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Judiciário

Relatório da PF liga Jaques Wagner a vantagens do Banco Master

Publicado 12/09/2026 • 09:44 | Atualizado há 38 minutos

KEY POINTS

  • PF aponta apartamento de R$ 2,45 milhões e R$ 3,5 milhões em transferências a Wagner
  • Wagner teria repassado atualizações sobre a emenda Master a Ciro Nogueira, diz relatório
  • Defesa de Wagner nega negócios com o Master e contesta as onze hipóteses de ilegalidade
Jaques Wagner

Nesta sexta-feira (11), o ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal, retirou o sigilo de todos os processos relativos ao que descreve como a maior fraude bancária da história do país. Entre os documentos liberados estão os que tratam da extensão da influência do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, sobre autoridades dos três Poderes, incluindo o senador Jaques Wagner (PT-BA).

Segundo relatório da Polícia Federal referente a maio deste ano, diálogos entre o ex-sócio do Banco Master Augusto Ferreira Lima e Wagner, então líder do governo no Senado, reúnem indícios da prática de corrupção ativa e passiva e lavagem de ativos. À época das mensagens, o parlamentar já havia sido alvo de busca e apreensão da PF, e suspeitas sobre vantagens financeiras recebidas do empresário levaram Wagner a anunciar, em junho, seu afastamento da função de representação do Palácio do Planalto.

Leia também: PF liga Vorcaro a estrutura financeira usada por investigados do PCC

PF aponta vantagens indevidas a Wagner

De acordo com a PF, entre 2023 e 2025 Wagner, diretamente ou por meio do enteado, Eduardo Sodre, solicitou e recebeu vantagens indevidas de Augusto Lima. Entre elas estariam um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões e transferências que somariam ao menos R$ 3,5 milhões, além de outros benefícios, segundo a análise dos investigadores.

Um dos indícios citados no relatório é a compra de um apartamento na planta em condomínio de bairro nobre de Salvador (BA), atribuída ao enteado do senador.

Wagner e a emenda Master

Ainda segundo a PF, outro indício de envolvimento do parlamentar está no padrão recorrente de atualizações que Augusto Lima enviava a Wagner sobre a chamada emenda Master, apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) para alterar a Proposta de Emenda à Constituição que trataria da autonomia financeira e orçamentária do Banco Central. Nogueira propôs elevar o valor máximo de investimentos cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, categoria em que se enquadrava grande parte dos títulos oferecidos pelo Master.

Em 25 de agosto de 2024, Wagner gravou um áudio para Augusto Lima pedindo para conversar sobre como estavam as coisas do banco, o que a PF avalia como referência direta ao Master. Dois dias depois, em sequência ao que os investigadores acreditam ter sido uma reunião presencial entre os dois, o empresário enviou ao senador a emenda de Ciro Nogueira.

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O relatório também menciona que Vorcaro, em contato com um jornalista, disse que os então ministros Alexandre Silveira (Minas e Energia) e Rui Costa (Casa Civil, hoje candidato ao Senado pelo PT na Bahia), além do próprio Wagner, seriam favoráveis à ampliação do limite do FGC, na contramão do ministro Fernando Haddad, da Fazenda.

O relatório aponta ainda um padrão de envio de notícias sobre o Banco Master de Augusto Lima a Wagner, entre elas informações sobre mudanças na estrutura acionária do grupo, elevação do rating da instituição pela agência Fitch, aprovação pelo BRB da aquisição do controle acionário do Master e o andamento de pedidos para a instalação de uma CPI sobre o banco no Senado.

Segundo os investigadores, Vorcaro teria atribuído ao senador um posicionamento favorável à aquisição do Banco Master pelo BRB, operação de natureza regulatória sujeita a critérios técnicos do Banco Central, o que sugeriria, na leitura da PF, possível alinhamento político entre os interlocutores.

Defesa de Wagner contesta acusações

Procurada, a defesa de Jaques Wagner afirmou que apresentou petição ao gabinete do ministro André Mendonça em 30 de junho contestando, com dados e fatos, as onze hipóteses de ilegalidade produzidas no inquérito da Polícia Federal, ao qual os advogados do senador tiveram acesso parcial apenas seis dias antes.

A defesa reiterou que Wagner nunca teve negócios com o Banco Master, nunca atuou como intermediário de interesses da instituição e nunca votou a favor de projetos que pudessem beneficiá-la, e afirmou que sua atuação sempre foi contrária aos interesses do banco. A defesa também classificou como estranho que o levantamento de sigilo contemple, até o momento, apenas a interpretação da polícia, permanecendo a versão do senador desconhecida da sociedade.

Depois da eclosão do escândalo e da liquidação do Banco Master, o Fundo Garantidor de Créditos desembolsou, só no primeiro semestre deste ano, R$ 40,2 bilhões a investidores e clientes de instituições ligadas ao banco.

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