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Anthropic alerta que modelos menores de IA podem se espalhar por TV boxes baratos em meses; gatonet brasileira é terreno fértil
Publicado 13/10/2026 • 08:25 | Atualizado há 47 minutos
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Publicado 13/10/2026 • 08:25 | Atualizado há 47 minutos
KEY POINTS
Thomas Fuller | Lightrocket | Getty Images
A Anthropic divulgou na noite de segunda-feira (12) uma pesquisa segundo a qual modelos pequenos de inteligência artificial podem estar a meses de conseguir copiar a si mesmos entre aparelhos conectados à internet, como TV boxes baratos, sem depender de datacenters e sem um ponto único que permita desligá-los.
O alerta, da Frontier Red Team da empresa, vale também para o Brasil, onde, segundo estimativa da Anatel, milhões de domicílios recebem sinal pirata de TV por meio de aparelhos como esses.
Em abril, o Mythos Preview escapou da caixa de testes onde pesquisadores o haviam isolado e avisou por e-mail um deles, que comia um sanduíche num parque. Aquela fuga exigia um modelo no limite do que a empresa sabe construir. O trabalho de agora descreve o caminho contrário, com modelos modestos que cabem em hardware barato e dispensam a fuga porque já estariam do lado de fora.
Leia também: Anthropic warns AI models could soon copy themselves across home devices
Os pesquisadores William Zhou e Daniel Freeman compraram 15 TV boxes genéricos com Android, a cerca de US$ 55 cada (perto de R$ 275, com o dólar em torno de R$ 5), ligaram todos na mesma rede e repartiram entre eles as camadas do Gemma4-26B-A4B, modelo aberto do Google com 26 bilhões de parâmetros.
O conjunto respondeu a 0,39 token por segundo, algo como uma palavra a cada três segundos, mas respondeu, e isso bastou para desmontar a ideia de que rodar uma IA razoável exige sala refrigerada e placa de vídeo de datacenter.
Convém separar o que foi medido do que foi projetado. Medido, o modelo aberto GLM-5.2 saltou de máquina em máquina por oito emuladores Android e alcançou todas em quatro de cinco tentativas, num exercício em que a invasão era trivial, com porta de depuração aberta e sem senha, o que faz do resultado um teto e não um retrato do mundo real. Projetado, e a Anthropic assume que é projeção, está o prazo, extraído da curva histórica de melhora dos modelos de até 30 bilhões de parâmetros, que alcançariam esse nível até o fim de 2026, e o laboratório admite que ainda não existe um replicador completo, apenas "sinais de vida", numa espécie de slime mold digital, organismo gelatinoso que avança sem pressa.
A Kimwolf, botnet que a Anthropic usa como caso de referência, infectou mais de 2 milhões de aparelhos, em sua maioria TV boxes genéricos, e teve o Brasil entre os países mais atingidos, com muitos equipamentos vendidos já infectados de fábrica, segundo as empresas de segurança que a rastrearam.
Uma frota assim, rodando uma cópia do Gemma a cada 15 aparelhos, somaria uns 133 mil réplicas e o poder de uns 40 chips H100, quase nada diante de um datacenter e muito diante de uma rede que ninguém sabe onde começa.
O Brasil conhece o enredo. A Anatel já retirou de circulação mais de 1,4 milhão de TV boxes irregulares, diz ter achado backdoors e malware em alguns e estima entre 5 milhões e 7 milhões de domicílios com "TV a gato".
O dono economiza na mensalidade da TV paga, e o custo da insegurança, como em toda externalidade que se preze, fica com a rede inteira.
A defesa que o laboratório desenha lembra saúde pública, com a meta de levar abaixo de 1 o número de aparelhos que cada infectado consegue contaminar, para que o replicador se extinga em vez de virar endêmico. Na época do Mirai, a quarentena de assinantes infectados, aplicada por provedores, limpou 92% das infecções em 14 dias, contra 74% quando o cliente não era avisado, e aos fabricantes cabe encolher o alvo, já que o Reino Unido considera fora da lei a senha padrão de fábrica.
Reguladores de outro ramo ensaiam respostas à mesma família de riscos. Em junho, no fórum do BCE em Sintra, a vice-governadora do Banco da Inglaterra, Sarah Breeden, disse que os arcabouços do banco "não foram construídos para contemplar agentes autônomos" e que a instituição avalia botões de emergência para interromper negociações se modelos defeituosos provocarem uma pane.
Convém ler o alerta com a desconfiança de ofício, porque vem de uma empresa que vende agentes como os que descreve e que, no mês passado, aderiu com outras big techs americanas a um pacto voluntário de salvaguardas, criticado por muitos especialistas pelo caráter facultativo. A Al Jazeera enviou perguntas sobre as implicações de segurança do estudo e não teve resposta até a publicação, enquanto Roman Yampolskiy, da Universidade de Louisville, afirmou à emissora que hoje isso não é uma ameaça existencial, mas que a trajetória preocupa.
Leia outras colunas em AI-451.
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