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CEO da Airbus alerta para novos riscos após “danos significativos” causados por tensões comerciais
Publicado 25/01/2026 • 14:30 | Atualizado há 3 semanas
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Publicado 25/01/2026 • 14:30 | Atualizado há 3 semanas
KEY POINTS
Foto: CNBC
O CEO da Airbus alertou funcionários de que a fabricante de aeronaves precisa estar preparada para se adaptar a novos e inquietantes riscos geopolíticos, após enfrentar “danos significativos” logísticos e financeiros no ano passado, provocados pelo protecionismo dos Estados Unidos e pelas tensões comerciais entre EUA e China.
“O início de 2026 é marcado por um número sem precedentes de crises e por desenvolvimentos geopolíticos preocupantes. Devemos avançar com espírito de solidariedade e autossuficiência”, escreveu o CEO Guillaume Faury em uma carta interna obtida pela Reuters.
“O ambiente industrial em que operamos está repleto de dificuldades, agravadas pelo confronto entre os Estados Unidos e a China.” A Airbus se recusou a comentar comunicações internas.
Faury não detalhou os acontecimentos geopolíticos no memorando, que circulou na semana passada em meio a divergências entre Washington e aliados sobre a Groenlândia e o papel da Otan. A Airbus é uma das principais fornecedoras europeias do setor de defesa.
Segundo o executivo, múltiplas pressões comerciais já causaram “danos colaterais significativos, tanto logísticos quanto financeiros”.
Em abril do ano passado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou tarifas amplas, o que levou a China a impor restrições às exportações de terras raras. Posteriormente, Washington suspendeu temporariamente as exportações de motores e outros componentes-chave para a China, utilizados no jato C919. Peças americanas também são necessárias para aviões da Airbus montados na China.
O setor aeroespacial obteve um alívio parcial das tarifas dos EUA.
Apesar das turbulências comerciais, Faury parabenizou os 160 mil funcionários do grupo pelos “bons resultados” gerais em 2025, sem detalhar números. A Airbus divulgará seus resultados em 19 de fevereiro.
A divisão Airbus Defence and Space, segundo ele, “agora está em uma posição muito mais forte graças a uma reestruturação mais profunda”. Já a Airbus Helicopters apresenta “notável consistência na força de seu desempenho”.
Faury afirmou ser “imperativo” que a Airbus aprenda com o maior recall de sua história, ocorrido em novembro, envolvendo uma atualização de software.
Dias depois, a empresa foi forçada a reduzir metas de entregas devido a falhas em painéis de fuselagem, mas manteve seus objetivos financeiros — em parte, segundo Faury, graças ao avanço de um plano comercial de redução de custos.
“Precisamos ser mais rigorosos na gestão de nossos sistemas e produtos em geral”, disse o CEO. Ele acrescentou que as cadeias de suprimentos no pós-Covid melhoraram, mas ainda continuam sendo uma fonte de disrupções.
“Nossas dificuldades mais sérias têm sido com os motores da Pratt & Whitney e da CFM”, afirmou.
No início do mês, o recém-aposentado CEO da divisão comercial, Christian Scherer, disse que os motores da família A320 continuam chegando com atraso, destacando a Pratt & Whitney, que se recusou a comentar.
Faury sinalizou foco maior no resultado financeiro ao longo do restante da década, reforçando o caixa à medida que Airbus e Boeing se preparam para a próxima disputa no desenvolvimento de novas aeronaves.
Segundo ele, os anos 2030 serão dominados pelo desenvolvimento de um sucessor do A320, com entrada em operação prevista para a “segunda metade da década”. A Boeing deve seguir caminho semelhante, embora tenha indicado que sua prioridade de curto prazo é a redução de dívidas.
“Alcançar crescimento lucrativo na segunda metade dos anos 2020 é essencial: precisamos chegar a esse período (anos 2030) em verdadeira forma ‘olímpica’”, escreveu Faury aos funcionários. “O futuro da Airbus dependerá da nossa capacidade de executar essa estratégia.”
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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