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Moraes frequentou mansão de Vorcaro em meio à tentativa de socorro ao Banco Master
Publicado 27/01/2026 • 18:19 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 27/01/2026 • 18:19 | Atualizado há 2 meses
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Ton Molina/FotoArena/Estadão Conteúdo
Ministro do STF, Alexandre de Moraes
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes esteve ao menos duas vezes na mansão do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em Brasília, segundo apuração da coluna da jornalista Andreza Metais, do portal Metrópoles.
Em um dos encontros, ocorrido em um fim de semana do primeiro semestre de 2025, Moraes conheceu o então presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, no momento em que o Master buscava apoio para evitar o fechamento das operações. De acordo com relatos feitos à coluna, Vorcaro pediu que Paulo Henrique fosse até sua residência, no Lago Sul, área nobre da capital federal, porque “o homem estava lá”.
Quatro pessoas teriam presenciado a cena. Moraes estava acompanhado de um assessor e permaneceu em um ambiente reservado da casa. Ao chegar, Paulo Henrique foi apresentado ao ministro, e os dois teriam trocado impressões sobre o tema. O ministro negou que o encontro tenha ocorrido.
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À época, o BRB era visto internamente como uma possível saída para a crise do Banco Master. A operação de compra chegou a ser anunciada, mas teve repercussão negativa no mercado e acabou barrada pelo Banco Central, após a identificação de inconsistências nos ativos do banco e suspeitas sobre as transações envolvendo a venda de carteiras ao próprio BRB.
O encontro com o então presidente do BRB não teria sido o único episódio envolvendo a presença de Moraes na residência de Vorcaro. Segundo o Metrópoles, o ministro também esteve na mansão em 6 de novembro de 2024, quando acompanhou, no local, o resultado da eleição americana que levou Donald Trump ao segundo mandato. Pouco tempo depois, Trump viria a se tornar crítico direto de Moraes, com base na chamada Lei Magnitsky.
De acordo com relatos à coluna, o ministro estava novamente em uma área reservada do imóvel, descrita como uma espécie de bunker no subsolo, com acesso restrito, quatro poltronas e estrutura própria para consumo de charutos. Ainda segundo as fontes, Moraes fumava charutos e degustava vinhos caros e raros.
A presença do ministro na residência do banqueiro também ganhou peso político por ocorrer em um contexto de relações comerciais entre o Banco Master e o entorno de autoridades do Judiciário. O banco firmou, em janeiro de 2024, um contrato de R$ 129 milhões com o escritório de advocacia da esposa de Moraes.
Moraes, por sua vez, já declarou em nota que nem ele nem o escritório de sua esposa atuaram para reverter a liquidação do banco por meio da tentativa de venda ao BRB. Daniel Vorcaro também não comenta o assunto. Em depoimento à Polícia Federal, o empresário foi questionado sobre quem frequentava sua residência em Brasília e citou apenas o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB).
As revelações se somam a uma série de episódios que expõem a rede de relações políticas e institucionais do Banco Master. Conforme informou a coluna do Metrópoles, a instituição manteve por quase dois anos um contrato de consultoria jurídica com o escritório da família do ex-ministro Ricardo Lewandowski, mesmo após ele assumir o comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública, em fevereiro de 2024.
O contrato, assinado em 28 de agosto de 2023, previa pagamentos mensais de R$ 250 mil e seguiu até setembro de 2025. Pelos termos, o objeto era a “prestação de serviços de consultoria jurídica e institucional de caráter estratégico”. Somados, os repasses renderam cerca de R$ 6,5 milhões brutos ao escritório, sendo R$ 5,25 milhões após a ida de Lewandowski para o governo.
Após assumir o ministério, Lewandowski deixou formalmente a sociedade de advogados e suspendeu seu registro na OAB. O escritório passou a ser comandado por seus filhos, Enrique de Abreu Lewandowski e Yara de Abreu Lewandowski. Segundo a apuração, Enrique passou a representar o escritório junto ao banco, mas não realizou “nenhuma entrega significativa”, embora os pagamentos tenham continuado.
Ainda segundo a coluna, o Banco Master também manteve interlocução com integrantes do núcleo político do governo federal. Em dezembro de 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu Vorcaro em uma reunião no Palácio do Planalto, sem registro na agenda oficial. O encontro teria sido agendado pelo ex-ministro Guido Mantega e contou com a presença dos ministros Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia), além de Gabriel Galípolo, então indicado para a presidência do Banco Central.
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Na ocasião, segundo relatos, o então CEO do Master, Augusto Lima, afirmou haver uma articulação de grandes bancos para preservar a concentração do mercado e prejudicar a instituição. Lula teria pedido a Galípolo que tratasse o caso do Master com isenção ao assumir o comando do BC.
Sob a gestão de Galípolo, os técnicos do Banco Central se posicionaram contra a venda ao BRB e decretaram a liquidação do banco, citando fraude de R$ 12 bilhões contra o sistema financeiro. Mantega deixou a consultoria do Master após a liquidação.
O senador Jaques Wagner (PT-BA) também aparece nas apurações. Segundo o Metrópoles, Wagner teria feito um pedido direto para a contratação de Mantega como consultor do banco, após a reação negativa do mercado à tentativa de indicá-lo para o conselho da Vale. No Master, o ex-ministro receberia cerca de R$ 1 milhão por mês e atuaria na articulação da venda da instituição ao BRB. Os pagamentos podem ter alcançado, no mínimo, R$ 11 milhões.
Enquanto atuava como consultor, Mantega esteve ao menos quatro vezes no Palácio do Planalto em 2024, sempre recebido pelo chefe de gabinete de Lula, com registros genéricos de “encaminhamento de pauta”, sem menção ao vínculo com o banco.
As revelações ocorrem em um momento em que o presidente Lula elevou o tom contra o Banco Master. Em evento em Maceió (AL), Lula afirmou que “falta vergonha na cara” para quem defende Vorcaro e acusou o banco de ter dado “um golpe de mais de R$ 40 bilhões”.
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