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‘Trump está redefinindo a geopolítica do agro’, afirma diretor da Pine Agronegócios sobre impacto das tarifas
Publicado 06/05/2025 • 10:31 | Atualizado há 10 meses
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Publicado 06/05/2025 • 10:31 | Atualizado há 10 meses
KEY POINTS
Um dos setores mais impactados pelas novas tarifas comerciais impostas por Donald Trump é o de alimentos. Os programas agroindustriais colocados em prática nos Estados Unidos podem influenciar diretamente a produção global e abrir espaço para o avanço de outros países no mercado internacional do agronegócio.
Em entrevista exclusiva ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, nesta terça-feira (06), Alê Delara, diretor da Pine Agronegócios, comentou os reflexos das decisões do presidente norte-americano no sistema alimentar mundial.
Segundo ele, Trump retornou ao cenário internacional para reposicionar os Estados Unidos como potência industrial e comercial.
“Ele está redefinindo a geopolítica do agro no setor de alimentos. Existem intenções por trás dessa política tarifária que, no meu ponto de vista, ainda estão um pouco ocultas”, afirmou.
De acordo com Delara, as tarifas aplicadas contra diversos países, com destaque para a China, são parte de uma estratégia ampla de recuperação econômica.
“Trump quer recuperar o poder marítimo, reindustrializar os Estados Unidos e, ao mesmo tempo, enfrentar o desafio de reduzir o endividamento norte-americano, que é absurdamente alto. Dois terços dessa dívida vencem agora, durante seu mandato, e a rolagem está muito cara”, explicou.
Ele destacou que essa combinação de fatores pressiona o setor agrícola a se adaptar rapidamente. “Infelizmente, o produtor norte-americano e a indústria de alimentos terão que entrar no jogo e pagar essa conta neste início de mandato”, afirmou.
Sobre o impacto das tarifas nos produtos alimentícios, Delara lembrou que os Estados Unidos não produzem café nem cacau, têm uma produção reduzida de açúcar e perderam quase toda a capacidade produtiva de suco de laranja na Flórida.
“Esses produtos agora enfrentam tarifas, mas por serem commodities voltadas a um público com maior poder aquisitivo, talvez a esperança do governo seja que o aumento de custos não seja sentido de forma imediata pelo consumidor”, avaliou.
Segundo ele, para compensar parte desses efeitos, Trump tem reduzido impostos no mercado doméstico, numa tentativa de preservar o consumo interno e manter o poder de compra da população.
Ainda assim, Delara demonstrou preocupação com as commodities agrícolas de grande escala.
“Milho, soja, algodão, trigo e cevada estão sendo plantados agora, ou começarão a ser colhidos em breve. Há incerteza entre os produtores, que não sabem se devem avançar com toda a área planejada no ano passado, porque não têm garantias de que haverá mercado comprador quando forem colher”, alertou.
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