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Fed não surpreende, mas risco fiscal pode pressionar o Brasil em 2026, diz economista
Publicado 18/02/2026 • 22:56 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 18/02/2026 • 22:56 | Atualizado há 2 horas
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A ata mais recente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) não trouxe surpresas para o mercado e reforçou a avaliação de que o banco central americano segue uma política monetária “bastante ortodoxa” e “restritiva”. É o que afirma o economista Hugo Garbe, fundador da Wallet Holding, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC nesta quarta-feira (18).
“Nenhuma surpresa. O Federal Reserve vem adotando uma política monetária bastante ortodoxa, o que significa que ele tem seguido, de forma geral, os manuais de economia e, com isso, adotando uma política monetária bastante restritiva”, afirmou.
Na leitura do economista, a estratégia tem sido usada como “remédio” para conter a inflação, em um ciclo que se estendeu após a pandemia. Ele citou ainda a resiliência do mercado de trabalho nos EUA como um fator que sustenta consumo e pressiona preços, exigindo juros mais altos.
Leia também: Federal Reserve aponta impacto de shutdown do governo no PIB e na inflação
Ao comentar o ambiente político, Garbe mencionou o “dilema” entre Donald Trump e o Fed, destacando o contraste entre a defesa de juros mais baixos e os efeitos inflacionários do aumento de tarifas comerciais. “O Donald Trump foi o responsável pelo tarifaço […] que gera inflação. Inflação essa que o próprio Federal Reserve precisa combater com uma taxa de juros um pouco mais alta”, disse.
Garbe apontou como um dos principais temas do dia a liquidação do Banco Pleno, ligada ao caso Banco Master, e a preocupação do mercado com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
“Existe uma preocupação do mercado com relação ao Fundo Garantidor de Crédito. Só com a liquidação do Banco Master nós já tínhamos batido um recorde de pagamentos pelo Fundo Garantidor. E com o Banco Pleno a gente bate ali quase 60, ou mais de R$ 60 bilhões, em restituição do Fundo Garantidor de Crédito”, pontuou.
Outro fator de atenção citado pelo economista foi a alta do petróleo, que, segundo ele, refletiu o agravamento das tensões entre Estados Unidos e Irã. Ele mencionou uma valorização superior a 4% no dia e disse que, por se tratar de uma commodity estratégica, o aumento do risco tende a se traduzir em preço.
“Quando você tem um país envolvido como o Irã, que é um grande fornecedor, que é um grande produtor de petróleo mundial, existe, sim, incremento de risco. E, quando você fala de incremento de risco, existe ali um aumento do preço”, disse.
Leia também: Ata do Fed revela divisão sobre juros e preocupação com inflação persistente
Questionado sobre os riscos domésticos ao longo do ano, Garbe afirmou que o risco fiscal já era tema em 2025, mas ganha um agravante em 2026 por ser um ano eleitoral. “Historicamente, o ano eleitoral presidencial é um ano que tem um incremento significativo de gasto público”, afirmou.
Ele também mencionou o aumento da dívida como ponto de atenção. “Se a gente for analisar o incremento da dívida pública, da dívida PIB, vem sendo incrementada de forma substancial nos últimos dois anos. Eu diria que esse é o grande risco que nós temos em 2026.”
O economista ponderou que variáveis externas, como decisões do governo Trump, são mais difíceis de prever, mas reforçou que, internamente, a combinação de cenário fiscal “em sinal amarelo” com o ambiente de campanha tende a ganhar peso ao longo do ano, especialmente no segundo semestre. “Historicamente, sim […] geralmente tem essa tensão principalmente a partir do segundo semestre”, disse.
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Jornalista formada pela Universidade Mackenzie e pós-graduada em economia no Insper. Tem passagem pela Climatempo, CNN Brasil, PicPay e Revista Oeste. É redatora de finanças no Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Eleita uma das 50 jornalistas +Admiradas da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças de 2024.
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