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Plano de Negócios Rodrigo Loureiro

A aposta de longo prazo da Chevron

Publicado 05/01/2026 • 09:48 | Atualizado há 16 horas

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Rodrigo Loureiro

Rodrigo Loureiro é jornalista especializado em economia e negócios, com experiência nos principais veículos do Brasil e MBA pela FIA em parceria com a B3. Além de comandar esta coluna, é comentarista nos programas Agora e Real Time, nos quais analisa as principais movimentações do mercado.

A Chevron fez uma aposta ousada na Venezuela em 2007. Naquele momento, o então presidente venezuelano Hugo Chávez havia nacionalizado todo o setor petrolífero do país — um recado claro às companhias estrangeiras, especialmente às americanas: as regras do jogo haviam mudado.

O movimento foi suficiente para que ExxonMobil e ConocoPhillips, duas gigantes dos Estados Unidos, deixassem o país e abandonassem suas operações na Venezuela. A Chevron, por outro lado, seguiu por um caminho diferente.

Presente no país desde 1923, a companhia optou por manter suas atividades por meio de uma joint venture com a estatal PDVSA. A estratégia buscava preservar a posição em um mercado que concentra cerca de 300 bilhões de barris de reservas de petróleo — volume que faz da Venezuela detentora de quase um quinto das reservas globais.

Atualmente, a Chevron produz cerca de 200 mil barris de petróleo por dia na Venezuela. O número ainda é modesto quando comparado à produção total da companhia, que gira em torno de 3 milhões de barris diários.

O potencial de crescimento, no entanto, é o principal atrativo. No auge, durante a década de 1990, a produção venezuelana chegou a aproximadamente 3,5 milhões de barris por dia. Hoje, esse volume caiu para cerca de 1 milhão de barris diários.

Se conseguir capturar metade de uma eventual recuperação da produção, a Chevron poderá transformar sua operação na Venezuela em uma fonte relevante de receita — desta vez, com menor interferência direta do governo de Nicolás Maduro.

Não por acaso, investidores já monitoram de perto esses ganhos potenciais. As ações da Chevron chegaram a subir mais de 7% no pré-market americano.

O desafio, porém, é significativo. Levar o petróleo venezuelano do campo aos portos dos Estados Unidos exigirá investimentos elevados em tecnologia e infraestrutura. Durante os anos de Maduro, houve uma deterioração crítica das instalações de extração, além de uma escassez de mão de obra qualificada no setor.

Segundo a consultoria Wood Mackenzie, os investimentos necessários para elevar a produção venezuelana em 500 mil barris por dia ficariam entre US$ 15 bilhões e US$ 20 bilhões.

Já para retomar patamares mais ambiciosos, próximos de 2 milhões de barris diários, o volume de recursos exigido subiria para cerca de US$ 110 bilhões, de acordo com estimativas da Rystad Energy.

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