R$ 22 bilhões em bens dos alvos e suspendeu por tempo indeterminado as atividades de cinco empresas ligadas ao esquema: Varajo Consultoria, Moriah Asset, Super Empreendimentos, King Participações Imobiliárias e King Motors.A operação apura se servidores responsáveis por fiscalizar a instituição omitiram irregularidades ou foram corrompidos, enquanto Vorcaro e seus aliados construíam um esquema de ameaças, espionagem de adversários, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos.

Pronunciamento do STF

O Supremo Tribunal Federal autorizou, na data de hoje (4), a deflagração de nova fase da Operação Compliance Zero. Em cumprimento à decisão proferida pelo relator, Ministro André Mendonça, que acolheu representação formulada pela Polícia Federal, estão sendo cumpridos quatro mandados de prisão preventiva, quatro medidas cautelares diversas da prisão, dentre as quais duas suspensões do exercício da função pública, bem como 14 mandados de busca e apreensão.

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