CNBC
Governador de Minnesota pede a Trump suspensão de operações do ICE após mais uma morte

CNBCGovernador de Minnesota pede a Trump suspensão de operações do ICE após mais uma morte

Empresas & Negócios

Mercado cervejeiro em baixa pôs pressão extra em troca de CEO da Heineken

Publicado 25/01/2026 • 17:10 | Atualizado há 40 minutos

KEY POINTS

  • A saída do CEO global da Heineken, Dolf van den Brink, ocorre em um momento adverso para o mercado brasileiro de cerveja.
  • O "timing" da troca de comando chama atenção porque coincide com uma fase em que a Heineken mantém o pé no acelerador na expansão de capacidade no Brasil, com destaque para a planta de Passos (MG), que pode acrescentar cerca de 5 milhões de hectolitros por ano inicialmente.
  • Segundo a Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil), o mercado brasileiro de cerveja acumulou queda entre 6,5% e 7% no consumo em volume de janeiro a setembro 2025, na comparação com igual período de 2024.
Heineken.

Pexels

Heineken

A saída do CEO global da Heineken, Dolf van den Brink, anunciada no início da semana retrasada, ocorre em um momento adverso para o mercado brasileiro de cerveja, marcado por queda de volumes e pressão sobre margens. Analistas colocam ainda mais “água no chopp” da empresa ao reacender o debate sobre a sustentabilidade dos investimentos e os desafios de rentabilidade das operações no País.

O “timing” da troca de comando chama atenção porque coincide com uma fase em que a Heineken mantém o pé no acelerador na expansão de capacidade no Brasil, com destaque para a planta de Passos (MG), que pode acrescentar cerca de 5 milhões de hectolitros por ano inicialmente.

Paralelamente, no terceiro trimestre do ano passado, a Heineken viu seu volume global de cerveja cair 4,3% ante igual período de 2024, com retração mais acentuada nas Américas (7,4%). No balanço, a companhia indicou também que o crescimento do lucro operacional orgânico em 2025 deve ficar mais próximo do piso do intervalo de projeções divulgado ao mercado, de 4% a 8%.

O enfraquecimento do mercado, contudo, não é exclusivo da Heineken. Segundo a Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil), o mercado brasileiro de cerveja acumulou queda entre 6,5% e 7% no consumo em volume de janeiro a setembro 2025, na comparação com igual período de 2024.

O diretor-geral da entidade, Paulo Petroni, estima que os dados de 2025 devem fechar com retração entre 5% e 6% em volume. “Com os indicadores preliminares do IBGE, não vimos uma recuperação em outubro e novembro, então esperamos uma queda de 15,5 bilhões de litros em 2024 para algo em torno de 14,7 bilhões neste ano, o que é bastante representativo”, afirmou.

Com o mercado mais fraco, a analista do Citi, Renata Cabral, avalia que a transição de liderança na Heineken funciona como um sinal de alerta para a operação no Brasil. “A empresa segue adicionando capacidade em um momento de volumes excepcionalmente fracos, o que tende a alongar o prazo de retorno dos investimentos e levanta questionamentos sobre o ritmo de expansão no País”, afirmou.

Fontes de mercado acreditam que os baixos volumes de cerveja na América Latina, sobretudo no Brasil, ajudaram a reforçar as pressões para Dolf van den Brink deixar o comando da Heineken.

Consumo

O principal fator por trás da retração foi a menor quantidade de ocasiões favoráveis ao consumo. “Tivemos menos dias de sol, temperaturas mais baixas do que em 2024 e poucos feriados com emenda. Isso impacta diretamente o consumo de cerveja”, disse Petroni.

A CervBrasil destaca também a maior competição pelo gasto discricionário do consumidor, com as apostas esportivas ganhando espaço no orçamento. “Como o tíquete da cerveja é pequeno, parte desse dinheiro acabou sendo direcionada para as bets“, afirmou o executivo. A deterioração da renda disponível, os juros elevados e as mudanças graduais nos hábitos de consumo também pressionaram a demanda.

Leia mais:
Quem são os brasileiros que saíram do Twitter para um acordo de R$ 27 bilhões nos EUA
Latam concentra 42% da expansão e impulsiona recorde histórico da aviação brasileira em 2025

Dados da NielsenIQ reforçam esse diagnóstico. Segundo a empresa, o volume de cerveja vendido ao consumidor final caiu cerca de 4% entre janeiro e novembro 2025, na comparação com igual período do ano anterior. Para o diretor de Insights para a Indústria da NielsenIQ, Gabriel Fagundes, a retração não está associada a uma queda na frequência de compra, mas sim à redução da quantidade consumida por ocasião.

“O consumidor continua comprando cerveja, mas leva menos litros por vez, como forma de ajustar o orçamento”, afirmou.

Repasse de preços

Em um ambiente de consumo fragilizado, a Heineken manteve reajustes congelados desde abril 2024 como forma de preservar volumes, mas retomou aumentos em julho (2025), com reajuste médio em torno de 6%, sinalizando uma mudança de postura.

Para a analista do Citi, o longo período sem reajustes já indicava um ambiente mais apertado no segmento premium. Nesse contexto, Cabral avalia que o portfólio premium da Ambev pode estar relativamente mais competitivo, embora ressalte que a fraqueza dos volumes reduz, por ora, a relevância da disputa por participação de mercado. “No momento, todos estão brigando por um bolo menor”, afirmou.

Do lado do consumo, 2026 tende a trazer alguns estímulos adicionais, como a Copa do Mundo, mais feriados, bases de comparação mais fracas e a perspectiva de clima mais quente. Segundo Fagundes, da NielsenIQ, esses fatores podem aliviar a pressão sobre o setor, mas não indicam uma virada rápida de volume. “A expectativa é de alguma melhora, muito mais ligada ao aumento das ocasiões de consumo do que a uma recomposição do orçamento das famílias”, afirmou.

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Empresas & Negócios

;