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Dois servidores do Banco Central receberam propina de R$ 12 milhões do Master, segundo sindicância interna
Publicado 13/09/2026 • 18:10 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 13/09/2026 • 18:10 | Atualizado há 2 meses
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Montagem Ron Guimarães - Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC
Como Vorcaro comprou o Banco Central por dentro
O Banco Central encontrou indícios de que dois servidores do órgão receberam R$ 12 milhões em propinas do Banco Master. Segundo as investigações, os dois teriam simulado negócios com empresas ligadas a Daniel Vorcaro para ocultar a transferência de recursos ilícitos.
De acordo com a sindicância do BC, Paulo Sérgio Neves de Souza teria recebido R$ 8 milhões, inclusive durante o período em que foi diretor de fiscalização do órgão. Já Belline Santana, ex-chefe de supervisão bancária, teria recebido cerca de R$ 4 milhões. A informação é da GloboNews, em reportagem assinada pelo jornalista Thiago Resende.
Leia também: Quem é Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor do Banco Central preso no caso Master
Os dois servidores foram chamados pelo BC para prestar esclarecimentos. Paulo Sérgio afirmou que a evolução patrimonial se deu pela venda de um sítio em Minas Gerais para a Pipe Participações, empresa de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Durante as investigações, o ex-diretor disse ainda que, após a venda do imóvel, ele, o irmão e Zettel teriam mantido negócios, como o arrendamento das mesmas terras vendidas ao cunhado de Vorcaro, o que justificaria o dinheiro recebido.
Segundo relatório do Banco Central, há fortes indícios de que o contrato de compra e venda celebrado entre Paulo Sérgio e a Pipe Participações constituiu artifício para dissimular o recebimento de propina. Para o BC, outros negócios entre Paulo Sérgio e Zettel também podem representar propina.
Leia também: ‘Belline cobrando, paga?’ ‘Claro’: as mensagens que mostram como Vorcaro comprou o Banco Central por dentro
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Siga o Times | CNBCBelline, por sua vez, alegou que prestou serviços de consultoria para a empresa Varajo, cujo dono era Leonardo Palhares, apontado por investigadores como um dos operadores de Vorcaro. Inicialmente, os serviços eram prestados como pessoa física, e depois ele abriu a Inspiração Projetos Educacionais, empresa criada para receber os recursos.
No processo do BC, o servidor afirmou que o trabalho era voltado a um projeto de educação financeira para jovens da periferia. De acordo com a sindicância, os relatórios produzidos por Belline não eram robustos o suficiente para explicar o pagamento de R$ 4 milhões pelo serviço prestado. Segundo a comissão, os contratos entre Belline e a Varajo Consultoria constituíram simulação para ocultar o recebimento de recursos oriundos de pessoas com interesse em decisões do BC e no próprio servidor.
Segundo fonte do BC, ambos os servidores negaram à autarquia que sabiam da relação das empresas com Vorcaro e o Banco Master. Integrantes do BC ouvidos pela GloboNews disseram que as suspeitas começaram após colegas relatarem despesas de Paulo Sérgio e Belline acima da renda obtida na carreira pública, além de uma denúncia anônima que contribuiu para o processo.
A apuração interna foi feita com base na evolução patrimonial dos dois servidores, que cresceu bem mais do que a renda obtida no serviço público. Desde janeiro, Paulo Sérgio e Belline estão afastados dos cargos e sem acesso ao prédio e ao sistema do BC. Em março, foi aberto um processo administrativo na Controladoria-Geral da União (CGU), que pode decidir pela demissão dos dois.
Ao fim da sindicância, o BC concluiu que as defesas e documentos apresentados pelos servidores eram insuficientes e recomendou a abertura do processo administrativo na CGU. As informações também foram encaminhadas à Polícia Federal, responsável pela investigação na esfera criminal.
Na sexta-feira (11), as defesas de Paulo Sérgio de Souza e Belline Santana afirmaram que os dois sempre atuaram dentro de suas atribuições no Banco Central e que os contatos com o Banco Master foram estritamente institucionais, sem qualquer interferência nas atividades de fiscalização.
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