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O “tesouro escondido” do agro: terras degradadas podem movimentar bilhões no Brasil

Publicado 01/04/2026 • 16:20 | Atualizado há 2 meses

Foto: Unsplash.

Terras degradadas fazem com que milhões de hectares sigam improdutivos. Enquanto isso, a demanda por expansão e produção sustentável em empresas do agronegócio não para de crescer. Diante disso, estratégias de recuperação de solo surgem como uma possibilidade viável, apesar de ainda pouco explorada. 

Nesse sentido, de acordo com o relatório “Áreas de Pastagens Degradadas e Potencial de Conversão”, do Itaú BBA, o Brasil tem cerca de 28 milhões de hectares de pastagens degradadas com potencial de conversão em áreas produtivas. 

Na análise, a recuperação desses solos poderia gerar até R$ 904 bilhões em valorização fundiária. Em paralelo, elevaria em até 52% a produção nacional de grãos – e sem necessidade de desmatamento.

Outras estimativas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) corroboram a visão do relatório. Isso porque, de acordo com a entidade, de fato, mais da metade das pastagens brasileiras apresenta algum nível de degradação e boa parte delas poderia ser recuperada com tecnologias já disponíveis no mercado.

Mas, afinal, se há oportunidade, o que impede a recuperação de terras degradadas?

Leia também: O que é DIP Finance e por que ele está ganhando espaço no agro?

Desafios em recuperar terras degradadas

Apesar do potencial econômico e ambiental, os desafios de financiamento dificultam a ascensão dessa ideia. Na verdade, os conflitos começam com o alto custo: o relatório Áreas de Pastagens Degradadas e Potencial de Conversão estima entre R$ 188 bilhões e R$ 482 bilhões para recuperar as terras degradadas em solos produtivos novamente. O preço deve variar conforme o estado de degradação do solo e da infraestrutura existente.

Em paralelo, de acordo com o Climate Policy Initiative (CPI), menos de 2% do financiamento climático brasileiro inclui o uso da terra. Entre outros números, há ainda desafios com:

  • Crédito rural – a Embrapa indica que cerca de 57% das pastagens do país têm algum grau de degradação. Contudo, muitos produtores – em especial, os de médio porte – não conseguem acessar linhas de financiamento compatíveis com o ciclo de retorno desses investimentos, que costumam levar de três a cinco safras para maturar.
  • Valores direcionados à recuperação de terras degradadas – de acordo com o Plano ABC+, do Ministério da Agricultura e Pecuária, em 2022, apenas R$ 3,5 bilhões foram efetivamente direcionados para tecnologias de recuperação de pastagens via crédito rural, um volume distante da necessidade estimada.

Na visão da Arara Seed, uma plataforma de equity crowdfunding especializada em agronegócio, esses números evidenciam um descompasso entre a escala da oportunidade e o volume de recursos disponíveis. 

“Com o mercado global cada vez mais exigente em relação à origem e ao impacto ambiental dos alimentos, transformar terras degradadas em ativos produtivos de alto valor é uma das estratégias mais inteligentes para o futuro do agro”, afirmou Henrique Galvani, CEO da Arara Seed. 

Novas soluções financeiras no agronegócio

Diante desse cenário, novos instrumentos financeiros começam a ganhar espaço. Entre eles, o CRA verde, CPR verde, blended finance e fundos de impacto, além de modelos baseados em investimento coletivo. Nesse sentido, esses termos representam:

  • CRA verde – A WWF Brasil explica que o Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) é “um título de crédito lastreado em recebíveis originados de negócios entre produtores rurais, ou suas cooperativas, e terceiros”. Dessa forma, as operações incluem financiamentos ou empréstimos relacionados à produção, comercialização, beneficiamento ou industrialização de produtos, insumos agropecuários ou máquinas, além de implementos para a produção agropecuária.
  • CPR verde – Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, a Cédula de Produto Rural (CPR) Verde pode ser emitida por produtores para atividades de serviços ambientais relacionadas à conservação de florestas e recuperação da vegetação nativa. Elas também devem resultar em redução de emissões de gases de efeito estufa.
  • Blended finance – De acordo com o Insper, trata-se de um financiamento misto, que combina diferentes tipos de capital, como o público, filantrópico e/ou privado. Com isso, viabilizam-se projetos que, sozinhos, teriam dificuldade de acessar crédito.

“O Brasil já conta com tecnologias acessíveis para transformar áreas improdutivas em sistemas agrícolas de alta performance, com rastreabilidade, retorno financeiro e impacto positivo”, afirmou Galvani. Por isso, a empresa agora estuda lançar uma nova vertical focada em investimento coletivo para recuperar terras degradadas.

Nesse sentido, a combinação entre demanda crescente, produção sustentável e milhões de hectares subutilizados oferece ao Brasil uma oportunidade de expansão da fronteira agrícola. A recuperação de terras degradadas também reduziria a necessidade de avançar sobre novas áreas, o que seria mais sustentável e ainda facilitaria o financiamento.

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