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Muse, da Meta, pode pesquisar produtos e finalizar compras; veja como funciona

Publicado 03/10/2026 • 16:20 | Atualizado há 47 minutos

KEY POINTS

  • Agente pessoal da Meta pesquisa sites de varejo, encontra produtos e prepara a compra para aprovação do usuário.
  • Walmart, Gap, Sephora, Expedia, Wayfair e Best Buy estão entre as empresas que anunciaram parcerias com a plataforma.
  • Uso de IA para preços dinâmicos ainda preocupa consumidores diante da adoção crescente da tecnologia pelas empresas.

Foto: Getty Images

Jolly, o mascote do agente Muse AI, durante o evento Meta Connect em Menlo Park, Califórnia, EUA, na quinta-feira, 24 de setembro de 2026

O novo agente de inteligência artificial Muse, da Meta, promete facilitar desde o agendamento de compromissos até a criação de playlists, mas é a implementação das compras por agentes de IA que vem chamando especialmente a atenção dos setores de tecnologia e varejo.

As compras rapidamente se tornaram um dos principais fatores de uso do Muse, segundo um porta-voz da Meta.

Após a configuração inicial, comprar é tão simples quanto pedir ao agente Muse que encontre um item de interesse. O usuário pode ser tão específico quanto quiser em relação a marcas, preço e disponibilidade.

O agente navega por sites de varejistas em busca de produtos que atendam à solicitação e apresenta sugestões no aplicativo e no site do Muse. Ao clicar em uma opção, o usuário pode ser direcionado diretamente ao site da varejista ou permanecer no aplicativo Muse, onde haverá um botão para finalizar a compra com o agente.

Leia também: Meta lança Muse para pequenas empresas em estratégia para ampliar aposta em IA

Caso escolha concluir a compra pelo Muse, o agente prepara o checkout e apresenta um “cartão de aprovação” com os detalhes do pedido para confirmação. Se o usuário ainda não tiver autorizado o acesso do Muse ao e-mail, nome completo e endereço, essas informações também serão solicitadas.

Para o pagamento, o Muse pode usar parceiros tecnológicos da Meta, como Link, da Stripe, ou Shopify Shop Pay, que precisam estar conectados à plataforma.

Segundo a Meta, o Link “gera um cartão de uso único para que os dados reais do seu cartão permaneçam ocultos”.

O PayPal também foi anunciado como provedor de pagamentos do Muse, mas ainda não está disponível.

Leia também: Muse impulsiona ações da Meta e amplia aposta da empresa em agentes de inteligência artificial

O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, disse durante o Meta Connect que a empresa cobrará uma pequena taxa sobre as transações.

‘Conectores’ do Muse

A Meta anunciou em 23 de setembro uma série de parcerias que oferecerão o que o aplicativo chamou de “via rápida oficial” para a plataforma do agente Muse, embora nem todos esses chamados “conectores” estejam ativos.

Walmart, Gap, Sephora, Expedia, Wayfair e Best Buy estão entre as empresas incluídas no anúncio, e a companhia afirmou que outras parcerias estão em desenvolvimento.

A Ticketmaster, que também faz parte das parcerias já anunciadas, direciona os usuários ao próprio marketplace para realizar o pagamento.

“Os fãs permanecem com controle total sobre suas decisões de compra, já que todas as compras finais são realizadas dentro do marketplace seguro da Ticketmaster”, disse um porta-voz da empresa à CNBC.

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A gigante do comércio eletrônico Amazon, por outro lado, bloqueou o Muse de comprar produtos em seu site, alegando que a ferramenta viola os termos de serviço da varejista. A Amazon afirmou que o Muse armazena credenciais de clientes e coleta dados de contas, entre outras questões.

Luca Cian, professor da Darden School of Business da Universidade da Virgínia e especialista em respostas psicológicas à IA, disse que a concentração das compras em uma única experiência baseada em agentes tende a intensificar a concorrência entre gigantes que já disputam o mesmo mercado.

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“A verdadeira disputa pelo Muse acontece entre as empresas, e o consumidor é o prêmio”, disse Cian à CNBC. “Quem controla o agente controla o relacionamento com o comprador, e todos os varejistas sabem disso.”

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Preocupações com dados e privacidade

O uso da inteligência artificial em diferentes práticas de precificação tem alimentado uma desconfiança generalizada entre consumidores.

Uma pesquisa da Morning Consult realizada em janeiro mostrou que 59% dos adultos dos Estados Unidos consideravam a cobrança abusiva de preços uma “grande preocupação” em relação à precificação dinâmica baseada em IA.

Empresas de varejo e comércio eletrônico estão utilizando cada vez mais inteligência artificial para coletar dados de clientes e introduzir preços dinâmicos ou personalizados, segundo o Banco da Inglaterra.

O McDonald’s está ampliando o uso da IA na precificação de produtos. Na direção oposta, a Instacart encerrou no fim do ano passado testes de preços baseados em IA após enfrentar resistência. A Instacart é parceira do Muse.

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O CEO do Walmart, John Furner, publicou uma carta aberta na semana passada para tranquilizar os consumidores de que a companhia não utiliza informações pessoais dos compradores para aplicar preços dinâmicos em seu site ou em suas ferramentas de compras. Furner reconheceu ter “ouvido preocupações sobre empresas que usam essas informações e tecnologias para cobrar mais”.

Além das questões relacionadas aos preços, a própria Meta tem um histórico de problemas envolvendo dados e segurança. A empresa enfrentou uma série de processos relacionados à segurança infantil e à proteção de dados e, mais recentemente, fechou um importante acordo em um processo federal envolvendo um grupo de procuradores-gerais estaduais por quase US$ 17 bilhões (R$ 88,91 bilhões).

Experiência do consumidor

O Muse chegou ao primeiro lugar entre os aplicativos gratuitos para iPhone na App Store da Apple, enquanto o dispositivo Charm, semelhante a um Tamagotchi e apresentado por Zuckerberg, aumentou ainda mais a repercussão em torno da plataforma de agentes.

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Cian afirmou que, apesar da desconfiança em relação à Meta, muitas pessoas ainda devem utilizar o aplicativo devido à forma gradual como o agente constrói confiança e porque “as pessoas compartimentalizam”.

“Pesquisas mostram que a percepção de controle muda o comportamento. O Muse foi construído em torno dessa constatação”, disse Cian à CNBC. “Esses são os mecanismos certos. O que as pessoas irão observar é se eles funcionarão na prática.”

Segundo Cian, apesar das possíveis preocupações com segurança, os consumidores provavelmente ficarão satisfeitos em transferir para agentes diversas tarefas consideradas trabalhosas, embora ainda possam preferir comprar pessoalmente itens mais personalizados.

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“Reposição de produtos, comparação de preços, devoluções, esperar por uma queda de preço: ninguém se sente diminuído porque uma máquina fez isso”, disse Cian.

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