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Os desafios econômicos de Lula no 4º mandato
Publicado 25/10/2026 • 22:50 | Atualizado há 4 minutos
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Publicado 25/10/2026 • 22:50 | Atualizado há 4 minutos
KEY POINTS
Foto: AFP
Reeleito dois dias antes de completar 81anos, Lula começa o quarto mandato com a dívida em alta e pouca folga no Orçamento. Parte da pressão vem de medidas que o próprio governo adotou em 2026 e que pesam nas contas a partir de janeiro.
O primeiro sinal vem antes da posse, em 5 de janeiro. No dia 4 de novembro, o Copom decide os juros, hoje em 13,75% ao ano, e o mercado vai observar como o governo pretende conduzir as contas.
Cada levantamento usa um critério diferente. A Folha de São Paulo chegou a R$ 290 bilhões, a Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado, a R$ 298,4 bilhões, e o Gastômetro, do Estadão, a R$ 405 bilhões. Nem tudo é despesa: parte é crédito, parte é imposto que deixa de ser cobrado. Pelos cálculos preliminares da IFI, o conjunto pode elevar a dívida em 1,2 ponto percentual do PIB até o fim de 2027.
As de maior peso são o reajuste de 15,04% do Bolsa Família, que custa cerca de R$ 23,4 bilhões por ano segundo a IFI, e a isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil, com renúncia de R$ 28 bilhões em 2026. O governo também zerou tributos federais sobre a gasolina, anunciou o perdão de R$ 12,9 bilhões em dívidas de MEIs e prometeu estender o Pé-de-Meia a universitários em 2027.
Os ministérios da Fazenda e do Planejamento afirmam que os valores não são, na totalidade, despesa nova, e que eventuais ajustes vão respeitar as metas fiscais.
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Siga o Times | CNBCDe janeiro a agosto, o governo central teve déficit primário de R$ 94,9 bilhões. A projeção oficial para o ano é de déficit de R$ 80,9 bilhões. Pelas contas do governo, a meta é cumprida porque despesas como os precatórios ficam fora do cálculo.
O peso maior está nos juros. Nos 12 meses até agosto, o setor público gastou R$ 1,182 trilhão com juros, o equivalente a 8,86% do PIB. A dívida bruta, que era de 71,7% do PIB no fim de 2022, chegou a 82,9% em agosto. O governo projeta algo perto de 90% entre 2029 e 2030. No boletim Focus, o mercado prevê 95,1% em 2030.
O orçamento de 2027 precisará de ajuste de até R$ 39,9 bilhões para acomodar as novas medidas. A margem é estreita: cerca de 90% das despesas primárias da União são obrigatórias, e o Executivo controla só R$ 222,1 bilhões, que incluem o custeio da máquina e os investimentos. Aumentar a arrecadação também é difícil: a carga tributária bateu recorde em 2025, com 32,4% do PIB.
O Brasil tem reservas internacionais elevadas e dívida externa pequena, o que reduz o risco de uma crise de financiamento e dá algum tempo ao governo. Mas juros altos encarecem a dívida e freiam o investimento privado, e a projeção de crescimento para 2027 é de 1,32%.
As medidas que mais seguram o gasto, como desvincular e desindexar despesas, dependem do Congresso. Lula terá de negociar com uma Câmara em que o PL, de Flávio Bolsonaro, terá a maior bancada a partir de fevereiro, com 121 deputados.
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