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Trump repete modelo dos Césares romanos e pode repetir as derrotas do Império Britânico
Publicado 01/02/2026 • 09:04 | Atualizado há 3 horas
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Publicado 01/02/2026 • 09:04 | Atualizado há 3 horas
KEY POINTS
Getty Images
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos
Em um cenário global cada vez mais interconectado, a política externa de Donald Trump, marcada por um protecionismo agressivo e uma retórica de "América Primeiro", parece estar desenhando um paradoxo histórico. O recente ataque e captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, somado à crescente pressão militar sobre o Irã - na qual Washington condiciona a não agressão ao cumprimento de exigências nucleares estritas -, sinaliza uma tentativa de reviver a mentalidade da Pax Romana.
Assim como o Império Romano manteve dois séculos de hegemonia europeia por meio da dissuasão e persuasão militar, Trump busca uma Pax Americana baseada na força bruta. Contudo, essa demonstração de poderio bélico corre o risco de, ironicamente, precipitar uma "Queda do Império Britânico" em escala global, acelerando uma fragmentação que o próprio país ajudou a evitar por décadas. O fenômeno em questão pode ser descrito como um "isolamento autoinfligido" ou uma "fragmentação global acelerada"; uma espécie de "reversão involuntária".
Pela primeira vez na História Contemporânea, os Estados Unidos estão deliberadamente desmantelando a arquitetura econômica global que eles próprios construíram e lideraram desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Essa estrutura, baseada em instituições multilaterais e na promoção do livre comércio, foi o pilar da hegemonia americana e da prosperidade global por mais de sete décadas. Contudo, a administração Trump adota o que pode ser caracterizado como o "jogo do ultimato", aplicando tarifas unilaterais e forçando parceiros comerciais a aceitar suas condições, desconsiderando o princípio do "dilema do prisioneiro" - um conceito que demonstra como dois indivíduos, agindo em seu próprio interesse, podem chegar a resultados favoráveis a ambos, mesmo que a cooperação mútua pudesse gerar um benefício maior -, na qual a cooperação mútua resultaria em maiores benefícios para todos os envolvidos.
As tarifas propostas por Trump em 2025, incluindo 25% sobre importações do Canadá e México (com 10% sobre petróleo) e um adicional de 10% sobre a China, representam um aumento significativo na barreira comercial americana. Essas medidas elevaram, em 2025, a tarifa média sobre importações de 2,4% para 10,5%, o maior nível desde 1943. O impacto é ainda mais notável quando se considera que as tarifas de Trump afetam 4,8% do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA, um percentual superior aos 1,4% atingidos pela infame Tarifa Smoot-Hawley em 1929. A diferença crucial é que, hoje, as cadeias de suprimentos globais são muito mais complexas e interligadas, tornando o protecionismo um fator de ruptura econômica muito mais potente.
Historicamente, o precedente americano mais direto para essa política é a Tarifa Smoot-Hawley de 1930. Implementada durante a Grande Depressão, essa medida protecionista visava proteger a economia dos EUA, mas resultou em retaliações comerciais globais que contraíram o comércio internacional em cerca de 65%, agravando a recessão mundial. A lição da história é clara: o protecionismo raramente é um caminho para a prosperidade duradoura.
Outro paralelo histórico relevante pode ser traçado com o Reino Unido entre os séculos XIX e XX. Após décadas de liderança global e promoção do livre comércio, os britânicos viram sua hegemonia econômica ser ultrapassada pelos Estados Unidos, por volta de 1880. Em 1932, em meio à Grande Depressão e ao reconhecimento de sua perda de capacidade produtiva para os EUA e a Alemanha, o Reino Unido abandonou o livre comércio e adotou a "Preferência Imperial”. A ironia é que Londres perdeu sua liderança - no século passado - enquanto mantinha o livre comércio; enquanto os EUA, hoje, parecem estar perdendo influência precisamente por adotar o protecionismo.
O resultado dessa postura é uma "multipolarização forçada". União Europeia, Índia e outros blocos econômicos não estão se rebelando contra a hegemonia americana por escolha ideológica, mas sim construindo alternativas por necessidade de sobrevivência econômica. Quando o comércio é utilizado como arma, a busca por autonomia estratégica se torna uma prioridade. Os parceiros comerciais dos EUA, ao invés de cederem ao ultimato, estão buscando diversificar suas relações e fortalecer suas próprias esferas de influência, acelerando a transição para um mundo multipolar.
Em suma, a política de "América Primeiro" de Trump, ao invés de solidificar a liderança americana, parece estar pavimentando o caminho para um cenário onde os Estados Unidos se encontram em um isolamento autoinfligido, perdendo a alavancagem diplomática e econômica que a arquitetura global pós-1945 lhes conferiu.
A busca por uma "Pax Americana" através da fragmentação pode, paradoxalmente, levar a uma era de desordem e a uma reconfiguração do poder global, onde a hegemonia americana é voluntariamente desintegrada.
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