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Banco Pleno: Semp Toshiba, Indusval e décadas de problemas de liquidez

Publicado 18/02/2026 • 20:30 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • O Banco Pleno, controlado pelo banqueiro Augusto Lima, foi liquidado nesta quarta-feira (18). A decisão do Banco Central se deu após detecção de uma crise de liquidez e violação de outras regras e determinações.
  • Embora no site oficial seja descrito que a história do banco começou em 2019, trata-se de uma instituição fundada em 1967. Com o nome fantasia "Banco Indusval S.A", a empresa passou por diversos nomes e famílias até ser controlada por Augusto Lima. 
  • Na verdade, o Banco Pleno está diretamente associado à Semp Toshiba e ao banco Indusval, que enfrenta problemas de liquidez desde os primórdios. 
Banco Pleno

Foto: Divulgação

De Banco Voiter a Banco Pleno

O Banco Pleno, controlado pelo banqueiro Augusto Lima, foi liquidado nesta quarta-feira (18). A decisão do Banco Central se deu após detecção de uma crise de liquidez e violação de outras regras e determinações.

Embora no site oficial seja descrito que a história do banco começou em 2019, trata-se de uma instituição fundada em 1967. Com o nome fantasia “Banco Indusval S.A”, a empresa passou por diversos nomes e famílias até ser controlada por Augusto Lima

Na verdade, o Banco Pleno está diretamente associado à Semp Toshiba e ao banco Indusval, que enfrenta problemas de liquidez desde os primórdios. 

Leia também: Liquidação do Banco Pleno era ‘questão de tempo’, avaliam agentes do mercado

Antes de ser Pleno

Segundo o documento Novos Horizontes (pág. 4), em 1967, o Banco Comind – uma instituição financeira criada pela elite cafeeira paulistana – fundou uma nova corretora de valores com o empresário Sérgio Barbosa. Naquele ano, uma nova lei determinava mudanças no mercado de capitais, devido à Lei 157, que oferecia descontos fiscais para investidores de fundos. 

Já em 1970, o Comind comprou a participação do empresário e procurou um novo sócio. Dessa forma, fundiram-se ao Banco Indusval, focado em crédito corporativo para o agronegócio e empresas de médio porte, além de ser uma potência da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (BVRJ). Nessa operação, estavam envolvidas a corretora Baluarte, de São Paulo, a família Masagão e a família Ciampolini, principais acionistas do Indusval. 

Logo, o grupo fruto da fusão de Comind e Indusval conseguiu uma licença bancária e virou, de fato, um banco, em 1991. Naquela época, continuaram focados em empresas médias e realizaram mais uma fusão, com o Multistock, em 2004. 

Entretanto, os problemas começariam pouco depois a abertura de capital. 

Quando Indusval virou Voiter

Em 2011, a instituição financeira procurava novos sócios para dar fôlego às contas da casa. Naquela época, conquistaram um aporte de R$ 200 milhões e atraíram a gestora estadunidense Warburg Pincus e o investidor Jair Ribeiro – fundador do antigo Banco Patrimônio, conforme relatório da empresa

Dois anos depois, a família fundadora da Semp Toshiba se envolve na trama, devido à aquisição do Intercap pelo Indusval, afirma documento divulgado pelo banco. Em geral, todas essas transações eram uma tentativa de melhorar a situação financeira do grupo e reorganizar a empresa como um todo.

Leia também: Quem é Augusto Ferreira Lima, o controlador por trás do Banco Pleno

Esses esforços persistiram e, em 2017, 70% da corretora Guide foi vendida à Fosun, uma gestora de investimentos chinesa. No entanto, considerando os problemas estruturais, o novo capital recebido não foi suficiente para conter a crise da empresa. 

Após mais dois anos, a consultoria Estáter surgiu e conduziu uma nova capitalização, acompanhada de uma reestruturação. Dessa forma, Barbosa assumiu a instituição financeira que passou a se chamar Banco Voiter. Em seguida, com o restante da Guide vendida, o capital da empresa fechou. Enquanto isso, os acionistas se desentendiam quanto aos rumos da empresa. 

Sai Voiter, entra Pleno

No final de 2023, os empresários tentavam vender o Voiter, mas foi somente em 2024 que o banco trocou de dono e passou para o Banco Master, de Daniel Vorcaro. 

Nessa mesma época, Augusto Lima deixou a sociedade com Vorcaro e assumiu a instituição que, posteriormente, trocou de nome, virando Banco Pleno.

Embora o mercado financeiro encarasse a transação com suspeita, a ausência de ações contra Lima impedia que o Banco Central barrasse a operação. Junto a isso, o banqueiro contava com um patrimônio pessoal que permitia o resgate da instituição financeira, dificultando justificativas para impedir a aquisição.

Mesmo assim, a associação do Pleno com o Master foi fatal para a reputação do banco. Dessa forma, Augusto Lima foi preso durante as investigações da Operação Zero Compliance, ainda em 2025 e o Pleno teve sua liquidação decretada pelo Banco Central.

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