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Dois servidores do Banco Central receberam propina de R$ 12 milhões do Master, segundo sindicância interna

Publicado 13/09/2026 • 18:10 | Atualizado há 36 minutos

KEY POINTS

  • Paulo Sérgio Neves teria recebido R$ 8 milhões em propina durante período como diretor de fiscalização do BC.
  • Belline Santana teria recebido cerca de R$ 4 milhões por meio de consultoria simulada para empresa ligada a Vorcaro.
  • Ambos os servidores estão afastados desde janeiro e respondem a processo administrativo na CGU.
Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária, e Bellini Santana, ex-chefe do mesmo departamento.

Montagem Ron Guimarães - Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC

Como Vorcaro comprou o Banco Central por dentro

O Banco Central encontrou indícios de que dois servidores do órgão receberam R$ 12 milhões em propinas do Banco Master. Segundo as investigações, os dois teriam simulado negócios com empresas ligadas a Daniel Vorcaro para ocultar a transferência de recursos ilícitos.

De acordo com a sindicância do BC, Paulo Sérgio Neves de Souza teria recebido R$ 8 milhões, inclusive durante o período em que foi diretor de fiscalização do órgão. Já Belline Santana, ex-chefe de supervisão bancária, teria recebido cerca de R$ 4 milhões. A informação é da GloboNews, em reportagem assinada pelo jornalista Thiago Resende.

Leia também: Quem é Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor do Banco Central preso no caso Master

Paulo Sérgio recebeu propina disfarçada de venda de imóvel

Os dois servidores foram chamados pelo BC para prestar esclarecimentos. Paulo Sérgio afirmou que a evolução patrimonial se deu pela venda de um sítio em Minas Gerais para a Pipe Participações, empresa de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Durante as investigações, o ex-diretor disse ainda que, após a venda do imóvel, ele, o irmão e Zettel teriam mantido negócios, como o arrendamento das mesmas terras vendidas ao cunhado de Vorcaro, o que justificaria o dinheiro recebido.

Segundo relatório do Banco Central, há fortes indícios de que o contrato de compra e venda celebrado entre Paulo Sérgio e a Pipe Participações constituiu artifício para dissimular o recebimento de propina. Para o BC, outros negócios entre Paulo Sérgio e Zettel também podem representar propina.

Leia também: ‘Belline cobrando, paga?’ ‘Claro’: as mensagens que mostram como Vorcaro comprou o Banco Central por dentro

Belline recebeu propina por consultoria simulada

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Belline, por sua vez, alegou que prestou serviços de consultoria para a empresa Varajo, cujo dono era Leonardo Palhares, apontado por investigadores como um dos operadores de Vorcaro. Inicialmente, os serviços eram prestados como pessoa física, e depois ele abriu a Inspiração Projetos Educacionais, empresa criada para receber os recursos.

No processo do BC, o servidor afirmou que o trabalho era voltado a um projeto de educação financeira para jovens da periferia. De acordo com a sindicância, os relatórios produzidos por Belline não eram robustos o suficiente para explicar o pagamento de R$ 4 milhões pelo serviço prestado. Segundo a comissão, os contratos entre Belline e a Varajo Consultoria constituíram simulação para ocultar o recebimento de recursos oriundos de pessoas com interesse em decisões do BC e no próprio servidor.

Servidores estão afastados desde janeiro

Segundo fonte do BC, ambos os servidores negaram à autarquia que sabiam da relação das empresas com Vorcaro e o Banco Master. Integrantes do BC ouvidos pela GloboNews disseram que as suspeitas começaram após colegas relatarem despesas de Paulo Sérgio e Belline acima da renda obtida na carreira pública, além de uma denúncia anônima que contribuiu para o processo.

A apuração interna foi feita com base na evolução patrimonial dos dois servidores, que cresceu bem mais do que a renda obtida no serviço público. Desde janeiro, Paulo Sérgio e Belline estão afastados dos cargos e sem acesso ao prédio e ao sistema do BC. Em março, foi aberto um processo administrativo na Controladoria-Geral da União (CGU), que pode decidir pela demissão dos dois.

O que dizem as defesas dos investigados

Ao fim da sindicância, o BC concluiu que as defesas e documentos apresentados pelos servidores eram insuficientes e recomendou a abertura do processo administrativo na CGU. As informações também foram encaminhadas à Polícia Federal, responsável pela investigação na esfera criminal.

Na sexta-feira (11), as defesas de Paulo Sérgio de Souza e Belline Santana afirmaram que os dois sempre atuaram dentro de suas atribuições no Banco Central e que os contatos com o Banco Master foram estritamente institucionais, sem qualquer interferência nas atividades de fiscalização.

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