Caio Barbosa afirma que stablecoins deixaram de servir apenas ao mercado de criptoativos e passaram a ser usadas em remessas e pagamentos globais.
CEO da Lumx diz que operações via blockchain se tornaram mais rápidas, baratas e eficientes do que métodos financeiros tradicionais.
Executivo avalia que regulação nos Estados Unidos ampliou segurança para emissores de stablecoins e fortaleceu uso global do dólar digital.
O crescimento das stablecoins está transformando o mercado de pagamentos internacionais e ampliando o uso da infraestrutura blockchain para operações financeiras do cotidiano, segundo avaliação de Caio Barbosa, CEO da Lumx.
Durante entrevista ao programa Cripto Brasil, o executivo afirmou que as stablecoins deixaram de ser ferramentas restritas ao mercado de negociação de criptoativos e passaram a ganhar espaço em operações mais próximas da economia tradicional.
Segundo Barbosa, a principal razão para o avanço desses ativos está na eficiência das operações realizadas via blockchain. “Fazer pagamentos internacionais através da infraestrutura das stablecoins torna a operação muito mais eficiente, rápida e barata quando comparada aos métodos tradicionais”, afirmou.
O executivo explicou que, inicialmente, o mercado cripto defendia sistemas financeiros descentralizados como alternativa aos bancos tradicionais, mas que a volatilidade de ativos como o Bitcoin dificultava seu uso cotidiano. “A indústria percebeu que a infraestrutura por trás disso tudo poderia destravar muitos casos de uso financeiros”, destacou.
De acordo com Caio Barbosa, os fluxos internacionais de pagamento se tornaram o principal motor de crescimento das stablecoins nos últimos anos.
Segundo ele, operações como envio de dinheiro para familiares, pagamento de fornecedores e transferências empresariais passaram a utilizar cada vez mais ativos digitais lastreados em dólar. “Hoje, a grande maioria dos fluxos internacionais com stablecoins é feita através de ativos associados ao dólar”, afirmou.
O executivo explicou que esse movimento reflete a predominância global da moeda americana também no universo digital.
Barbosa ressaltou que a adoção das stablecoins cresceu rapidamente não apenas entre investidores de criptoativos, mas também em operações mais tradicionais e acessíveis ao público em geral.
Segundo ele, o corredor financeiro entre México e Estados Unidos já oferece um exemplo concreto dessa transformação. “Cerca de 10% do volume de remessas entre México e Estados Unidos já passa por stablecoins”, observou.
Evolução do mercado
O CEO da Lumx afirmou que a primeira stablecoin relevante do mercado foi a USDT, emitida pela Tether, criada inicialmente para ampliar liquidez dentro do ecossistema de negociação de criptomoedas.
Segundo Barbosa, a ideia original não era criar um meio de pagamento global, mas facilitar operações de compra e venda de criptoativos sem necessidade de movimentações cambiais complexas. “O primeiro caso de uso da USDT foi dar mais liquidez para o mercado de trading de cripto”, explicou.
Com o avanço da tecnologia, o mercado percebeu que a mesma estrutura poderia ser usada para operações financeiras mais amplas. “Se era possível comprar e vender ativos usando stablecoins, também passou a ser possível pagar fornecedores, produtos e serviços”, destacou.
Segundo o executivo, atualmente a maior parte do fluxo financeiro com stablecoins já acontece em operações entre empresas. “Hoje a grande maioria do fluxo é feita por empresas, principalmente em operações B2B”, afirmou.
No caso brasileiro, Barbosa disse que o uso das stablecoins ainda está mais relacionado à eficiência operacional do que à busca por proteção cambial. “No Brasil, as pessoas não usam stablecoins principalmente para se dolarizar, mas para facilitar pagamentos do dia a dia”, observou.
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Ao comentar o avanço regulatório nos Estados Unidos, Caio Barbosa afirmou que o chamado Genius Act trouxe maior clareza jurídica para empresas emissoras de stablecoins.
Segundo ele, a legislação americana focou especificamente nos emissores dos ativos digitais lastreados em dólar, enquanto o Brasil concentrou esforços regulatórios principalmente sobre intermediários do mercado. “O Genius Act trouxe clareza para as empresas que emitem stablecoins lastreadas em dólar”, explicou.
Barbosa afirmou que a regulamentação americana também fortalece a posição global do dólar no sistema financeiro digital.
Segundo ele, o crescimento da demanda por stablecoins acaba ampliando também a demanda por títulos do governo americano, utilizados como lastro desses ativos. “Quanto mais demanda por stablecoin, mais demanda por dólar e mais demanda por títulos americanos”, destacou.
O executivo explicou que o Brasil ainda discute um modelo específico para emissores de stablecoins e que o setor acompanha as conversas entre reguladores e empresas do mercado. “A indústria vem conversando bastante com o regulador para chegar a um escopo que faça sentido para o mercado brasileiro”, concluiu.
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