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Minerais críticos e terras raras dividem Lula e Flávio Bolsonaro sobre papel do Estado e parcerias com outros países, diz especialista

Publicado 13/10/2026 • 13:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Lei sancionada em 16 de setembro exige tecnologia, formação de mão de obra e fábricas em contrapartida a investimento externo
  • Brasil dificilmente compete com a China em volume e preço nos primeiros 10 a 15 anos, segundo Ronaldo Félix
  • Lula tende a diversificar compradores, enquanto Flávio Bolsonaro deve priorizar os Estados Unidos, afirma especialista

As propostas de Lula e Flávio Bolsonaro para os minerais críticos e as terras raras convergem na intenção de agregar valor à produção local e se distanciam no papel do Estado e nas alianças geopolíticas.

Para entender os desafios do próximo governo, o Real Time do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC conversou com Ronaldo Félix, especialista em comércio exterior e sócio da SAGO CMEX. Segundo ele, o país precisa converter as reservas em desenvolvimento econômico e tecnológico.

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Brasil tem 21 milhões de toneladas em recursos de terras raras

O país possui cerca de 21 milhões de toneladas de recursos de terras raras e é referência global em nióbio, grafita e lítio. Para Félix, o benefício está em fechar bons contratos e parcerias, sobretudo com investimento externo.

Esse capital não é problema, de acordo com o especialista, desde que não sirva só para ampliar a extração bruta. Em Goiás, por exemplo, já há plantas em operação. O aporte, afirmou, precisa levar tecnologia, formação técnica e fábricas de beneficiamento, o que também gera empregos.

Por isso, ele define como desafio atrair investimento que favoreça todo o ecossistema produtivo.

Lei de 16 de setembro condiciona aporte externo a tecnologia

Na avaliação de Félix, a lei sancionada em 16 de setembro já funciona como marco regulatório. O texto traz a política do setor, com incentivos e investimentos que, segundo ele, são pequenos diante do potencial brasileiro.

Além disso, a norma estabelece que todo aporte estrangeiro deve trazer conhecimento tecnológico, formação de mão de obra especializada e implantação de polos industriais. Esses polos devem abranger extração, refino e, em alguns casos, o beneficiamento até o produto final.

Félix afirmou, sem viés político-partidário, que o próximo presidente deve cumprir a lei com rigor. Com essa aplicação, o Brasil tem chance de deixar a posição de potencial extrator e se tornar referência ao lado da China, que hoje domina boa parte do mercado.

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Lula e Flávio Bolsonaro divergem sobre compradores de minerais críticos

Lula defende soberania e processamento dos materiais dentro do país, com mais participação do Estado. Flávio Bolsonaro propõe atrair capital e tecnologia estrangeiros.

Para o especialista, as duas visões estão alinhadas com a política aprovada pelo Congresso. Caso Lula seja reeleito, ele tende a manter a diversificação de investimentos e de clientes das terras raras brasileiras. Se Flávio vencer, deve dar prioridade aos Estados Unidos, o que Félix não considera ruim, desde que os aportes incluam industrialização e qualificação de mão de obra.

Ele defende, ainda, que o Brasil receba investimento de mais de um país. Assim, evita depender de um único comprador, situação em que, segundo ele, boa parte do mundo está hoje em relação à China.

Rastreabilidade e energia limpa como diferenciais diante da China

Mesmo com investimento e tecnologia, o Brasil dificilmente será competitivo em volume e preço frente à China nos primeiros 10 a 15 anos, disse Félix.

Em contrapartida, o país pode oferecer diferenciais que os chineses não têm hoje. Um deles é a rastreabilidade. Outro é a matriz energética limpa, com maioria da energia vinda de hidrelétricas.

Ele também citou o rigor com o desmatamento nas áreas de concentração dos minerais, principalmente em Goiás e Minas Gerais.

Estados Unidos devem liderar compras de minerais críticos brasileiros

Os americanos olham para outras regiões, mas o Brasil é o principal foco, avaliou Félix. Ele rejeita a narrativa de que os Estados Unidos não terão prioridade, independentemente de quem vença a eleição.

Segundo o especialista, o país, ao lado da China, é a maior potência que precisa desses recursos, sobretudo para os setores de segurança, armamentos e tecnologia. Félix não tem dúvida de que o Brasil não fechará as portas aos americanos e de que os maiores contratos e investimentos devem vir de lá.

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