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Assistente Muse, da Meta, lidera downloads; mas app precisa virar hábito
Publicado 07/10/2026 • 09:45 | Atualizado há 45 minutos
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Publicado 07/10/2026 • 09:45 | Atualizado há 45 minutos
KEY POINTS
Foto: reprodução
O agente pessoal Muse, da Meta, tem liderado os rankings das lojas de aplicativos. Agora, o app precisa se tornar um hábito.
O agente pessoal Muse, da Meta, tem liderado os rankings das lojas de aplicativos. Agora, o “centro” da estratégia de inteligência artificial da empresa, como o CEO Mark Zuckerberg o descreve, precisa se tornar algo que as pessoas tenham o hábito de usar.
O interesse em torno do agente de IA da Meta animou os investidores. As ações da empresa subiram cerca de 20% desde o lançamento do aplicativo, há um mês, e registraram em setembro o melhor desempenho mensal desde 2022.
Embora a Meta ainda seja atualmente o aplicativo gratuito mais baixado na loja da Apple para iOS, o desafio maior da dona do Facebook é fazer com que as pessoas continuem usando o Muse depois que o efeito de novidade passar. A empresa precisa transformar seu agente pessoal em um aplicativo central para a companhia, que vem ficando atrás de concorrentes como OpenAI e Google no aquecido mercado de IA.
“O Muse tem a oportunidade de criar uma relação duradoura com os consumidores porque é capaz de concluir tarefas, em vez de ser apenas um chatbot”, disse Meredith Whalen, diretora de pesquisa da IDC, em e-mail.
Leia também: Meta Muse impulsiona AMD à medida que o avanço da IA migra para agentes pessoais
Segundo Whalen, os consumidores já usam ferramentas de IA para uma série de tarefas, mas ainda não está claro se estarão dispostos a fornecer o volume de dados pessoais necessário para criar um assistente digital eficiente. Esse é um obstáculo particularmente relevante para a Meta, que recentemente fechou um acordo de quase US$ 17 bilhões com um grupo de estados americanos que acusava a empresa de ter minimizado os danos à saúde mental de crianças provocados por aplicativos como Facebook e Instagram.
“A verdadeira questão é confiança”, disse Whalen.
A Meta oferece o Muse tanto para consumidores quanto para pequenas empresas, com funções como organizar e-mails pessoais, buscar ofertas de compras ou encontrar potenciais clientes. Embora o acesso ao Muse seja gratuito, a companhia também vende planos de assinatura mensal de US$ 20 ou US$ 100, dependendo da quantidade de tokens — métrica usada pela empresa para calcular o poder de processamento necessário para que os agentes de IA concluam tarefas.
Ao oferecer o Muse gratuitamente desde o início, a Meta consegue entender como e por que as pessoas estão usando o serviço, afirmou Whalen. “O preço vem depois, quando o hábito já está estabelecido”, disse.
Programadores já encontraram utilidade nos agentes de IA como ferramentas de engenharia de software, mas o público em geral e até mesmo líderes empresariais ainda tentam entender o potencial desses assistentes digitais mais avançados, que vão além de simplesmente responder perguntas.
“Eu diria que, de forma ampla, a adoção de agentes de IA em escala empresarial ainda está na primeira página do primeiro capítulo”, disse Ketan Karkhanis, CEO da ThoughtSpot, empresa que vende tecnologias de agentes de IA para negócios.
Os consumidores também estão apenas começando a utilizar agentes de IA.
Karkhanis disse ainda não ter identificado os chamados “casos de uso matadores”, capazes de tornar aplicativos como o Muse mais atraentes do que uma espécie de “Alexa de nova geração” ou uma assistente de voz como a Siri, usada, por exemplo, para consultar a previsão do tempo.
