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TIMES | CNBC LAWINFRA: Summit em Brasília aponta gargalos em data centers, transmissão e baterias, diz Sérgio Leverdi sobre balanço do evento

Publicado 24/09/2026 • 17:20 | Atualizado há 13 minutos

KEY POINTS

  • LAWINFRA SUMMIT Brasília 2026 reuniu mais de 200 participantes e aproximou Judiciário, reguladores, operadores e investidores do setor elétrico.
  • Balanço do evento identificou três frentes: expansão dos data centers, acesso à rede de transmissão e regulamentação do armazenamento de energia.
  • CEO da LAWINFRA diz que segurança jurídica e definição clara de competências são essenciais para evitar atrasos e afastamento de investidores

O LAWINFRA SUMMIT Brasília 2026 encerrou dois dias de debates com o diagnóstico de que data centers, novos projetos de geração de energia e sistemas de armazenamento avançam mais rápido do que parte da infraestrutura e das regras necessárias para atendê-los.

No TIMES | CNBC LAWINFRA, quadro do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC dedicado aos principais debates sobre infraestrutura, investimentos e segurança jurídica, Sérgio Leverdi, CEO e fundador da LAWINFRA, fez um balanço do encontro realizado na semana passada em Brasília.

Segundo Leverdi, o evento conseguiu reunir em um mesmo ambiente os principais agentes envolvidos nas decisões sobre o setor elétrico.

“Nós conseguimos colocar no mesmo local, ao mesmo tempo, quem decide, quem opera, quem regula e quem investe no setor elétrico brasileiro”, afirmou.

O LAWINFRA SUMMIT Brasília 2026 reuniu mais de 200 participantes, entre integrantes do Poder Judiciário, Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Ministério de Minas e Energia, empresas, associações e especialistas.

Na avaliação de Leverdi, o principal resultado foi a aproximação institucional entre agentes que participam de etapas diferentes dos mesmos projetos.

“Houve um diálogo durante dois dias, mais de 200 pessoas participando, em cima desses três eixos: data center, acesso à rede, quer dizer, transmissão, e armazenamento”, disse.

Leia também: LAWINFRA SUMMIT: Risco institucional é maior que o tecnológico no armazenamento de energia, diz juiz federal Antônio Cláudio Macedo da Silva

Data centers expõem descompasso entre carga e rede

Entre os principais diagnósticos do encontro, Leverdi destacou o avanço dos data centers e o impacto desses projetos sobre o sistema elétrico.

“O diagnóstico é que a carga está chegando primeiro do que a rede”, afirmou.

Segundo ele, a escolha do local onde um data center será instalado cabe ao investidor privado, que considera fatores como terreno, incentivo fiscal e disponibilidade de fibra óptica.

O problema aparece quando a rede elétrica necessária para atender o empreendimento ainda não existe.

“Para que a rede chegue lá, o custo disso é socializado, ele é público, ele vai para a tarifa”, disse.

Leverdi afirmou que o setor vê a chegada desses investimentos como positiva, mas considera necessário discutir quem deve arcar com os custos da infraestrutura adicional.

“Nós queremos essa carga, ela é importante, mas o debate foi sobre a socialização desse encargo, desse custo”, afirmou.

Transmissão foi apontada como eixo principal

O acesso à rede atravessou grande parte das discussões realizadas durante o LAWINFRA SUMMIT Brasília 2026.

Para Leverdi, a transmissão funciona como o elemento que conecta os principais desafios discutidos no evento.

“A nossa rede de transmissão é a espinha dorsal de todo esse debate”, afirmou.

Segundo ele, o Brasil já possui uma estrutura extensa de transmissão, comparável em dimensão à existente na Europa, o que exige planejamento antes de qualquer expansão.

“Nós não podemos simplesmente sair construindo redes se a carga decidir mudar de lugar. O que nós vamos fazer com essa rede?”, questionou.

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Na avaliação do executivo, o balanço das discussões reforçou novamente o mesmo ponto: a chegada de novas cargas está ocorrendo antes da expansão necessária da infraestrutura.

Armazenamento entra em nova fase

Outro tema central do encontro foi o armazenamento de energia, especialmente diante da preparação do primeiro leilão brasileiro dedicado a baterias.

Segundo Leverdi, a discussão mostrou que ainda há questões regulatórias importantes a serem definidas.

“Nós precisamos entender a natureza jurídica desse ativo, se ele vai ser um ativo de transmissão, se ele vai ser um ativo de geração de energia, porque isso define os encargos, onde eles vão ser posicionados”, afirmou.

O CEO da LAWINFRA destacou ainda uma particularidade dos contratos envolvendo baterias: a possibilidade de deterioração física ou superação tecnológica ao longo de contratos de longa duração.

Para ele, esse risco precisa ser considerado no desenho regulatório dos projetos.

Aproximação com Judiciário foi um dos avanços

Leverdi também apontou a participação do Poder Judiciário como um dos principais resultados institucionais do evento.

Durante os debates, magistrados discutiram os limites da atuação judicial diante de decisões regulatórias e a necessidade de maior conhecimento técnico sobre o funcionamento do setor elétrico.

Segundo Leverdi, a sinalização foi de respeito às atribuições dos reguladores.

“Eles trouxeram tranquilidade para o mercado dizendo que vão, sim, defender a legalidade, vão defender a isonomia entre os agentes, mas não vão se intrometer naquilo que cabe ao regulador”, afirmou.

Para o executivo, o diálogo entre Judiciário, reguladores e empresas pode contribuir para reduzir conflitos e aumentar a previsibilidade dos investimentos.

Leia também: LAWINFRA SUMMIT: Brasil precisa de previsibilidade e segurança jurídica para atrair investimentos em energia, diz advogado Pedro Dante, do Lefosse Advogados

Segurança jurídica encerra balanço do encontro

O balanço do LAWINFRA SUMMIT Brasília 2026 também apontou a segurança jurídica como uma preocupação transversal aos diferentes temas discutidos.

Segundo Leverdi, o setor elétrico brasileiro não sofre de falta de regras. O desafio está em coordenar a atuação de diferentes instituições que possuem competências próximas.

“Nós temos excesso de regra, mas nós agora precisamos tratar de como que nós vamos colocar isso na prática”, afirmou.

Ele citou Ministério de Minas e Energia, ONS, ANEEL, Poder Judiciário e Tribunal de Contas entre os órgãos que participam de decisões relacionadas ao setor.

Para Leverdi, a clareza sobre o papel de cada instituição é fundamental para evitar paralisações.

“Essa confusão pode provocar paralisação dos processos de investimento, e tempo inibe o investimento, tempo afasta o investidor internacional”, disse.

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