Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
Alvaro Machado: robôs humanoides esbarram no mundo real e ainda não conseguem “abrir qualquer porta”
Publicado 07/04/2026 • 15:27 | Atualizado há 2 horas
BREAKING NEWS:
Paquistão pede pausa de duas semanas após Trump alertar que ‘toda a civilização morrerá’ se não houver acordo para reabrir Ormuz
Ações da ASML caem após proposta dos EUA de restringir exportações atingir um mercado chinês já fragilizado
OpenAI pede investigação sobre supostos ataques de Elon Musk
Ultimato de Trump ao Irã e sinais de possível acordo deixam investidores em suspense
EUA e Irã rejeitam cessar-fogo após Trump dar prazo para abrir Ormuz
“Inimigos silenciosos”: como startups de I.A. tentam resolver um dos maiores problemas do varejo de roupas
Publicado 07/04/2026 • 15:27 | Atualizado há 2 horas
Apesar das demonstrações coreografadas e dos anúncios de versatilidade, os robôs humanoides ainda enfrentam limitações básicas quando saem do ambiente controlado. Para o professor Álvaro Machado Dias, o problema não é um detalhe técnico, mas estrutural.
“A demonstração é sempre baseada num planejamento prévio que vai mapear as variáveis do ambiente”, afirmou. Fora desse roteiro, segundo ele, “a performance degrada rapidinho”.
O ponto central, na avaliação do especialista, está no choque entre modelos de inteligência artificial baseados em linguagem, os chamados LLMs, e a complexidade do mundo físico. “O mundo real tem graus de liberdade muito maiores do que a própria linguagem”, disse. Embora a linguagem permita combinações quase ilimitadas, a realidade incorpora variáveis e imprevisibilidades que extrapolam o escopo desses sistemas.
>> Leia mais artigos da coluna de Alvaro Machado
Ele destaca que os modelos que hoje impulsionam a robótica são herdeiros da revolução dos LLMs. “Essa revolução encontra uma barreira”, afirmou. Ao lidar com situações não planejadas, “o mundo real tem um grau de acaso injetado na própria realidade que ultrapassa a habilidade desses sistemas de operarem de maneira plenamente performática”.
Para Machado Dias, a diferença fundamental entre humanos e robôs está na capacidade de improvisação ancorada no corpo. “O humano, assim como as outras espécies, improvisa no ambiente. E improvisar não quer dizer simplesmente fazer uma coisa diferente, quer dizer você sentir o ambiente de uma forma diferente.”
Ele exemplifica com tarefas triviais, como abrir uma garrafa. Ao observar alguém executando a ação, não é possível inferir com precisão a força aplicada ou as microadaptações da mão. “Quando você vê uma imagem de alguém abrindo uma garrafa, você consegue dizer qual que é a quantidade de força sendo colocada? […] A resposta é não.”
O que ocorre, segundo ele, é um processo contínuo de ajuste interno, com base em feedback sensorial. “A gente faz essas coisas porque a gente tem um sistema corporificado que traz um feedback interno.” Essa adaptação envolve múltiplos graus de liberdade — pressão, velocidade, orientação — que não são visíveis externamente, mas determinam o sucesso da ação.
Na avaliação do professor, há uma limitação fundamental para a criação de robôs domésticos plenamente funcionais: a ausência de um circuito interno comparável à percepção humana.
“Você põe a mão numa superfície e você imediatamente sabe […] se ela é mais áspera, se ela é mais lisa, se ela é mais dura”, afirmou. Esses sensores biológicos operam de forma automática e preparam o indivíduo para agir. “Isso é diferente de fazer uma leitura da realidade.”
Sem essa integração sensorial, argumenta, a robótica permanece restrita. “Sem essas coisas, simplesmente com leitura por vídeo e texto, a gente não consegue resolver problemas que são basais de como a gente se relaciona com a realidade e que estão sendo resolvidos por quem tem seis meses de idade.”
Mais lidas
1
Imposto de Renda 2026: idosos acima de 70 anos são obrigados a declarar?
2
Com lucro em queda e caixa negativo, Cimed pega empréstimo para pagar dividendos
3
Petrobras vende diesel R$ 2,52 abaixo dos importados e pressão por reajuste se acumula
4
Mar Cáspio: o corredor logístico que abriga bilhões em reservas de petróleo e é palco de três guerras ao mesmo tempo
5
Diretor financeiro da Embraer renuncia após seis anos e vai para a Azul