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A farmacêutica americana Eli Lilly firmou um acordo de US$ 2,75 bilhões (R$ 14,47 bilhões) com a Insilico Medicine, empresa com ações listadas em Hong Kong, para levar ao mercado global medicamentos desenvolvidos com inteligência artificial.

CNBCEli Lilly fecha acordo bilionário para levar medicamentos desenvolvidos por IA ao mercado global

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Muito além dos 60+: como a longevidade e o “jovem idoso” estão redefinindo o mercado

Publicado 30/03/2026 • 19:16 | Atualizado há 7 horas

Foto de Gilmara Espino

Gilmara Espino

Com duas décadas dedicadas ao mercado de saúde, Gilmara Espino é uma das principais autoridades em Comunicação e Marketing neste setor. É Presidente na GPeS Comunica Saúde e Conselheira Nacional de Gestão em Saúde da Federação Brasileira de Administradores Hospitalares - FBAH. Administradora e empresária, possui MBA e Mestrado em Gestão de Saúde pela Fundação Getúlio Vargas, é professora de Marketing de Saúde nos cursos de pós-graduação do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) e professora convidada em programas da FGV, IPOG e ONA. Especialista em Processos pelo Hammer Institute (EUA) e em Comunicação Empresarial pela FGV.

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O que você faria se tivesse mais tempo, mais dinheiro e mais sabedoria para usar bem essa combinação? A pergunta ajuda a iluminar uma das transformações mais profundas deste tempo: a longevidade passou a reorganizar prioridades, expectativas e formas de consumo. Quando a vida se alonga, alonga-se também o espaço para escolhas. Mudam os vínculos com o trabalho, com o aprendizado, com o lazer, com a mobilidade, com o bem-estar e, sobretudo, com o uso do tempo.

Os números mostram a dimensão dessa mudança. Em 2020, pela primeira vez na história, a quantidade de pessoas com 60 anos ou mais no mundo ultrapassou o de crianças com menos de 5 anos. Entre 2015 e 2050, a proporção global da população acima de 60 anos deve passar de 12% para 22%. O processo, que começou antes nos países de alta renda, avança com rapidez também nos de renda média e baixa. No Brasil, essa transição demográfica se converte em força econômica. À medida que a população envelhece, cresce um contingente de consumidores com mais tempo de vida, mais repertório acumulado e, em muitos casos, maior liberdade para decidir como quer viver, gastar, circular e experimentar.

A cultura brasileira ajuda a enxergar essa mudança com nitidez. Aos 95 anos, Fernanda Montenegro continua a ocupar a cena pública. Gilberto Gil e Ney Matogrosso seguem em turnê depois dos 80. Zezé Motta permanece em cartaz aos 81. Mais do que exceções admiráveis, esses nomes ajudam a mostrar como envelhecer deixou de significar, necessariamente, retração de atividade ou desejo de participação no mundo.

Seria um equívoco romantizar a maturidade. Nem todo envelhecimento será ativo, pleno ou livre de limitações. Ainda assim, ignorar a mudança de padrão que já está diante de nós seria um erro ainda maior. Há um contingente crescente de pessoas que chega aos 60, aos 70 e aos 80 anos com autonomia, renda, energia, sabedoria e disposição para continuar consumindo. É desse deslocamento que nasce a economia prateada

No Brasil, esse mercado já movimenta cifras grandes o suficiente para afastar qualquer leitura folclórica. Em 2024, a renda da chamada geração prateada chegou a R$ 1,06 trilhão, algo perto de US$ 120 bilhões. Se fosse um país, esse mercado estaria na faixa de economias nacionais como a do Equador e acima de países como o Uruguai.
A questão é que boa parte das empresas ainda olha para esse mercado de forma simplificada demais.

O Pulo do Gato

O erro mais comum está em tratar o público maduro como um bloco homogêneo, definido quase exclusivamente pela idade cronológica. Esse atalho empobrece a análise e costuma produzir ofertas genéricas, comunicação inadequada e estratégias frouxas.

Uma pessoa de 80 anos pode ser atleta, viajante frequente e consumidora de experiências sofisticadas. Outra, com a mesma idade e renda semelhante, pode valorizar sobretudo a vida doméstica, o convívio familiar e a previsibilidade. Há também quem conviva com limitações físicas ou questões de saúde que exijam produtos, serviços e jornadas muito mais específicas. A coincidência está na idade, mas os padrões de consumo podem mudar quase por completo.

A longevidade, nesse sentido, começa a produzir uma espécie de sociedade sem idade, na qual o comportamento explica mais do que a faixa etária. Em outras palavras, isoladamente, a idade cronológica é um critério insuficiente para compreender preferências e estilo de vida. Nesse contexto, ganha relevo a figura do “jovem idoso”: pessoas que já cruzaram a barreira dos 60 anos, mas mantêm um estilo de vida produtivo e engajado, rompendo com qualquer estereótipo relacionado à velhice.

Para as empresas, a implicação é direta. Quem continuar oferecendo produtos “para idosos” como se estivesse diante de uma categoria única corre o risco de errar o alvo. A oportunidade real está em compreender a heterogeneidade desse mercado e traduzi-la em proposta de valor. Isso significa rever portfólio, serviço, linguagem, experiência, canais e formas de relacionamento. Significa abandonar caricaturas e entender que o consumidor maduro não quer apenas acessibilidade ou cuidado. Muitas vezes, quer também sofisticação, autonomia, novidade, desempenho, conveniência, prazer e sentido.

É exatamente por isso que a economia prateada é o tema central da nova coluna do Times Brasil - licenciado exclusivo CNBC , voltada à leitura estratégica dos movimentos que redesenham mercado, consumo e crescimento. Este espaço nasce para acompanhar esse universo de perto, trazendo semanalmente as tendências e casos práticos que ajudam a entender como a longevidade está criando novas oportunidades de negócio.

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