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Saída de estrangeiros e cenário macro pesam mais na bolsa do que balanços, avalia professor

Publicado 19/08/2026 • 13:45 | Atualizado há 54 minutos

KEY POINTS

  • A saída de capital estrangeiro da B3 já supera R$ 18 bilhões em agosto, segundo Marcelo Bassani.
  • O economista avalia que cenário fiscal, eleições e juros nos EUA pesam mais sobre a bolsa do que os resultados das empresas.
  • Mesmo companhias com bons balanços podem sofrer com a retirada de recursos, enquanto o varejo enfrenta pressão adicional de juros altos e inadimplência.

A saída de investidores estrangeiros e a piora do ambiente macroeconômico têm pesado mais sobre a bolsa brasileira do que os resultados recentes das empresas, avaliou Marcelo Bassani, economista, professor e sócio-fundador da Boa Brasil Capital, em entrevista ao Real Time, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo Bassani, a retirada de capital estrangeiro da B3 já supera R$ 18 bilhões em agosto e representa o maior fluxo de saída do ano.

“Os fatores macroeconômicos têm feito muito mais preço na bolsa do que propriamente os resultados dos últimos balanços das empresas”, afirmou.

Leia também: Rotação da curva de juros em julho: fechamento até 2028 e abertura a partir de 2029

Fiscal e eleições aumentam cautela

Na avaliação do economista, a situação fiscal brasileira e o início do período eleitoral aumentam a cautela dos investidores estrangeiros.

Bassani afirmou que, diante da indefinição sobre o ambiente político e econômico, parte deles prefere reduzir a exposição ao mercado brasileiro até que haja maior clareza.

“O estrangeiro olha isso e fala: ‘É melhor eu ficar de fora até eu ter um cenário do que realmente vai acontecer’”, disse.

Ele também destacou o peso do capital estrangeiro no volume negociado na B3, o que torna a bolsa brasileira mais sensível a movimentos de retirada de recursos.

Juros nos EUA pressionam emergentes

O ambiente externo também contribui para esse movimento, segundo Bassani.

Com juros elevados e incertezas sobre inflação e mercado de trabalho nos Estados Unidos, gestores globais podem reduzir posições em mercados emergentes e direcionar recursos para ativos americanos.

Para o economista, esse movimento ajuda a explicar por que o Brasil vem sentindo de forma mais intensa a saída de capital.

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Ele comparou o momento atual à sequência de quedas registrada em 2023, quando o Ibovespa acumulou 13 pregões consecutivos de baixa, também em um ambiente marcado por pressões macroeconômicas.

Bons balanços não impedem queda das ações

Bassani ressaltou que nem mesmo resultados empresariais acima das expectativas têm sido suficientes para sustentar as ações em alguns casos.

Ele citou o setor bancário como exemplo de companhias que divulgaram balanços fortes, mas ainda assim registraram queda das ações diante da retirada de capital estrangeiro.

“O investidor estrangeiro está retirando o capital do Brasil e aí não tem jeito, você acaba fazendo muito mais preço do que propriamente o balanço como um todo”, afirmou.

Varejo enfrenta pressão adicional

Entre os setores domésticos, Bassani apontou o varejo como um dos mais pressionados.

Segundo ele, juros elevados, margens mais apertadas e avanço da inadimplência dificultam tanto o consumo quanto a situação financeira das empresas do segmento.

Turbulência pode diminuir após eleições

Apesar do ambiente negativo, Bassani avalia que a turbulência pode perder força depois do período eleitoral.

“Eu vejo um cenário de muita turbulência, mas, passadas as eleições, eu acredito que as coisas possam se melhorar”, afirmou.

Para os investidores, ele recomendou cautela e atenção ao perfil de risco. Na avaliação do economista, a queda pode abrir oportunidades em empresas com boa geração de caixa, mas isso não significa que o momento seja adequado para todos os perfis.

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