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Agro brasileiro enfrenta alta nas recuperações judiciais; número já é 6 vezes maior que a média nacional
Publicado 13/03/2026 • 19:00 | Atualizado há 22 minutos
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Publicado 13/03/2026 • 19:00 | Atualizado há 22 minutos
KEY POINTS
Foto: Freepik.
Agro é o setor recordista em recuperação judicial; empresa sugere financiamento alternativo
O setor de agronegócio é o atual líder em recuperação judicial no Brasil. De acordo com o Índice de Recuperação Judicial do RGF, as empresas do setor tiveram a maior incidência de pedidos, com 13,53 empresas em recuperação judicial a cada mil companhias.
Na verdade, o número supera com folga a média nacional e é registrado em um momento de aumento generalizado das reestruturações empresariais no país.
Conforme noticiado anteriormente, segundo o Monitor RGF da Recuperação Judicial, o Brasil encerrou 2025 com 5.680 companhias em processo de recuperação judicial no quarto trimestre. Trata-se de uma alta de 24,3% em relação ao mesmo período de 2024 e de 7,5% frente ao terceiro trimestre do mesmo ano.
Leia também: Crise nas empresas? Brasil registra recorde de recuperações judiciais em 2025; entenda
Especificamente no caso do agronegócio, indicadores apontam um nível de estresse financeiro mais elevado do que o observado em outros setores.
Segundo levantamento da MA7 Negócios, escritório de consultoria empresarial, a cada 1000 empresas ligadas à agropecuária ou produtores rurais (1,26%), cerca de 12,6 entram em recuperação judicial. Esse índice é quase 6 vezes superior à média nacional e quase o dobro do observado na indústria.
Em paralelo, a inadimplência chegou a 8,3% no âmbito rural. Na análise da MA7 Negócios, esse percentual reflete um cenário de margens pressionadas e maior custo de financiamento no campo.
Segundo especialistas do setor, esse quadro é resultado de uma combinação de fatores, como:
De acordo com a consultoria, as companhias enfrentaram ciclos adversos prolongados, o que afetou a capacidade de pagamento e continuidade do negócio.
Nesse sentido, esses ciclos estão associados ao modelo de expansão baseado em arrendamentos agrícolas – isto é, uma espécie de “aluguel de terra” onde se cede o uso de uma área para outra pessoa ou empresa produzir.
Quando entram nessa fase, é comum que essa prática acabe pressionando o fluxo de caixa. Junto a isso, em períodos de queda de preços ou aumento de custos, os arrendamentos pesam ainda mais nas contas.
Além disso, com bancos mais seletivos, parte do financiamento da atividade agrícola está migrando para fora do sistema bancário tradicional.
Ainda com base na análise, as Cédulas de Produto Rural (CPRs) somaram R$ 121,9 bilhões no segundo semestre de 2025, um crescimento de cerca de 30%. As CPRs são títulos de crédito que permitem a antecipação de recursos, insumos ou maquinários para produtores. Nesse caso, é possível pagar por meio da entrega do produto ou em dinheiro.
Paralelamente, também está em ascensão o DIP Finance, um empréstimo para empresas em recuperação judicial ou extrajudicial. Embora considerado de alto risco, esses financiamentos movimentaram R$ 981 bilhões em emissões em 2025. Ademais, o DIP se mostrou importante para empresas que precisam de injeção de capital, o que permite ter liquidez, manter as operações e preservar o valor dos ativos.
Leia também: Conflito no Oriente Médio pressiona custos e exportações do agronegócio brasileiro, analisa especialista
Quando uma empresa do agronegócio enfrenta dificuldades financeiras, boa parte das dívidas deixadas está concentrada em fornecedores e contratos firmados anteriormente.
Diante desse cenário, empresas especializadas em reestruturação financeira passaram a atuar na compra de créditos deteriorados. Simultaneamente, também renegociam prazos e condições de pagamento para reorganizar o passivo das companhias.
Leia também: Brasil movimentou valor bilionário em comércio com Irã em 2025; agronegócio é responsável por quase 90%
Mesmo assim, o desafio parece estar centrado no desalinhamento entre o ciclo financeiro e o ritmo da produção agrícola. Esse contexto leva bancos a avaliarem com cautela o quão exposta está a empresa e quais seriam as garantias em caso de financiamento. Contudo, as operações da companhia podem ser prejudicadas nesse processo.
“Depois de uma quebra relevante, o banco precisa rever exposição e garantias. Só que a produção continua, o custo segue correndo e a empresa não pode simplesmente parar”, afirmou André Matos, CEO da MA7 Negócios.
Por isso, mecanismos como o DIP Finance surgiram como alternativa para manter a operação da empresa de agronegócio enquanto a dívida é reestruturada.
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