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UBS prepara plano para deixar a Suíça por exigência de capital de US$ 16 bilhões e recebe sondagens de parceiros dos EUA
Publicado 16/10/2026 • 10:30 | Atualizado há 48 minutos
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Publicado 16/10/2026 • 10:30 | Atualizado há 48 minutos
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Parpan05 via Wikipedia
Os executivos do UBS, último banco global com sede na Suíça, se preparam para deixar o país, hipótese que até pouco tempo estava fora de cogitação. A informação consta de reportagem do The Wall Street Journal, assinada por AnnaMaria Andriotis e divulgada nesta sexta-feira (16).
Funcionários do banco e assessores elaboram planos de contingência para o caso de o Parlamento suíço avançar com exigências maiores de capital para instituições grandes demais para quebrar. As medidas respondem ao resgate do Credit Suisse pelo UBS, há três anos, segundo pessoas familiarizadas com os esforços.
Com isso, a gestão do banco poderia ser transferida para longe de Zurique. A mudança reduziria a identidade suíça de uma instituição que simboliza a força financeira do país, cuja imagem está ligada ao papel histórico de oferecer discrição e abrigo à riqueza da elite global.
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Entre as alternativas em discussão está a compra de uma instituição financeira com sede nos Estados Unidos, seguida da transferência da sede do UBS. Outras saídas são a fusão com um concorrente europeu e a venda do banco a uma empresa americana interessada na clientela de alta renda.
Nos últimos meses, enquanto o banco e o governo travavam disputa sobre a legislação, o UBS recebeu sondagens de possíveis parceiros americanos. As pessoas ouvidas ressaltaram, porém, que a instituição não está em negociações ativas e não tomou nenhuma medida formal para fechar acordo.
Também não há garantia de que o banco siga adiante com algum negócio. Algumas fontes sugeriram que o UBS adota postura de confronto como última tentativa de convencer os parlamentares a mudar o projeto, que ainda precisa ser aprovado e deve ir a votação nos próximos meses.
Além disso, o banco pode simplesmente permanecer no país. Pela proposta atual, teria sete anos para implementar de forma gradual as exigências mais altas de capital.
O governo quer que o UBS mantenha capital adicional para cobrir as operações no exterior. Pelas estimativas do banco, com base no projeto em tramitação no Parlamento, a medida custaria cerca de US$ 16 bilhões. Pesquisas de opinião mostram apoio da população ao aumento das exigências.
A ministra das Finanças, Karin Keller-Sutter, que lidera a iniciativa, afirmou que sair custaria mais ao UBS do que permanecer. Ela disse não acreditar que o banco deixaria a Suíça.
Para Stefan Legge, professor e chefe de políticas tributárias e comerciais da Universidade de St. Gallen, o impasse lembra uma disputa de nervos. “Estamos assistindo a um jogo de quem pisca primeiro. Quem vai ceder antes?”, afirmou.
Parlamentares suíços afirmam que regras mais rigorosas protegem o país de um colapso bancário capaz de provocar crise da dívida soberana. As leis atuais foram elaboradas depois que o UBS precisou de resgate de mais de US$ 50 bilhões, por causa da exposição a hipotecas americanas de alto risco em 2008.
Essas regras, porém, não foram aplicadas integralmente e serviram pouco quando o Credit Suisse caminhava para o colapso, em 2023.
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Siga o Times | CNBCApós a união dos dois bancos, voltou o temor de novos resgates. Os US$ 1,7 trilhão em ativos do UBS equivalem a cerca de 150% da produção econômica suíça. Já os ativos do maior banco americano representam aproximadamente 15% do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos.
Dois acionistas externos, a Cevian Capital e a Artisan Partners, pressionam pela mudança. O presidente do conselho de administração, Colm Kelleher, ex-presidente do Morgan Stanley, está cada vez mais favorável a explorar um acordo, segundo algumas das fontes.
Quando assumiu o cargo, em 2022, a missão dele era ampliar a presença do UBS nos Estados Unidos e elevar o valor do banco aos olhos dos investidores do setor financeiro. Uma das pessoas comparou a estratégia de Kelleher a uma partida de pôquer, em que o jogador mantém postura firme diante das autoridades suíças em vez de simplesmente blefar.
Por sua vez, o presidente-executivo, Sergio Ermotti, é cidadão suíço e voltou ao UBS em 2023 para conduzir a compra emergencial do Credit Suisse. Na época, disse que aceitar o cargo em meio à crise era questão de dever nacional.
Ermotti já afirmou que deseja continuar administrando o banco global a partir da Suíça. Diante da determinação do governo, porém, suavizou a posição sobre a importância de manter um banco suíço desse porte, disseram as pessoas ouvidas.
Os dois executivos dizem querer seguir à frente de um UBS global sediado na Suíça, mas reconhecem que pode chegar o momento em que isso deixe de ser possível. Uma pessoa familiarizada com o pensamento do banco afirmou que o presidente do conselho e o presidente-executivo estão alinhados.
Mesmo com a mudança de sede, o UBS poderia manter as operações domésticas no país. Outra possibilidade é separar a divisão e distribuir as ações aos atuais acionistas ou vendê-las a investidores externos.
O banco não divulga o tamanho total do negócio na Suíça. Em materiais usados no lobby contra a proposta, porém, informou que concede cerca de US$ 417 bilhões em empréstimos a empresas e famílias suíças e gera aproximadamente um terço da receita no país.
Entre os potenciais parceiros citados por analistas estão o Morgan Stanley e bancos regionais americanos. Em 2019, o The Wall Street Journal informou que o UBS e o Deutsche Bank haviam explorado possibilidades de combinar operações.
Qualquer acordo provavelmente teria de ampliar a base de clientes americanos de alta renda ou oferecer novas maneiras de alcançá-los, disseram pessoas próximas ao banco.
As ações do UBS acumulam alta neste ano, mas tiveram desempenho inferior ao de pares internacionais, o que investidores atribuem à discussão sobre as exigências de capital. O valor de mercado é de cerca de US$ 155 bilhões, abaixo do Morgan Stanley, avaliado em US$ 280 bilhões, e do Goldman Sachs, com cerca de US$ 260 bilhões.
Nos Estados Unidos, o banco é conhecido pela gestão de fortunas, que inclui a antiga rede de assessores financeiros da PaineWebber, e pelo banco de investimento, entre os dez maiores do setor. O UBS atende centenas de milhares de milionários americanos, é a maior gestora de fortunas da Ásia e tem presença no Oriente Médio e em outros mercados de riqueza em expansão.
Analistas alertam que o banco precisa considerar como a regulação bancária americana pode evoluir ao longo do tempo. “Empresas são como plantas. Você pode tirá-las de um lugar e plantá-las em outro, mas será que elas vão crescer lá?”, disse Legge.
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