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Alta-costura na Avenida: a colaboração entre Dolce & Gabbana e Juliana Paes reacende debate sobre o valor da moda brasileira
Publicado 21/02/2026 • 21:00 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 21/02/2026 • 21:00 | Atualizado há 5 meses
KEY POINTS
Reprodução/Instagram/Juliana Paes
Juliana Paes e Dolce&Gabbana
O Carnaval brasileiro ganhou, neste ano, um novo capítulo na relação entre moda e cultura global. A atriz Juliana Paes desfilou na avenida vestindo uma fantasia desenvolvida em colaboração com a maison italiana Dolce & Gabbana, marcando a entrada inédita da grife no maior espetáculo popular do país.
Mais do que um figurino de impacto visual, a participação da marca italiana abriu uma discussão relevante dentro do universo da moda: afinal, o Carnaval brasileiro sempre produziu peças com nível técnico comparável ao da alta-costura internacional, ainda que esse reconhecimento nem sempre tenha sido formalizado.
A fantasia apresentada reuniu elementos clássicos da tradição carnavalesca brasileira, como bordados manuais, aplicações detalhadas, estruturas escultóricas e trabalho artesanal intensivo, características que também definem o universo da couture europeia. Produções desse tipo costumam envolver meses de desenvolvimento e equipes inteiras de artesãos especializados, reforçando o caráter autoral e exclusivo das criações exibidas na avenida.
É importante destacar que o termo haute couture é protegido por legislação francesa e regulamentado pela Chambre Syndicale de la Haute Couture, em Paris. Apenas casas que atendem critérios específicos, como manter ateliê na capital francesa e apresentar coleções oficiais no calendário da moda, podem utilizar legalmente essa denominação.
Ainda assim, a colaboração reacende um ponto central: embora não seja oficialmente classificado como alta-costura, o Carnaval brasileiro representa uma das maiores expressões de artesania de moda do mundo.
O diálogo entre luxo e Carnaval vem se consolidando fortemente. Artistas como Ivete Sangalo e Sabrina Sato também levaram para a avenida criações que incorporam elementos tradicionalmente associados à alta moda e à joalheria internacional. Ivete desfilou com sapatos exclusivos desenvolvidos em parceria com Alexandre Birman e roupas confeccionadas com cristais Swarovski. Sabrina Sato apresentou figurinos cravejados com cristais Swarovski importados da Áustria nos ensaios técnicos dos desfiles. Os episódios evidenciam que o Carnaval brasileiro há tempos opera com materiais, técnicas e níveis de execução comparáveis aos do universo do luxo global, reforçando a avenida como um espaço legítimo de excelência artesanal.
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A repercussão internacional do figurino de Juliana Paes evidenciou também um sentimento coletivo nas redes e nos portais especializados: um orgulho renovado e um reconhecimento da capacidade criativa brasileira. Ateliês carnavalescos, frequentemente associados apenas ao entretenimento, passaram a ser observados sob a ótica da excelência técnica e da produção cultural sofisticada.
O episódio reforça a ideia de que o Carnaval pode ser compreendido não apenas como festa popular, mas como um poderoso sistema criativo, capaz de unir moda, identidade, narrativa visual e economia cultural em escala global. Nenhum outro evento reúne simultaneamente milhões de espectadores, impacto estético imediato e produção artesanal em larga escala como a avenida brasileira.
A presença de uma maison europeia também revela uma mudança estratégica no próprio mercado de luxo, que busca cada vez mais conexão com culturas autênticas e experiências reais, expandindo sua atuação para além das passarelas tradicionais.
Diante desse cenário, trago aqui uma questão sobre a necessidade de maior valorização institucional da moda produzida no Carnaval, seja por meio de reconhecimento cultural, incentivo à formação artesanal, profissionalização dos ateliês dentro e fora da avenida, negócios para além do calendário do carnaval ou inserção mais consistente desse universo nos diálogos oficiais da indústria da moda brasileira e global.
A colaboração entre Dolce & Gabbana e Juliana Paes, portanto, ultrapassa o campo estético. Ela coloca em evidência uma pergunta maior: se o mundo começa a reconhecer a sofisticação da moda criada na avenida, talvez seja o momento de o próprio Brasil reposicionar o Carnaval como uma das mais elevantes vitrines de criação e artesania contemporânea, não?!
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