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Menopausa, bem-estar e turismo: por que os retiros femininos viraram a novatendência global de viagens
Publicado 01/03/2026 • 22:00 | Atualizado há 4 horas
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Publicado 01/03/2026 • 22:00 | Atualizado há 4 horas
Nos últimos anos, a menopausa deixou de ser um tema silencioso para se tornar um dos novos motores da indústria global do bem-estar e agora também do turismo de luxo. Segundo o Global Wellness Institute, organização internacional que monitora o setor, o turismo de bem-estar movimenta mais de US$ 830 bilhões por ano no mundo, e cresce mais rápido do que o turismo tradicional. Dentro desse cenário, experiências voltadas à saúde feminina, especialmente menopausa e longevidade, aparecem entre as maiores tendências emergentes para a próxima década.
Hoje, mais de 1 bilhão de mulheres no mundo vivem ou estão se aproximando da menopausa. É uma mudança demográfica relevante: pela primeira vez, existe uma geração numerosa, ativa profissionalmente, financeiramente independente e interessada em investir em qualidade de vida durante essa fase.
Os chamados retiros de menopausa são experiências imersivas realizadas em hotéis ou resorts especializados em bem-estar, que combinam:
● Acompanhamento médico
● Nutrição funcional
● Atividade física adaptada
● Terapias corporais e mindfulness
● Educação sobre saúde feminina
● Criação de redes de apoio entre mulheres
Diferente de um spa tradicional, o foco não é apenas relaxamento, mas educação e, prevenção em saúde. Especialistas apontam que informação e suporte reduzem impactos comuns dessa fase, como alterações de sono, ondas de calor, ansiedade e mudanças metabólicas.
Três movimentos explicam o crescimento:
1⃣ Mudança demográfica: mulheres vivem mais e permanecem ativas por mais tempo. A menopausa pode representar até um terço da vida feminina, o que aumenta a busca por estratégias de longevidade saudável.
2⃣ Nova economia do bem-estar: o autocuidado deixou de ser luxo ocasional e passou a ser investimento em saúde preventiva.
3⃣ Fim do tabu: a menopausa começa a ser discutida abertamente na medicina, na mídia e no mercado, criando novas soluções e serviços especializados.
Hotéis e resorts internacionais já estruturam programas específicos:
● Canyon Ranch (EUA): referência mundial em wellness médico integrado
● Carillon Miami Wellness Resort: foco em equilíbrio hormonal e medicina preventiva
● Six Senses Douro Valley (Portugal): programas personalizados ligados à longevidade
● Palasiet Thalasso Clinic (Espanha): abordagem de medicina integrativa
● Amilla Maldives Resort : um dos primeiros retiros de menopausa em ambiente ultra-luxo
● The Retreat Costa Rica: programas com alimentação anti-inflamatória e reequilíbrio hormonal
● Lapinha (Brasil): localizado no Paraná, é um centro de medicina integrativa com abordagens personalizadas, incluindo cuidados para a saúde da mulher e mudanças de estilo de vida
● Kurotel (Gramado): medicina preventiva e longevidade
● Rituaali Clinic & Spa (SP): foco em estilo de vida e equilíbrio metabólico
On endereços do Brasil não vendem programas como “retiro de menopausa”. Esses programas incluem avaliações individuais, rotinas personalizadas e acompanhamento especializado durante a estadia.
Um dos diferenciais desses retiros é o senso de comunidade. Estudos em saúde comportamental mostram que mulheres apresentam melhora de bem-estar emocional quando compartilham experiências em grupos de apoio, algo que esses programas incorporam como parte central da experiência.
A proposta não é substituir acompanhamento médico, mas complementar o cuidado com informação e mudança de estilo de vida.
O crescimento também revela uma oportunidade de mercado:
● O segmento de wellness feminino é um dos que mais crescem dentro da economia da longevidade.
● Mulheres acima dos 45 anos representam hoje um dos públicos com maior poder de consumo em viagens premium.
● Resorts passaram a enxergar a menopausa não como nicho médico, mas como nova categoria de turismo experiencial.
Mais do que uma viagem, esses retiros refletem uma mudança cultural: a menopausa deixa de ser vista como fim de um ciclo e passa a ser tratada como uma fase de reinvenção, com foco em saúde, autonomia e qualidade de vida.
Viajar, nesse contexto, vira um ritual de pausa e reconexão.
O Brasil vive um paradoxo:
● Possui enorme cultura de bem-estar e natureza
● Tem uma das maiores populações femininas maduras do mundo
● Mas ainda não transformou a menopausa em produto turístico estruturado.
E eu acredito que esse pode ser o próximo nicho premium do turismo nacional, seguindo o movimento que já acontece fora do país.
“Talvez o crescimento desses retiros mostre menos sobre turismo e mais sobre uma transformação social: mulheres não estão mais apenas atravessando a menopausa — estão aprendendo a vivê-la com informação, cuidado e protagonismo.”
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