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Demanda aérea global cai em agosto com forte retração no Oriente Médio, aponta Iata

Publicado 30/09/2026 • 16:05 | Atualizado há 55 minutos

KEY POINTS

  • Oriente Médio registrou queda de 14,6% na demanda e interrompeu trajetória de recuperação observada pelas companhias aéreas da região.
  • Sem o mercado do Oriente Médio, procura global por viagens aéreas teria avançado 0,6% em agosto, segundo a Iata.
  • No Brasil, demanda doméstica cresceu 4,3%, mas expansão maior da capacidade reduziu a taxa de ocupação para 82,1%.

Foto: Petr Kratochvil / Public Domain Pictures.net

O forte recuo do transporte aéreo no Oriente Médio levou a demanda mundial por passageiros ao terreno negativo em agosto, segundo dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata). Globalmente, o volume medido em passageiros-quilômetro pagos (RPK) ficou 0,8% abaixo do registrado no mesmo mês de 2025.

O resultado ocorreu enquanto a capacidade das companhias aéreas avançou 0,3%, considerando os assentos-quilômetro disponíveis (ASK). Com mais oferta e menos demanda, a taxa global de ocupação caiu 0,9 ponto porcentual, para 85,1%.

A deterioração ficou concentrada principalmente no Oriente Médio, onde a demanda despencou 14,6% em relação a agosto do ano passado. A capacidade das empresas da região foi reduzida em 9,3%, enquanto a ocupação recuou 4,9 pontos porcentuais, para 78,9%.

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“As empresas da região reportaram demanda 14,6% menor na comparação anual, revertendo uma tendência de melhora”, afirmou Marie Owens Thomsen, vice-presidente sênior de sustentabilidade e economista-chefe da Iata.

Sem Oriente Médio, demanda teria crescido

A dimensão do impacto da região aparece nos números globais. Desconsiderado o Oriente Médio, a demanda aérea mundial teria crescido 0,6% na comparação anual, segundo Thomsen. Ainda assim, a expansão seria equivalente à metade do ritmo registrado em julho.

O desempenho também foi negativo tanto nas rotas internacionais quanto nos mercados domésticos. A demanda internacional caiu 0,9%, com capacidade estável e taxa de ocupação de 85%, redução de 0,8 ponto porcentual.

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Nos voos domésticos, a procura recuou 0,5%, apesar de a capacidade ter aumentado 0,7%. A combinação levou a taxa de ocupação a 85,3%, 1,1 ponto porcentual abaixo do nível de agosto de 2025.

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Regionalmente, o cenário foi desigual. América Latina e Caribe tiveram a maior expansão da demanda, de 5,3%, seguidos por África, com 4,4%; Ásia-Pacífico, com 1,4%; e Europa, com 0,7%. Na América do Norte, houve retração de 2,2%.

Energia e geopolítica entram no radar

Para a Iata, os próximos meses ajudarão a mostrar até que ponto a alta dos preços da energia e a instabilidade geopolítica podem afetar as decisões dos passageiros.

“Os próximos meses mostrarão se os viajantes, cujo poder de compra foi reduzido pelos preços mais altos de energia, estão ajustando seus orçamentos de viagem e podem ser desencorajados a viajar devido à instabilidade geopolítica”, disse Thomsen.

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Apesar das incertezas, a programação das empresas para outubro ainda aponta para crescimento de 2% na oferta de assentos, cenário classificado pela executiva como de “otimismo cauteloso”.

Brasil cresce, mas ocupação recua

O mercado doméstico brasileiro seguiu uma direção diferente da média mundial. A demanda por passageiros avançou 4,3% em agosto na comparação anual.

A oferta, porém, cresceu ainda mais: a capacidade aumentou 8%, quase o dobro da expansão da procura. Como resultado, a taxa de ocupação dos voos domésticos brasileiros caiu 2,9 pontos porcentuais, para 82,1%.

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