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PF investiga fraudes com dinheiro das enchentes no RS e ex-prefeito de Lajeado é alvo da operação

Publicado 26/02/2026 • 08:32 | Atualizado há 1 hora

Reprodução/Instagram

Marcelo Caumo é ex-prefeito de Lajeado

A Polícia Federal avançou nesta quinta-feira (26) sobre um dos temas mais sensíveis da gestão pública recente: o uso de recursos emergenciais. A segunda fase da Operação Lamaçal mira suspeitas de desvio de verbas destinadas às vítimas das enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul, um caso que levanta questionamentos sobre a aplicação de dinheiro público em momentos de crise.

As investigações apuram o uso irregular de recursos do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS), repassados à Prefeitura de Lajeado para atender a população afetada pelas chuvas. A suspeita é de que parte desse dinheiro tenha sido direcionada de forma indevida por meio de licitações com indícios de fraude.

O ex-prefeito da cidade e ex-secretário estadual de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano Marcelo Caumo é um dos alvos da ação.

Prefeito de Lajeado entre 2017 e 2024, Marcelo Caumo já havia sido alvo da primeira fase da operação. De acordo com as investigações, os contratos investigados foram firmados no último ano de sua gestão municipal. Em abril de 2025, Caumo passou a integrar o secretariado do governo gaúcho, posto do qual se afastou após a ação da PF.

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Licitações sob suspeita e contratos acima do mercado

Segundo a Polícia Federal, a análise do material apreendido na primeira fase da operação, realizada em novembro de 2025, reforçou a hipótese de direcionamento de contratos públicos.

Os investigadores identificaram irregularidades em três licitações da Prefeitura de Lajeado, envolvendo empresas de um mesmo grupo econômico contratadas para prestar serviços de assistência social. Há indícios de que:

  • As propostas não seguiam o critério de melhor preço
  • Os contratos foram firmados com valores acima do mercado
  • Houve favorecimento de fornecedores específicos

Na prática, isso significa que recursos emergenciais, que deveriam ser usados para atender a população atingida pelas enchentes, podem ter sido redirecionados em contratos inflados, impactando diretamente a eficiência da resposta pública.

Para o mercado e para empresários, o caso acende um alerta recorrente: crises aumentam o fluxo de recursos e, sem controle, ampliam riscos de fraude, especialmente em processos emergenciais, que tendem a ser menos burocráticos.

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Mandados, prisões e bloqueio de bens

A operação mobilizou uma grande estrutura. Foram cumpridos:

  • 20 mandados de busca e apreensão
  • 2 mandados de prisão temporária
  • Bloqueio de ativos financeiros
  • Sequestro de veículos

As ações ocorreram em oito cidades gaúchas: Lajeado, Muçum, Encantado, Garibaldi, Salvador do Sul, Fazenda Vilanova, Novo Hamburgo e Porto Alegre.

Além disso, a Justiça determinou o afastamento cautelar de dois servidores públicos e a prisão temporária de outros dois investigados. Durante as diligências, foram apreendidos veículos, celulares, computadores e documentos, que agora serão analisados para aprofundar as apurações.

Os investigados podem responder por uma série de crimes, incluindo desvio de recursos públicos, fraude em licitações, corrupção ativa e passiva, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

O avanço da operação marca uma nova fase da investigação, com foco em mapear fluxos financeiros, identificar beneficiários e responsabilizar envolvidos.

Para além do caso específico, o episódio reforça um debate cada vez mais presente no ambiente econômico: transparência e governança no uso de recursos públicos, especialmente em momentos de emergência, deixaram de ser apenas um tema institucional e passaram a ser também uma questão de confiança para investidores e para a sociedade.

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