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Vorcaro disse que grupo de Jaques Wagner recebia R$ 3 milhões por mês em propina

Publicado 25/09/2026 • 21:37 | Atualizado há 19 minutos

KEY POINTS

  • Vorcaro afirmou que o grupo político de Jaques Wagner recebia R$ 3 milhões mensais, mas disse não ter presenciado o suposto acerto.
  • A proposta de colaboração premiada foi rejeitada pela Polícia Federal e pela PGR por falta de elementos considerados suficientes para corroborar as acusações.
  • Documentos apresentados confirmam contratos e participações societárias citados pelo ex-banqueiro, mas não comprovam que Wagner tenha recebido os valores.
Jaques Wagner

Arte/ Times Brasil

Daniel Vorcaro afirmou, em uma proposta de colaboração premiada, que o grupo político do senador Jaques Wagner (PT-BA) recebia cerca de R$ 3 milhões por mês em supostas vantagens indevidas relacionadas à operação do Credcesta, cartão de crédito consignado voltado a servidores públicos da Bahia. O fundador do Banco Master disse, porém, que não presenciou o suposto acerto e que tomou conhecimento dele por meio de seu ex-sócio Augusto Lima, que nega a acusação.

Segundo a versão apresentada por Vorcaro, aproximadamente R$ 2 milhões mensais passariam por um contrato entre o Banco Master e a PKL One, empresa que detinha os direitos de exploração do Credcesta. Outros R$ 1 milhão por mês teriam sido pagos em espécie. Ele também citou distribuição de lucros, contratos que classificou como fictícios e participações societárias como outras possíveis formas de repasse. As informações foram reveladas nesta sexta-feira (25) pela coluna de Natália Portinari, do UOL.

A proposta de colaboração, no entanto, não foi aceita. A Polícia Federal interrompeu as tratativas em duas ocasiões, e a Procuradoria-Geral da República avaliou que não havia elementos suficientes de corroboração para celebrar o acordo.

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Contrato previa cerca de R$ 2 milhões por mês

O Banco Master fechou uma parceria envolvendo o Credcesta em 2018 e, segundo os documentos descritos na proposta, pagou R$ 30 milhões pelo acordo e acertou a divisão de parte dos resultados da operação.

Um dos contratos previa pagamentos mensais de aproximadamente R$ 2 milhões, classificados formalmente como despesas operacionais. Vorcaro afirmou que esses recursos seriam posteriormente utilizados para pagamentos a integrantes do grupo político por meio de contratos de consultoria e outras operações.

O documento contratual confirma a existência da obrigação financeira, mas não identifica Wagner ou qualquer outro político como destinatário dos R$ 2 milhões e, sozinho, não demonstra que os recursos tenham sido usados para pagamento de propina.

Vorcaro atribuiu a Augusto Lima a informação de que políticos baianos teriam recebido participação na estrutura da PKL em razão da operação do Credcesta. Lima nega ter feito esse relato e classifica as acusações como falsas.

Vorcaro também relata pagamentos em espécie

O ex-banqueiro afirmou ainda que, após mudanças na estrutura societária ligada à PKL, teria sido estabelecido um pagamento de R$ 1 milhão por mês em dinheiro vivo a Guilherme Henrique Sodré Martins, conhecido como Guiga e descrito por Vorcaro como uma pessoa de confiança de Wagner.

Segundo o relato, os pagamentos teriam continuado até a liquidação do Banco Master, em novembro de 2025. A proposta não informa quando essa parcela teria começado a ser paga nem apresenta uma relação completa com datas e destinatários.

Vorcaro disse que empresas e correspondentes bancários seriam utilizados para gerar os recursos em espécie. Entre as companhias citadas estão Blue Pay e The Pay. O relato descreve um circuito no qual valores chegariam a pessoas próximas de Augusto Lima, mas não apresenta prova de que o dinheiro tenha sido entregue a Wagner.

Estrutura da PKL tinha pessoa ligada a Wagner

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Documentos sobre a estrutura de fundos que participavam indiretamente da PKL mostram que Guilherme Sodré deteve 22,45% do fundo Gardênia até o fim de 2018. Os registros confirmam a participação de Sodré, mas não demonstram que ele mantivesse essa fatia em nome de Wagner, como afirmou Vorcaro.

A proposta também menciona um contrato envolvendo uma filha do senador e uma empresa no exterior ligada ao empresário João Carlos Falbo Mansur.

Credcesta entrou no negócio após privatização da Ebal

A operação também envolve a antiga Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), estatal que detinha o Credcesta e foi privatizada.

A empresa foi arrematada pela NGV Empreendimentos por R$ 15 milhões. Vorcaro afirmou que Augusto Lima seria o controlador de fato da companhia vencedora e sustentou que o processo teria sido direcionado.

Posteriormente, os direitos de exploração do Credcesta passaram para a PKL One. A Polícia Federal apura suspeitas relacionadas ao processo de privatização.

Relato cita Rui Costa

Na proposta, Vorcaro usa a expressão “grupo de Jaques Wagner e Rui Costa” ao descrever as supostas vantagens indevidas. As formas de pagamento descritas no documento são relacionadas principalmente a pessoas que Vorcaro associa a Wagner.

Não é apontado no relato um ato específico de Wagner que teria servido como contrapartida aos supostos pagamentos.

Leia também: Relatório da PF liga Jaques Wagner a vantagens do Banco Master

Defesas negam acusações

A defesa de Jaques Wagner afirmou que as declarações são falsas e oportunistas e disse que o senador não tem relação com a PKL One nem conhecimento de contratos fictícios envolvendo a empresa. Também afirmou que Wagner nunca manteve vínculo com Vorcaro ou atuou em favor dos interesses do Banco Master.

Augusto Lima classificou a narrativa como falsa e negou que Wagner ou Rui Costa tenham praticado qualquer ato em seu benefício ou em benefício do Master. Sua defesa também afirmou que os serviços previstos no contrato entre PKL e Banco Master foram efetivamente prestados.

Já a defesa de Vorcaro repudiou a divulgação de materiais que seriam relacionados às negociações da colaboração premiada e afirmou que não reconhece a autenticidade e a integridade do conteúdo divulgado. Segundo os advogados, a proposta preliminar havia sido compartilhada com um grupo restrito de autoridades e estava submetida a dever de confidencialidade.

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