CNBC
Jensen Huang em palestra

‘Infraestrutura de IA pode atrair demanda de ao menos US$ 1 trilhão até 2027’, diz CEO da Nvidia

Agro

Déficit de armazenagem de grãos deve atingir recorde no Brasil e agravar gargalo histórico

Publicado 17/03/2026 • 07:15 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Déficit de armazenagem de grãos no Brasil deve atingir nível recorde em 2026, com capacidade para estocar pouco mais de 60% da safra estimada em 344 milhões de toneladas, segundo projeções da CNA e do IBGE.
  • • Produção agrícola cresceu muito mais rápido que a infraestrutura de estocagem: em dez anos, a safra aumentou 167 milhões de toneladas, enquanto a capacidade de armazenagem avançou apenas 43 milhões, segundo Hyberville Neto, da HN Agro.
  • Gargalo reduz poder de negociação do produtor e pressiona preços na origem, além de se somar aos altos custos logísticos; conflito no Oriente Médio pode elevar fretes e impactar o mercado de commodities.

A falta de capacidade para armazenar grãos no Brasil deve atingir o maior nível da história em 2026, ampliando um gargalo estrutural do agronegócio nacional. A previsão é que o país consiga estocar pouco mais de 60% da safra prevista para este ano, segundo estimativas citadas pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

De acordo com projeção do IBGE, a safra brasileira de grãos em 2026 deve alcançar cerca de 344 milhões de toneladas, volume ligeiramente abaixo do recorde registrado no ano anterior, mas com expectativa de nova safra recorde de soja.

Para Hyberville Neto, diretor da HN Agro, o problema da armazenagem no país é antigo e tem se agravado ao longo dos anos. “Essa questão de armazenagem no Brasil não é nova e vem se agravando. Nos últimos dez anos, a agropecuária brasileira aumentou sua produção em cerca de 167 milhões de toneladas, enquanto a capacidade de armazenagem cresceu apenas 43 milhões de toneladas”, afirmou, em entrevista nesta segunda-feira (16) ao Momento Agro, programa do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Leia também: Agro brasileiro enfrenta alta nas recuperações judiciais; número já é 6 vezes maior que a média nacional

Segundo ele, o crescimento da produção foi quatro vezes maior que a expansão da infraestrutura de estocagem, o que reduz o poder de negociação dos produtores. “À medida que o produtor colhe, muitas vezes ele precisa vender rapidamente ou liberar espaço nos armazéns, destinando a produção ao mercado doméstico ou à exportação”, explicou.

Em alguns estados produtores, a situação é ainda mais crítica. Neto afirma que, enquanto a média nacional indica capacidade para armazenar cerca de 62% ou 63% da safra, em regiões como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás a capacidade fica próxima de 50%, considerando a primeira e a segunda safra. “Ou seja, a estrutura de armazenagem nesses estados comporta apenas metade da produção”, disse.

Investimentos grandes

O diretor da HN Agro explica que a ampliação da capacidade de armazenagem exige investimentos elevados e de longo prazo, o que depende de condições favoráveis de financiamento. “São investimentos grandes, que precisam de taxas de juros atrativas e prazos mais longos para pagamento. Quando o cenário de juros é mais desafiador, como ocorreu nos últimos anos, isso dificulta a expansão da armazenagem”, afirmou.

Leia também: Falta de diesel ameaça colheita de arroz e pressiona custos no agronegócio brasileiro

Outro fator estrutural é o baixo número de silos dentro das próprias fazendas. “No Brasil, cerca de 16,5% da capacidade de armazenagem está dentro das propriedades rurais, segundo dados da Conab. Nos Estados Unidos, mais da metade da armazenagem está nas fazendas, o que dá muito mais flexibilidade ao produtor”, explicou.

Ele destaca ainda que a expansão da agricultura brasileira ocorreu com grande velocidade nas últimas décadas, especialmente nas novas fronteiras agrícolas. “É um problema que surge justamente por causa do sucesso e da eficiência da agricultura brasileira, que cresceu muito rápido, enquanto a infraestrutura não acompanhou esse ritmo”, disse.

Menor capacidade de negociação

A falta de armazenagem tem efeitos diretos sobre o mercado. Segundo Neto, quando o produtor precisa vender a produção rapidamente, sua capacidade de negociação diminui, o que pode pressionar os preços pagos na origem. “Esse gargalo gera pressão sobre preços e cria uma série de desafios para o produtor”, afirmou.

Além disso, o problema se soma às dificuldades logísticas do país. “Quando falamos de escoamento da produção, ainda enfrentamos desafios importantes de infraestrutura, como a dependência do transporte rodoviário e limitações na malha ferroviária”, disse.

Leia também: Legislativo apresenta 100 iniciativas estratégicas para o Agro; conheça os dois eixos temáticos

Neto explica que esses custos logísticos acabam sendo descontados no preço final recebido pelo produtor. “A precificação das commodities normalmente parte do destino final e vai sendo ajustada até chegar ao produtor. Com fretes mais caros, o valor do grão na origem acaba sendo menor”, afirmou.

Na comparação internacional, a diferença de infraestrutura é significativa. Enquanto o Brasil tem capacidade de armazenar cerca de 60% da safra, nos Estados Unidos a estrutura chega a cerca de 130% da produção anual.

Mesmo assim, Neto ressalta que o calendário agrícola brasileiro ajuda a reduzir parcialmente a pressão sobre os armazéns. “Nos Estados Unidos, a safra chega praticamente toda de uma vez. No Brasil, há uma distribuição maior ao longo do tempo, com a safra de verão e depois a safrinha, o que ajuda a amenizar o impacto do déficit de armazenagem”, explicou.

Oriente Médio

O especialista também comentou os possíveis impactos do conflito no Oriente Médio sobre o agronegócio brasileiro. Segundo ele, o Irã é um importante comprador de milho do Brasil, o que pode gerar incertezas sobre a demanda.

Por outro lado, a alta do petróleo pode favorecer a valorização de algumas commodities. “O impacto do petróleo tende a elevar o preço de produtos como óleo e etanol, o que pode beneficiar soja e milho no curto prazo”, afirmou.

Leia também: Parlamentares do agro querem proibir uso das palavras ‘leite’ e ‘carne’ em alimentos plant based; setor reage

No entanto, o aumento dos custos logísticos pode gerar efeito contrário. “Com o aumento do petróleo e dos riscos geopolíticos, os fretes e seguros ficam mais caros, o que acaba penalizando o preço das commodities”, disse.

Mesmo assim, no curto prazo, Neto avalia que as tensões internacionais têm contribuído para uma valorização dos preços agrícolas. “De maneira geral, o mercado tem reagido positivamente no curto prazo a essas tensões”, afirmou.

Para ele, o conflito não deve alterar diretamente o déficit de armazenagem no país. O principal impacto pode ocorrer de forma indireta, por meio do ambiente macroeconômico. “Se a alta do petróleo pressionar a inflação e retardar a queda das taxas de juros, isso pode tornar investimentos de longo prazo, como os de armazenagem, mais caros e menos atrativos”, explicou.

Segundo Neto, esse fator pode acabar desacelerando ainda mais a expansão da infraestrutura de estocagem no país. “Nos últimos dez anos, a capacidade de armazenagem cresceu em média 2,2% ao ano, enquanto a produção agrícola avançou cerca de 6,6% ao ano”, destacou.

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Agro

;