Andrew Geller, produtor executivo da 1stAveMachine, afirmou que sua empresa desenvolve ferramentas internas baseadas em agentes de IA para determinadas tarefas de produção. Para ele, o Muse e outros agentes de IA voltados ao consumidor são “bastante úteis” para apresentar a tecnologia ao público, mas ainda estão longe de transformar a vida das pessoas.
Geller disse ter sido um dos primeiros a experimentar o OpenClaw, uma espécie de estrutura de código aberto para gerenciamento de agentes de IA que ganhou força no início deste ano. Segundo ele, descobriu que o uso pessoal desses agentes pode ser divertido, mas também “um pouco banal”, principalmente quando comparado às aplicações mais complexas relacionadas à programação.
Leia também: Muse, da Meta, pode pesquisar produtos e finalizar compras; veja como funciona
Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.
Siga o Times | CNBCDiversas outras empresas de tecnologia tentam levar os agentes de IA ao mercado de massa oferecendo inicialmente acesso gratuito para atrair usuários.
A ex-CEO do Yahoo, Marissa Mayer, aposta em uma estratégia de experimentar antes de comprar com sua nova startup de agente de IA focada em fotos, a Dazzle. Segundo ela, a abordagem é importante “para aqueles usuários ocasionais ou para quem está apenas tentando descobrir o que o serviço pode fazer no início”.
A Dazzle analisa as fotos pessoais dos usuários para entender aspectos de suas vidas, como familiares e interesses, e pode realizar tarefas como lembrar uma pessoa de que um par de sapatos que ela pesquisou recentemente está em promoção na internet.
Mayer aprendeu essa estratégia durante seus primeiros anos no Google, antes de a empresa construir sua plataforma líder de publicidade online.
“O que estamos realmente tentando fazer é entender quais casos de uso estão funcionando melhor para os usuários, o que eles consideram realmente útil, e isso vai orientar o caminho”, disse Mayer sobre a primeira semana da Dazzle após o lançamento.
Mayer comparou a estratégia de preços e adoção da Dazzle à evolução da Uber. A empresa de transporte começou oferecendo carros executivos antes de lançar opções mais baratas para alcançar um público maior.
Leia também: Meta lança Muse para pequenas empresas em estratégia para ampliar aposta em IA
“É um luxo poder ter essas recomendações maravilhosas e esse nível de conveniência”, afirmou Mayer.
A Dazzle avalia modelos de negócio que incluem taxas sobre transações e assinaturas.
“Queremos operar um serviço no qual as pessoas sintam que estão recebendo valor de forma relativamente contínua ao longo do tempo”, disse Mayer.
Na Wajo AI, a CEO Shivani Poddar também avalia modelos de negócio para sua nova startup de assistente digital com inteligência artificial. A ferramenta permite que usuários pesquisem e agendem compromissos ou encomendem presentes para familiares.
Poddar, que já desenvolveu tecnologias de assistentes de voz para a Alexa, da Amazon, e para o Facebook, oferece o serviço gratuitamente por enquanto. Embora a executiva acredite que empresas possam estar dispostas a pagar assinaturas, ela ainda não está convencida de que “a pessoa comum” queira aderir ao modelo. Em vez disso, os consumidores podem estar mais dispostos a pagar taxas baseadas nos resultados obtidos, de forma semelhante ao modelo pelo qual a Airbnb ganha dinheiro com reservas.
Os riscos são maiores para a Meta, que realizou uma enorme ofensiva de investimentos no ano passado para contratar talentos e construir um negócio de IA capaz de competir com OpenAI e Anthropic. Zuckerberg busca diversificar a empresa para além da publicidade online, que ainda responde por quase toda a receita da companhia, e ainda precisa provar que o Muse pode ser uma peça importante dessa estratégia.
Zuckerberg, ao menos em certa medida, tem tempo a seu favor.
“Quem consegue subsidiar os usuários e esperar tem vantagem”, disse Whalen, da IDC. “E o negócio de publicidade da Meta pode financiar uma longa espera.”
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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