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Mendonça determinou bloqueio de até R$ 5,95 milhões em investigação sobre Jaques Wagner

Publicado 12/09/2026 • 15:23 | Atualizado há 1 hora

Senador Jaques Wagner durante discurso no plenário do Senado Federal

Carlos Moura/Agência Senado

O senador Jaques Wagner (PT-BA) durante sessão no plenário do Senado; ele é investigado pela Polícia Federal em apuração sobre supostas vantagens ligadas ao Banco Master.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de até R$ 5,95 milhões em bens e valores no âmbito da investigação que apura a relação do senador Jaques Wagner (PT-BA) com gestores ligados ao Banco Master.

O valor é o limite global da medida para um grupo de 16 investigados e não corresponde exclusivamente ao patrimônio de Wagner. A ordem consta da Petição 16.230, que teve o sigilo retirado e integra os desdobramentos da Operação Compliance Zero.

Entre as medidas relacionadas ao senador, Mendonça tornou indisponível um apartamento de alto padrão no empreendimento Poème Horto, em Salvador, avaliado em aproximadamente R$ 2,45 milhões e apontado pela PF como destinado a Wagner. A restrição alcança também eventuais direitos de aquisição, cessões, promessas de compra e venda e outros direitos econômicos vinculados ao imóvel.

A Polícia Federal investiga se Wagner teria recebido vantagens econômicas, direta ou indiretamente, de pessoas ligadas ao Master. A apuração também analisa uma transferência de R$ 3,5 milhões feita pela PKL One Participações à BN Financeira, empresa associada ao núcleo familiar do parlamentar. A PF aponta ainda possível atuação de Wagner em temas de interesse do banco.

Leia também: PF mira apartamento de R$ 2,5 milhões e repasse de R$ 3,5 milhões ligados a Jaques Wagner

Apartamento de R$ 2,45 milhões

Segundo a investigação, Wagner encaminhou a Augusto Ferreira Lima, gestor ligado ao Banco Master, informações sobre o apartamento 1702 do Poème Horto, incluindo o contato do corretor, a unidade e o preço de R$ 2,45 milhões.

A compra formal teria sido feita pela Epítome S.A., com recursos provenientes de estruturas de fundos vinculadas ao grupo investigado. Para a PF, a operação apresenta indícios de uso de terceiros para ocultar o beneficiário final do imóvel.

Meses depois, Wagner encaminhou a Augusto mensagens atribuídas a um filho ou filha pedindo dados do proprietário formal do apartamento para a emissão de documentação necessária a alterações no imóvel. Para Mendonça, esses elementos dão plausibilidade à hipótese investigativa de que a propriedade estava formalmente vinculada a terceiro.

Repasse de R$ 3,5 milhões à BN Financeira

Outro eixo da investigação envolve pagamentos à BN Financeira, empresa associada ao núcleo familiar de Wagner.

A PF identificou uma transferência de R$ 3,5 milhões feita em outubro de 2025 pela PKL One Participações à BN Financeira. Segundo a decisão, a PKL One é vinculada ao núcleo de Augusto Ferreira Lima e era dirigida por Andréa Lima Novaes.

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A investigação também encontrou planilhas com registros de pagamentos superiores a R$ 2,34 milhões a uma pessoa identificada como “Dudu”, que, segundo a PF, seria Eduardo Mendonça Sodré Martins, enteado de Wagner e ligado à BN Financeira.

PF cita aviões, ingressos e atuação no Senado

Além do apartamento e dos repasses financeiros, a PF cita outros benefícios que teriam sido oferecidos ao senador, como o uso gratuito de aeronaves vinculadas a Augusto Lima ou ao Banco Master e ingressos de alto valor para shows no exterior.

Em um dos episódios descritos nos autos, Augusto teria colocado uma aeronave particular à disposição de Wagner e de familiares para um deslocamento entre Salvador e a chamada Ilha da Paixão. Em outro caso, ingressos para um show em Los Angeles teriam sido comprados pela Reag Investimentos por R$ 63,3 mil para familiares do senador.

A PF também investiga se Wagner atuou em temas de interesse do Master no Senado. Entre os assuntos citados estão mudanças relacionadas ao crédito consignado, discussões sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e iniciativas de fiscalização da tentativa de compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB).

As três frentes de atuação parlamentar citadas pela Polícia Federal já haviam aparecido na investigação sobre Wagner e o Banco Master.

Defesa nega recebimento de vantagens

A defesa de Wagner nega que o senador tenha recebido vantagens econômicas de gestores do Banco Master e afirma que nem o apartamento nem os R$ 3,5 milhões pertencem ao parlamentar.

Sobre o imóvel, os advogados sustentam que a unidade pertence à Epítome S.A. e que não houve transferência formal para Wagner.

“Não há registro (porque inexistente!) de transferência da unidade ao nome do Agravante, nem aquisição por ele formalizada”, afirmou a defesa em manifestação enviada a Mendonça.

Em relação aos R$ 3,5 milhões, os advogados destacaram que a transferência ocorreu entre a PKL One Participações e a BN Financeira e que a PKL One não pertence ao senador. Segundo a defesa, não houve movimentação financeira com origem ou destino no patrimônio de Wagner.

Os advogados também negaram atuação do parlamentar no Senado em benefício do Master. Sobre a proposta relacionada ao crédito consignado, sustentaram que a medida tinha caráter de proteção ao consumidor e não produziu resultado legislativo favorável ao banco.

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