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Reforma tributária exige preparação de pequenas e médias empresas
Publicado 14/08/2026 • 14:10 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 14/08/2026 • 14:10 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Quase metade das pequenas e médias empresas ainda não iniciou uma análise estruturada dos impactos da reforma tributária. Entre os escritórios de contabilidade, 63% também não mapearam os efeitos das mudanças sobre suas carteiras de clientes. Os dados foram apresentados pelo economista Felipe Beraldi, da OMI, em entrevista ao Real Time.
O cenário ocorre às vésperas de decisões importantes para empresas enquadradas no Simples Nacional. Em setembro, elas deverão avaliar a permanência no modelo atual ou a adoção do chamado Simples híbrido, que prevê a segregação de determinados tributos. A escolha terá reflexos financeiros a partir de 2027, quando começa a implantação da CBS e do IBS.
Para Beraldi, o atraso na preparação reduz o tempo disponível para avaliar os diferentes cenários. “Nós estamos perto de algumas datas importantes”, afirmou. Segundo ele, deixar a decisão para a última hora pode levar empresas a escolherem um modelo sem uma análise adequada dos efeitos sobre o negócio.
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A definição entre permanecer no Simples tradicional ou adotar o modelo híbrido não deve considerar apenas a carga tributária. Na avaliação de Beraldi, as empresas precisam observar principalmente a estrutura de compras, o perfil dos clientes e a possibilidade de aproveitamento de créditos.
“Nós analisamos três pilares: fluxo financeiro, sensibilidade da carga tributária e complexidade operacional”, explicou.
O primeiro ponto envolve entender de quem a empresa compra e para quem vende. A relação com clientes empresariais pode ganhar importância porque companhias que compram de outras empresas tendem a considerar os créditos tributários associados às operações.
“O mais importante é entender tanto a pressão que você vai ter na sua cadeia produtiva do cliente que vai estar preocupado com o crédito tributário”, disse Beraldi.
Na avaliação do economista, empresas que atuam principalmente no mercado B2B podem ter maior interesse no regime híbrido. Já negócios voltados diretamente ao consumidor final tendem a permanecer mais próximos da estrutura atual do Simples.
“Provavelmente o Simples híbrido vai fazer sentido para as empresas B2B, para empresas que fazem parte da cadeia produtiva”, afirmou.
A decisão, porém, não depende apenas do comportamento dos clientes. A estrutura de fornecedores também poderá influenciar o resultado da mudança, principalmente pela possibilidade de geração e aproveitamento de créditos.
“Tem que pensar também na área de compras, que é onde está a oportunidade de se apropriar de créditos tributários na compra”, afirmou Beraldi. Por isso, segundo o economista, empresas precisarão avaliar quais fornecedores podem contribuir para a formação desses créditos e como isso afetará seus custos.
A análise ganha relevância porque a reforma não terá necessariamente o mesmo efeito sobre todos os setores. Mesmo com a previsão de manutenção da arrecadação global, a carga efetiva poderá se distribuir de maneira diferente entre as atividades econômicas.
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Siga o Times | CNBCSetores com maior capacidade de gerar créditos tendem, segundo Beraldi, a compensar parte da carga tributária. Já atividades com estruturas de compras menores podem ter menos possibilidades de compensação.
“Esses setores de serviços que estão muito expostos a negócios com outras empresas e com baixa oportunidade de se apropriar de crédito vão ter um alerta vermelho”, afirmou.
O estudo citado pelo economista identificou 26 segmentos, entre 76 analisados, com maior exposição às mudanças. Dentro desse grupo, dez são atividades de serviços consideradas mais vulneráveis à combinação entre forte atuação B2B e baixa geração de créditos.
O efeito poderá aparecer nas margens das empresas, exigindo revisão de preços, custos e estratégias comerciais durante a transição.
A preparação não se limita à escolha do regime tributário. As empresas também precisarão adaptar sistemas de gestão e emissão de notas fiscais às novas exigências.
De acordo com Beraldi, essa etapa pode representar uma dificuldade especialmente para negócios menores que ainda não possuem ferramentas capazes de organizar os dados necessários para a transição.
“Quem não tem ainda um sistema preparado para trazer visibilidade de dados para o empresário, para fazer emissão correta de notas fiscais, muito em breve vai ter um problema operacional”, afirmou.
A mudança também exigirá acompanhamento das novas regras de preenchimento dos documentos fiscais. A adaptação deverá ocorrer antes da entrada efetiva das novas regras de tributação. Para o economista, a tecnologia passa a ter um papel mais relevante na rotina das empresas. “Do ponto de vista de gestão, a tecnologia não é mais opcional”, disse.
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A reforma tributária será implementada gradualmente, mas algumas decisões precisam ser tomadas antes da entrada em vigor das novas regras. Para as empresas do Simples Nacional, isso significa avaliar o impacto do regime escolhido sobre clientes, fornecedores, preços, créditos e fluxo de caixa.
Beraldi afirma que a preparação ainda está abaixo do necessário. “A gente identifica que praticamente metade dos empreendedores ainda não começou uma análise estruturada da reforma tributária”, disse.
Para ele, o processo precisa combinar planejamento estratégico e ajustes operacionais. A recomendação é que empresários façam simulações com seus contadores antes de definir o regime, considerando as características específicas de cada negócio.
“A empresa vai estar no Simples e como que ela vai lidar com a CBS no primeiro semestre do ano que vem” é, segundo Beraldi, uma das questões estratégicas que precisarão ser respondidas durante a transição.
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