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Tesouro IPCA+ pode sofrer nova virada após eleição, alerta Fernanda Rocha

Publicado 19/10/2026 • 20:20 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Oscilação das taxas de juros pode provocar fortes mudanças no preço dos títulos IPCA+ com vencimentos distantes, explicou Fernanda Rocha
  • Assessora considera a venda parcial uma forma de reduzir riscos, especialmente quando os papéis representam parcela elevada do patrimônio.
  • Resultado do segundo turno pode provocar ajuste imediato na abertura do mercado, enquanto investidores acompanham perspectivas para as contas públicas.

Os títulos públicos atrelados à inflação podem registrar uma nova mudança brusca de preços após o segundo turno das eleições, avaliou Fernanda Rocha, notável do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, em sua participação nesta segunda-feira (19) na programação do canal. Segundo ela, a oscilação das taxas de juros exige atenção especial de quem mantém aplicações com vencimento em 2040, 2050 ou 2060.

“Quando abrir na segunda-feira, já abre com um gap de correção. A gente não tem mais tempo de fazer nada”, afirmou Fernanda, ao explicar que a reação ao resultado eleitoral pode ser incorporada aos preços antes mesmo de o investidor conseguir negociar seus papéis.

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A assessora explicou que o rendimento exigido pelo mercado ao longo da curva passou de patamares próximos de 14% para a região de 12,3% a 12,4%, antes de voltar a se aproximar de 13%. Embora as variações pareçam pequenas, o efeito sobre o valor de títulos de prazo muito longo pode ser expressivo.

“O aumento da taxa de juros longa é a confiança que está baixando e aí o seu título deprecia. Agora, a confiança está alta, a taxa cai e o seu título valoriza”, explicou Fernanda. A especialista relacionou os movimentos à percepção de risco dos investidores em relação à dívida pública.

Quando vender ou manter

Para decidir entre vender e manter o Tesouro IPCA+, Fernanda disse que é necessário considerar o objetivo original da aplicação e o peso do ativo no patrimônio. Uma posição muito concentrada pode justificar a redução da exposição, sobretudo se o investidor não estiver preparado para carregar o título até o vencimento.

“Se ele está com uma exposição muito grande para o patrimônio dele, então, com certeza, é um bom momento de reduzir essa posição”, afirmou. Ela ressaltou que a valorização recente abriu uma oportunidade de saída que pode não voltar tão cedo se houver nova elevação do prêmio de risco.

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Fernanda contou que, na semana passada, reduziu parte das posições de clientes em títulos de longo prazo e também ajustou outros ativos das carteiras. Para ela, a decisão não representa uma aposta contra determinado resultado eleitoral, mas uma medida de gestão de risco.

“Essa venda não é que a gente está torcendo contra, a gente está melhorando a gestão de risco da carteira”, disse. Para quem ainda não investiu, a assessora considera que as taxas elevadas podem oferecer oportunidades de acumulação patrimonial com horizonte de aposentadoria.

Risco fiscal no radar

A entrevistada também chamou atenção para o cenário fiscal. Em sua avaliação, a melhora sustentada da percepção de risco dependerá de medidas capazes de reduzir a pressão sobre as contas públicas, independentemente das expectativas atualmente refletidas nos preços.

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Fernanda citou um déficit nominal brasileiro superior a 9% e próximo de R$ 1,3 trilhão ao ano, segundo os números apresentados por ela na entrevista. A assessora argumentou que uma eventual mudança de governo precisaria vir acompanhada de ações concretas na área fiscal para sustentar a redução das taxas de longo prazo.

“Se o novo governo não entrar com medidas até um tanto radicais, que melhorem pelo menos em torno de 1,5% do nosso nível de gastos, a gente não vai conseguir que essa perspectiva realmente se concretize no positivo”, avaliou.

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