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‘Sicários’ de Vorcaro presos pela PF formavam ‘milícia privada’ e recebiam R$ 1 milhão mensais por monitoramentos, intimidações e ameaças
Publicado 04/03/2026 • 09:44 | Atualizado há 1 mês
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Publicado 04/03/2026 • 09:44 | Atualizado há 1 mês
KEY POINTS
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A decisão do ministro do STF André Mendonça que autorizou a terceira fase da Operação Compliance Zero revelou um dos aspectos mais perturbadores do esquema criminoso montado pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Uma estrutura informal de capangas contratados para espionar, intimidar e ameaçar fisicamente jornalistas, ex-funcionários, concorrentes e até autoridades públicas.
O grupo, chamado internamente de “A Turma”, recebia R$ 1 milhão por mês por meio de Fabiano Zettel, e tinha acesso ilegal a sistemas sigilosos da Polícia Federal, do Ministério Público Federal, da Interpol e até do FBI.
Dois integrantes dessa estrutura foram presos nesta quarta-feira (4): Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o chefe operacional do grupo, conhecido pelo apelido de “Sicário“, e Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado que colocava seus contatos e conhecimentos das forças de segurança a serviço da organização criminosa.
Leia também: Quem são os alvos da Compliance Zero: Vorcaro, cunhado pastor, ex-diretor e servidor do BC
Luiz Phillipi Mourão, identificado nas investigações como “Felipe Mourão” e apelidado de “Sicário“, mantinha relação direta de prestação de serviços com Vorcaro. Era ele quem coordenava “A Turma”, definindo alvos, organizando equipes de monitoramento presencial e gerenciando o fluxo de informações obtidas ilegalmente.
Segundo a decisão de Mendonça, Mourão realizava consultas e extrações de dados em sistemas restritos de órgãos públicos – incluindo bases de dados de instituições de segurança – mediante uso de credenciais funcionais pertencentes a terceiros.
Dessa forma, obteve acesso indevido aos sistemas da própria PF, do MPF e de organismos internacionais como o FBI e a Interpol. Também simulava solicitações oficiais de órgãos públicos para acionar canais de atendimento destinados a autoridades, com o objetivo de obter dados de usuários ou derrubar conteúdos considerados prejudiciais a Vorcaro em plataformas digitais.

O financiamento de “A Turma” era operado pelo cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, e executado pela funcionária Ana Claudia Queiroz de Paiva. O valor mensal era de R$ 1 milhão, depositado na conta da empresa King Empreendimentos Imobiliários e Participações.
A divisão era feita da seguinte forma: R$ 400 mil repartidos entre seis integrantes, com R$ 75 mil para cada um dos “meninos”, além da remuneração própria de Mourão e bônus esporádicos determinados por Vorcaro.
A dinâmica dos pagamentos está documentada em mensagens de WhatsApp citadas na decisão. Em uma delas, Mourão cobra Vorcaro:
“Bom dia. O Fabiano não mandou este mês e a turma está perguntando. Dá uma olhada com ele por favor.” Em outra, a funcionária Ana Claudia pergunta a Vorcaro: “Vai ser 1 mm como normalmente?” – e recebe como resposta: “Sim.” Em seguida, ela efetua a transferência e junta o comprovante de R$ 1 milhão na conta indicada por Mourão.
Leia também: Vorcaro fez o pai de laranja e escondeu R$ 2 bi na REAG enquanto FGC pagava vítimas do Master
O trecho mais grave da decisão de Mendonça envolve o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Após a publicação de uma reportagem contrária aos interesses de Vorcaro, o banqueiro e Mourão trocaram mensagens que o ministro classificou como evidência de uma ordem para forjar um assalto.
Mourão pergunta a Vorcaro se o jornalista “bate cartão todo domingo”, sinalizando que já o monitorava. Vorcaro responde: “Sim”, e em seguida ordena: “Tinha que colocar gente seguindo esse cara. Pra pegar tudo dele.” Mourão responde: “Vou fazer isto.”
Em uma segunda troca, Vorcaro vai além: “Esse lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto.” Mourão reage com dois sinais positivos e responde que está derrubando os “links negativos” e soltando notícias positivas. Quando Vorcaro reforça a ordem — “Quero dar um pau nele. Pode?” – Mourão responde: “Pode? Vou olhar isso…” E Vorcaro confirma: “Sim.”
Mendonça concluiu na decisão que há fortes indícios de que Vorcaro determinou a Mourão que forjasse um assalto contra o jornalista como forma de silenciar a imprensa crítica ao Banco Master.

O esquema não se limitava a jornalistas. A decisão documenta que Mourão monitorava ex-funcionários de Vorcaro a pedido do próprio banqueiro. Em uma mensagem, Mourão informa que está acompanhando um ex-funcionário e pergunta:
“Tem algum telefone alguma coisa assim para monitorar?” Vorcaro responde ordenando que Mourão “levante tudo dos dois” – o ex-funcionário e um chefe de cozinha a ele associado. Em seguida, acrescenta: “O bom de dar sacode no chef de cozinha primeiro. O outro já vai assustar.”
Há ainda o caso de uma empregada doméstica identificada como Monique. Vorcaro relata a Mourão que ela o estaria ameaçando e ordena: “Tem que moer essa vagabunda.” Mourão pergunta: “O que é para fazer?” Vorcaro responde: “Puxa endereço tudo.”
Policial federal aposentado, Marilson Roseno da Silva era um dos principais operadores de campo de “A Turma”. Sua função central era usar a experiência acumulada na carreira na PF — o conhecimento dos sistemas, dos procedimentos investigativos e dos contatos dentro das forças de segurança — para obter dados sigilosos sobre os alvos de Vorcaro.
Segundo a decisão de Mendonça, Marilson atuava na estrutura logística de vigilância e intimidação coordenada por Mourão, contribuindo para identificar, localizar e monitorar pessoas ligadas a investigações ou críticas ao Banco Master. O objetivo era antecipar e neutralizar riscos ao grupo — especialmente os decorrentes de investigações oficiais e da atuação de jornalistas e ex-funcionários.
O ministro André Mendonça usou o termo “milícia privada” para descrever “A Turma” na decisão que autorizou as prisões. Para ele, a organização não era amadora: tratava-se de “profissionais do crime”, com divisão clara de tarefas, capacidade de acessar sistemas sigilosos do Estado, de influenciar plataformas digitais e de executar atos de violência física.
Mendonça destacou que o risco se estendia à integridade física dos próprios servidores da PF, do MPF, do STF e do Banco Central envolvidos na investigação – e que manter os integrantes de “A Turma” em liberdade significava deixar em funcionamento o braço armado de uma organização que já causou danos bilionários à sociedade. Por isso, decretou as prisões preventivas de Mourão e Marilson para garantia da ordem pública e da instrução criminal.

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