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“Vou ter que pedir uma RJ”: Roberto Justus cobrou Vorcaro por aporte em empresa da qual é sócio

Publicado 01/10/2026 • 20:30 | Atualizado há 60 minutos

KEY POINTS

  • Roberto Justus cobrou Daniel Vorcaro pela conversão de um aporte feito na SteelCorp e afirmou que, se o valor continuasse registrado como dívida, a empresa poderia ter de pedir recuperação judicial.
  • Dias depois, os dois discutiram a conversão de R$ 143 milhões em notas comerciais em uma participação de 30% e a recompra dessa fatia por R$ 130 milhões.
  • Em outra mensagem, Justus disse que a SteelCorp enfrentava “patrimônio negativo”, dificuldades para honrar compromissos financeiros e necessidade de levantar novos recursos.

O empresário Roberto Justus afirmou a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, que a SteelCorp, empresa da qual é sócio, poderia ter de recorrer à recuperação judicial caso um investimento feito pelo ex-banqueiro continuasse aparecendo como dívida no balanço da companhia.

A cobrança ocorreu em 1º de setembro de 2025, depois de meses de discussões sobre a conversão do aporte em participação societária. “Se essa dívida continuar em meu balanço vou ter que pedir uma RJ e daí você vai perder todo o investimento. Vale a pena?”, escreveu Justus. As mensagens de WhatsApp foram reveladas pelo Poder360.

Na mesma mensagem, Justus afirmou que precisava tratar da “sobrevivência” da empresa e reclamou da dificuldade para conseguir uma conversa com Vorcaro.

“Nunca na minha vida fiquei tão decepcionado com alguém. O que custa me receber por 1 horinha para resolvermos esse assunto? Entendo as suas prioridades e preocupações mas preciso tratar da sobrevivência de minha empresa”, escreveu.

Vorcaro respondeu que havia realizado os aportes combinados e atribuiu a demora na conversão a obstáculos relacionados à estrutura da operação.

“Eu estive presente e cumpri a duras penas tudo que combinamos dos aportes. Com relação a conversão da dívida, estou tentando realizar com nosso amigo, desde o dia que falamos. Existem entraves técnicos e jurídicos que nao possibilitaram a conclusão”, afirmou.

O fundador do Master acrescentou que tentaria tratar novamente do assunto com a gestora responsável.

Recompra por R$ 130 milhões

No dia seguinte, a conversa passou a se concentrar em uma possível saída de Vorcaro do investimento.

Justus propôs assumir o pagamento de R$ 130 milhões em prazo máximo de cinco anos, com um mecanismo de cash sweep ligado às suas vendas secundárias.

“Assumo o pagamento dos 130MM em prazo máximo de 5 anos. Fazemos um cash-sweep para pagamentos pari-passu com as minhas vendas secundárias. Com certeza liquidaremos tudo bem antes do prazo máximo”, escreveu.

Vorcaro respondeu que precisava de “um fluxo minimo garantido” e sugeriu a possibilidade de dividir o pagamento em 60 parcelas, também com cash sweep.

Em outro trecho, Justus perguntou: “Mas o cotista do fundo não é você?”. Vorcaro respondeu: “Sim, mas pra ser um true sale tem que ter um fluxo”.

Dois dias depois, Justus enviou uma proposta mais detalhada. O valor continuava em R$ 130 milhões, com prazo inicialmente indicado de cinco anos e correção pelo IPCA.

A estrutura previa pagamentos anuais de R$ 6,5 milhões no primeiro ano, R$ 13 milhões no segundo, R$ 19,5 milhões no terceiro e R$ 26 milhões no quarto. Outros R$ 65 milhões, ou o saldo remanescente após eventuais antecipações, seriam pagos ao final do quinto ano.

Justus escreveu que a ideia era permitir que Vorcaro deixasse de ter exposição ao equity da SteelCorp e passasse a ter um instrumento de renda fixa, com pagamentos parcelados.

Mais tarde naquele mesmo dia, o empresário apresentou uma nova distribuição dos pagamentos e disse que reduziria em um ano o período para resolver a operação.

Na sequência, Justus resumiu a estrutura que pretendia transformar em contratos: havia R$ 143 milhões em notas comerciais, que seriam convertidas em uma participação de 30% e, no mesmo ato, as cotas seriam recompradas por R$ 130 milhões.

“As notas comerciais estão em 143MM. Vamos converter elas pelos 30% e no mesmo ato comprar as quotas por 130MM nas condições que acordamos. Vou rodar os contratos para assinarmos no início da semana que vem. Ok?”, escreveu.

Vorcaro respondeu: “Ok”.

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As conversas divulgadas não permitem concluir que todas as etapas da conversão e da recompra tenham sido efetivamente concluídas.
SteelCorp tinha “patrimônio negativo”, disse Justus.

A situação financeira da SteelCorp voltou a ser tema de mensagens em 11 de setembro.

Justus disse a Vorcaro que, após analisar a negociação com seus parceiros financeiros e os da companhia, percebeu que o modelo acertado inicialmente seria difícil de executar.

Segundo o empresário, a SteelCorp enfrentava dificuldades para cumprir obrigações e buscar novos recursos.

“A companhia, no atual estágio, é incapaz de honrar compromissos financeiros passados ou de obter novos financiamentos”, escreveu.

Justus afirmou ainda que o passivo elevado e receitas que ainda não haviam se materializado criavam uma situação de “patrimônio negativo” e prejudicavam a capacidade da companhia de participar de concorrências.

“O problema é sobreviver até lá”, afirmou.

Na mensagem, ele disse que precisaria realizar um aporte de capital e que não pretendia elevar ainda mais o endividamento. Também informou que preparava um roadshow para levantar recursos.

Apesar disso, Justus afirmou que pretendia manter o compromisso de pagar R$ 130 milhões a Vorcaro. Pediu, porém, uma condição suspensiva para a parcela final de R$ 65 milhões, vinculada a um evento de liquidez e à avaliação futura da companhia.

Vorcaro disse que não queria sair

Vorcaro respondeu que havia entrado no negócio por causa da relação com Justus e afirmou que, inicialmente, não pretendia deixar a empresa.

“Para começar eu nao quero sair. Acredito no negocio com todas as dificuldades inerentes, e mais que isso, acredito em você”, escreveu.

O fundador do Master disse ainda que aceitava discutir uma saída sem prêmio e em prazo longo para ajudar a companhia, mas condicionava a negociação à garantia de recuperação do valor investido.

“Estou topando sair sem qualquer prêmio e num prazo longuíssimo, para atender e ajudar, so por isso. Mas eu nao ter ao menos o valor que aportei garantido ao longo do tempo, nao faz o menor sentido”, afirmou.

Cobranças começaram antes de setembro

As conversas indicam cobranças de Justus desde o fim de 2024 pela conclusão do investimento. Em janeiro de 2025, a preocupação passou também pelo caixa da SteelCorp e por uma dívida de curto prazo.

Em abril, Justus voltou a tratar da estrutura do aporte e afirmou que os primeiros R$ 80 milhões ainda precisavam ser formalizados de maneira que deixasse claro que o valor não correspondia a uma dívida, mas a uma antecipação ligada ao investimento.

Nos meses seguintes, novas cobranças se concentraram tanto na conversão do investimento quanto na dificuldade de contato com Vorcaro.

A defesa de Daniel Vorcaro e o empresário Roberto Justus não se manifestaram.

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