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Otávio Lopes: agro enfrenta “tempestade perfeita” e precisa acelerar investimentos para ganhar resiliência

Publicado 02/04/2026 • 23:20 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Alta do petróleo e do custo de capital pressiona produção, logística e investimentos no agronegócio brasileiro.
  • Déficit de armazenagem pode chegar a 38% na safra 2026, elevando custos e reduzindo eficiência do setor.
  • Tecnologia e gestão de riscos são apontadas como caminhos para enfrentar instabilidade global e manter competitividade.

O agronegócio brasileiro atravessa um cenário de forte pressão, marcado por custos elevados, instabilidade global e desafios logísticos, exigindo uma resposta estratégica baseada em investimentos, tecnologia e gestão de riscos, avalia Otávio Lopes, sócio líder de agro da EY para a América Latina e notável do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo o especialista, o setor vive uma “tempestade perfeita”, impulsionada principalmente pela alta do petróleo, que impacta diretamente diversas etapas da produção. “O impacto do petróleo para o agronegócio é grande”, afirmou em sua participação no programa Radar nesta quinta-feira (2).

De acordo com Lopes, o aumento do petróleo afeta desde fertilizantes, que dependem da commodity, até o uso de maquinário agrícola movido a combustível, além de influenciar irrigação, embalagens e transporte.

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É um produto custoso para produzir, para transportar e para escoar”, resumiu, ao destacar o impacto também sobre o frete terrestre e marítimo.

Custo de capital agrava cenário e reduz investimentos

A combinação de custos operacionais elevados com juros altos pode gerar impacto relevante no setor. Segundo Lopes, o efeito pode chegar a até 2% do PIB (Produto Interno Bruto) do agronegócio brasileiro.

Ele destaca ainda a redução de investimentos essenciais, como em armazenagem, que deve enfrentar um déficit de 38% na safra de 2026, equivalente a cerca de 135 milhões de toneladas sem capacidade adequada de estocagem.

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Para superar esse gargalo, seriam necessários entre R$ 100 bilhões e R$ 160 bilhões em investimentos, em um contexto de alto custo de capital, o que dificulta a execução.

O cenário pode levar a uma redução na produção e nas exportações globais de grãos, com estimativas de queda entre -5% e -1%, o que tende a pressionar preços de alimentos, estimular protecionismo e gerar desequilíbrios no mercado internacional.

Investimento e gestão de risco como resposta

Para enfrentar esse ambiente, Lopes defende a aceleração de investimentos em eficiência e adequação, especialmente em infraestrutura.

Investimentos em armazenagem podem reduzir perdas em até 10% e custos de frete em até 30%”, afirmou.

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Além disso, empresas têm buscado reconfigurar cadeias de suprimento e antecipar riscos, utilizando dados para reagir mais rapidamente a choques. “O tempo entre entender e reagir determina o quão eficiente será a empresa”, destacou.

Tecnologia ganha papel central na resiliência

A tecnologia surge como elemento-chave para lidar com a volatilidade, permitindo respostas mais rápidas e automatizadas. Segundo Lopes, as cadeias estão evoluindo de modelos manuais para sistemas automatizados e, no futuro, autônomos com inteligência artificial.

A inteligência de dados vai tornar as respostas muito mais rápidas e autônomas”, disse, citando situações como a necessidade de redirecionar cargas diante de interrupções logísticas.

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Outro ponto é a importância da rastreabilidade e transparência, viabilizadas por tecnologias como blockchain e georreferenciamento, que permitem comprovar práticas sustentáveis e ampliar o acesso a mercados e financiamento.

Precisamos mostrar ao mundo que produzimos de forma sustentável, com dados e fatos”, concluiu.

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